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O PIOR FICOU PARA TRÁS?

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Adesão ao isolamento leva hospital de Manga ao menor índice de ocupação para o ano nesta quarta-feira 
Imagem. Stela Abreu

Ambulâncias recolhem pacientes na ala clínica do Hospital de Manga: unidade tem dias melhores após operar no limite com o surto da covid de março

O Hospital da Fundação de Amparo ao Homem do Campo em Manga registrava apenas uma internação nos 16 leitos disponíveis na manhã desta quarta-feira (14). É a menor taxa de ocupação do ano e situação bem diferente do caos que a unidade vivenciou durante o mês de março - quando o houve ameaça de desabastecimento do oxigênio medicinal e falta de medicamentos básicos no tratamento da covid-19.

O solitário paciente, entretanto, não ficou sozinho na Ala Covid do hospital de Manga por muito tempo. Por volta do meio-dia houve uma nova internação, também para pessoa suspeita de contaminação pelo coronavírus. Ainda assim, essa é uma excelente notícia.

UMA SEMANA SEM ÓBITO

Após os números de óbitos explodirem durante o mês de março, o município de Manga está há uma semana sem o registro de novas mortes pela covid. Até agora, 20 vidas foram perdidas na batalha contra a pandemia em Manga - 13 delas no curto intervalo de um mês.

Há pouco mais de três semanas, no dia 20 de março, a unidade havia registrado lotação máxima para os 16 leitos destinados ao atendimento na área de isolamento para pacientes convalescentes da covid-19.

Na ocasião, o consumo diário do oxigênio subiu para 17 cilindros/dia, após a Ala Covid operar em sua capacidade plena, e tudo sinalizava para um colapso no sistema de saúde local. No meio daquela crise, considerada o pior momento da pandemia do Sars-Cov-2 até agora, os hospitais da região não aceitavam transferências.

Técnicos do Hospital de Manga conferem estoque de oxigênio medicinal, insumo que registrou o maior consumo na história da unidade na crise do mês de março 

O único hospital de Manga é responsável pelo atendimento semi-intensivo de pacientes com diagnóstico de covid da microrregião formada por seis municípios (Manga, Montalvânia, Miravânia, Juvenília, Matias Cardoso e São João das Missões).

ADESÃO AO ISOLAMENTO

JANELA INDISCRETA: FARRA DAS DIÁRIAS

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Em plena pandemia, Câmara de Manga gasta R$ 50 mil com viagens para vereador participar de cursos presenciais em Brasília 
Imagens: Portal do Incap Imagens desfocadas de aulas do curso presencial no Instituto Incap em Brasília: local de destino dos vereadores de Manga na preparação para elaboração do PPA  

Sete dos nove vereadores da Câmara de Manga viajaram para Brasília nos últimos 60 dias para assistir aos cursos presenciais organizados pelo Instituto Nacional de Capacitação de Agentes Públicos (Incap). Os atuais parlamentares tiveram início em 1º de janeiro, quando a atual legislatura tomou posse dos mandatos.

Em datas distintas, seis vereadores se amontoaram dentro de um carro oficial para deslocamento com duração de cerca de 12 horas entre os dois destinos.

No pior momento da pandemia do coronavírus, a Casa contratou dois cursos presenciais de capacitação legislativa junto ao Instituto Incap. A segunda turma passou a semana entre 5 e 9 de abril na capital federal para participar de qualificação como nome genérico de ‘Plano Plurianual: o Passo a Passo da Elaboração e Aprovação do PPA no Município’. Cada evento teve custo de inscrição de R$ 550 para cada parlamentar.

Segundo a definição mais comum, o Plano Plurianual (PPA) é instrumento de planejamento governamental de médio prazo, previsto no artigo 165 da Constituição Federal que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública organizado em programas, estruturado em ações, que resultem em bens e serviços para a população.

O PPA tem duração de quatro anos e, por convenção do legislador, deve começar no início do segundo ano do mandato de cada prefeito e terminar no fim do primeiro ano de seu sucessor, na esperança de que se estabeleça a continuidade do processo de planejamento no setor público.

VAI DE VAN

Imagem do plenário na Câmara acima. Abaixo, a vereadora Jácia Lopes, que participou do curso 'Legislatura 2021/2024', em fevereiro. Na sequência, o veterano Raimundo Mendonça e o novato Ronny 'da Ambulância' Xavier, que participaram das duas edições dos cursos do Incap. Os três foram, pela ordem, os mais votados na eleição 2020    

Fizeram estadia em Brasília na semana passada os vereadores Raimundo Mendonça, o Raimundão (PSD), Jarbas Pimenta, o Bio (PSB), Gilson Francisco Viana, o Tola (Republicanos), Cibelle Santos Vieira, a Cibelle da Saúde (PP), Ronny Xavier, o Ronny da Ambulância (PSD), e Ramon Lopo Seixas, o Professor Ramon (Democracia Cristã).

O vereador Gilson Tola não participou da primeira viagem. O site apurou que, na ocasião, ele não havia informado o número da conta corrente para receber a antecipação do dinheiro da viagem.  

A vereadora Jácia Lopes (PP) não participou desta segunda viagem, mas segundo o site apurou, a parlamentar de primeiro mandato esteve na primeira leva de viajantes a Brasília, para participar da capacitação "Legislatura 2021/2024: Como desenvolver um mandato eficiente?”. Contatada por Whatsapp, a vereadora se limitou a dizer, laconicamente, que esteve ausente dos trabalhos legislativos ao longo dos últimos 30 dias, quando enfrentou um problema de ordem pessoal.

Jácia recomendou ao site buscar informações com a mesa diretora da Casa ou com os seus colegas de vereança. Dos nove vereadores da Câmara de Manga, apenas o atual presidente, Dão Guedes (PT), e Jacson Vinicius Cunha, o Jacó (Republicanos), não se inscreveram para os cursos presenciais do Incap.

TURISMO CÍVICO

A estrela dos cursos oferecidos pelo Instituto é a advogada Vanessa Anjos. O folder publicitário do Incap diz que a moça tem pós-graduação em direito constitucional, administrativo e eleitoral - além de MBA em liderança do setor público.

INCAPFOLDER.jpg - 204,65 kBMaterial de divulgação do curso de preparação para qualfiicação do vereador à elaboração do PPA

Em seu site, o Incap informa como missão “qualificar a administração pública em todos os seus níveis de atuação, transformando o agente público em um instrumento de transformação e gestão eficiente na administração pública municipal, estadual e federal”.

Em apenas 100 dias de mandato, a Câmara de Manga patrocinou dois cursos na capital federal, ambos oferecidos pelo Incap. Somados os custos com a inscrição, diárias dos vereadores e do motorista, além do combustível, a brincadeira custou R$ 51 mil para os cofres públicos do município.

Segundo uma fonte ouvida pelo site com o compromisso de não ser citada, o valor de uma diária de vereador para viagens a serviço em Brasília é de R$ 680. Para participar do curso do Incap, cada parlamentar recebeu R$ 3,4 mil - o que totaliza R$ 20,4 mil quando considera as duas viagens. Pelo menos cinco parlamentares estiveram duas vezes em Brasília, o que os habilita a receber os valores da diária em dobro (R$ 7,2 mil cada um).

Tem ainda a despesa com as inscrições, no valor total de R$ 6,6 mil. É preciso acrescentar ainda as diárias do motorista (sim, a mordomia de suas excelências inclui carro com motorista), no valor de R$ 2 mil, além dos gastos com o combustível, com custo estimado em outros R$ 2 mil.

NÃO É ILEGAL, MAS... 

O leitor pode fazer a soma e multiplicar por dois, a quantidade de viagens feitas até agora para chegar ao valor total de R$ 51 mil nessa nova farra das diárias.

Embora a transferência de recursos da Câmara para outros entes não seja possível, esse dinheiro seria muito bem-ido, por exemplo, para ajudar na atual penúria do hospital da Fundação de Amparo ao Homem do Campo, o único da cidade, que enfrenta dificuldades para comprar insumos para o combate á covid-19. 

Não há ilegalidade no turismo de capacitação dos vereadores de Manga, mas há, sim, a questão moral da oportunidade de se fazer isso no pior momento da pandemia do Sars-Cov-2.

Suas excelências viajaram de carro oficial (Chevrolet Spin, minivan de sete lugares, placas RMD5B81), com o custo do combustível custeado também pelo contribuinte manguense.

CURSO ON-LINE

O mais espantoso na sede por saber dos vereadores manguenses é o desprezo pelos protocolos mais básicos aplicados à pandemia. Qual urgência justifica lotar a minivan Spin da Câmara para uma viagem de longa duração? 

Qual a necessidade de passar três dias enfurnados numa sala de aula, quando os alunos da rede municipal em Manga estão há quase um ano sem pisar numa sala de aula por conta da pandemia. 

E que motivou a escolha do Incap e não de outra empresa que pudesse oferecer o mesmo conteúdo pelo sistema de ensino à distância, o EAD?

O valor pago por um curso on-line dispensaria o pagamento com diárias, mas aí não tem graça - especialmente quando se sabe que, em mandatos anteriores, circulou a informação de casos em que o vereador se hospedava na casa de parentes nas satélites aqui no Distrito Federal para embolsar o valor das diárias.

No mandato passado houve até troca de denúncias entre dois vereadores (não reeleitos) sobre suposto transporte de drogas no porta-malas do carro oficial. Na ocasião, os vereadores estavam em viagem em Brasília para participar de um desses cursos de capacitação.

A denúncia, como é de praxe, deu em nada, mas ficou a dúvida se era só uma acusação leviana ou se o povo de Manga patrocinou essa vergonha com o dinheiro dos seus impostos.

APOSTILA

No folheto de divulgação do curso, o Incap diz que seguiu todos os protocolos sanitários. Limitação e distanciamento dos alunos-vereadores em sala de aula, além da oferta de álcool em gel e medição da temperatura antes do acesso ao local do evento.

Cada vereador recebeu como mimo o material didático para acompanhar as aulas presenciais, coffee break e certificado de participação, o famoso canudo que a Câmara vai arquivar como comprovação de que o vereador realmente esteve em sala de aula.

É que volta e meia há denúncias por aí de que a turma sempre aproveita essas viagens para fazer o chamado turismo legislativo. Explicar a necessidade de viagens oficiais para os vereadores é ainda mais difícil quando se sabe que a internet oferece esse tipo de conteúdo gratuitamente. Há material de sobra para o vereador que realmente estiver interessado em se preparar para a elaboração do PPA.

TRAMITAÇÃO

O curso do Incap começou na tarde da terça-feira (6), mas nessa data não estava prevista nenhuma atividade. Os inscritos gastaram uma tarde inteira para fazer o credenciamento e receber o material do curso. Sem prejuízo de degustarem o primeiro coffee break, que ninguém de ferro.

Aula mesmo, só na manhã da quarta-feira, quando suas excelências quebraram a cabeça para discutir o Ciclo de Gestão do Plano Plurianual e seus elementos essenciais, além do conteúdo e estratégia, o levantamento das ações setoriais e as condicionantes do planejamento. É de se imaginar o envolvimento da turma com temas tão áridos e tão distantes das suas rotinas, mas faz parte.

MOSAICOVIAGEM.jpg - 163,48 kBEm sentido horário, os vereadores Tola, Jacson Cunha, Bio Pimenta, Cibele da Saúde, Professor Ramon. O presidente da Casa, Dão Guedes, e o vereador Jacson Cunha não participaram das viagens e recebimento das diárias 

O curso seguiu nesse diapasão até a sexta-feira, quando os orientadores explicaram a diferença entre receitas correntes e receitas de capital e a abordaram aspectos da tramitação e aprovação de um projeto de PPA pela Câmara Municipal. Além de explicar a importância dos parlamentares apresentarem suas emendas ao Plano.

O OUTRO LADO: FALA BIO

O site constatou os seis parlamentares que viajaram para Brasília para a capacitação da semana passada. Somente o vereador Jarbas Pimenta, o Bio, retornou ao pedido para confirmar e comentar a viagem. Segundo Bio, seis dos atuais vereadores estão em primeiro mandato e, por isso, precisam de consultoria sobre a elaboração do PPA.

“O PPA é um projeto muito complexo e vai decidir os rumos do município nesses [próximos] quatro anos, então isso exige de nós responsabilidade. As viagens foram feitas dentro de toda legalidade”, justifica.

Segundo Bio, o Poder Executivo faz suas viagens e as câmaras também têm assuntos importantes, como por exemplo aprovar projetos com amplo conhecimento de causa.

O site encaminhou e-mail para o Instituto Incap, que não respondeu até a publicação deste texto. A Câmara de Manga também recebeu pedido de confirmação das informações e prometeu responder até esta segunda-feira (12). O texto será atualizado caso as respostas sejam enviadas.


A CÂMARA EXPLICA

100 DIAS: PREFEITO EM MEIO À PANDEMIA

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Recrudescimento do coronavírus atrapalha largada da gestão Anastácio, que ainda não disse a que veioPrefeito Anastácio grava vídeo em seu gabinete vê copo quase cheio, mas efeitos da pandemia paraisam administração 

A depender do ângulo para o qual se olhe - e de quem olhe -, os primeiros 100 dias do governo Anastácio Guedes (PT) em Manga mostra o copo meio cheio, na visão dos governistas, e meio vazio para a oposição e os críticos. O olho do dono é que engorda o porco, para ficar numa metáfora bem interiorana.   

Na vida real, os acertos da administração são poucos e é inegável que ela sofre de uma espécie de paralisia, até certo ponto compreensível, por que seria mesmo fácil administrar o município em meio à crise sanitária sem precedentes na história do país. Para não falar das limitações já sabidas do atual mandatário e da pouca autonomia financeira - Manga depende basicamente das transferências de Estado e União para tocar o barco.

Tudo somado, Anastácio começa a ver o capital político amealhado na arrasadora vitória contra o adversário Joaquim ‘Posto’ Oliveira, o Quinquinhas de Quinca de Otílio (PSD), começando a se desmanchar no ar. E aqui o sentido é literal.

Nesses 100 dias, o governo Anastácio entregou pouco, quase nada, o que já é mais que suficiente para a reação oposicionista. Zonzos com a derrota nas urnas até outro dia, os adversários políticos começam a levantar a cabeça. Não dão ao novo prefeito até mesmo o benefício da dúvida de que toda administração precisa para atingir os 100 dias de existência, marco que acontece no próximo sábado (10).

FILME ANTIGO

Não é possível medir a qualidade de uma gestão em pouco mais de três meses, por óbvio, mas o prazo é suficiente para sinalizar os rumos dos governos. Os ventos não são bons para a segunda gestão petista em Manga - assim como já não tinha sido para a primeira passagem de Anastácio pelo cargo, que coincidiu com o governo Dilma Rousseff, de péssima lembrança e lambanças na economia.

Surgem críticas - inclusive de aliados apeados do governo - nas esquinas e redes sociais, além da recidiva de certo escritório do ódio, que andava meio sem gás, mas que começa a dar o ar da graça. 

São os manjados métodos de sempre, sem excludente da sabotagem dos fatos e tentativa de manipulação da opinião pública e apelo ao Judiciário em demandas revanchistas. Filme velho, com os mesmos personagens caricatos que foram escorraçados do poder após uma administração desastrosa.

Imagens do marco de 100 dias da gestão Quinquinhas há quatro anos: sujeira e descaso pelas ruas da cidade

O mandato anteriro foi desastroso, inclusive, porque se negou a fazer a transição entre os governos que terminou no ano passado e este que estreou em janeiro passado. A recusa e o calundu do ex-prefeito, contribuíram para que a atual administração demorasse a encontrar seu prumo. Esse mesmo Quinquinhas que nada entregava, há exatos quatro anos, nem entregaria ao longo do mandato, como bem o demonstram as imagens mais acima.

TEMPO PERDIDO

ANTES TARDE DEMAIS QUE NUNCA MAIS

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Após Arlen frustrar inclusão do asfalto entre Manga e Itacarambi no plano viário do governo de Minas, Centrão corre atrás do prejuízo e tenta cavar verba no orçamento federal  Soldadesca do Centrão mineiro ao lado do ministro Tarcísio Freitas: promessa de um asfalto que nunca sai. Sairá agora?

Como é do conhecimento dos meus antenados quatro leitores, o bloco de partidos que sustentam essa tragédia de incompetência e descalabros que atende pelo nome de governo Bolsonaro deu início à batalha final para derrubar o ministro Paulo Guedes (Economia).

O ex-Posto Ipiranga de Jair Bolsonaro, que chegou a Brasília arrotando bacaba, hoje fala fino diante de um Centrão cada vez mais à vontade em postos-chaves do governo. A briga da vez é se dá no apetite do novos sócios do poder pelas emendas parlamentares.

O ministro Guedes tomou uma rasteira das raposas velhas do Congresso Nacional e ameaça pela enésima vez deixar o governo. Bolsonaro, que só pensa na eleição de 2022, já sinalizou que o Posto Ipiranga deve ir, e que já vai tarde, muito tarde. A porta do Palácio é a serventia do inservível governo.

A parceria de Bolsonaro com o Centrão, sob os auspícios dos ministros Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), busca um calendário mínimo de obras para dar sequência à campanha permanente do presidente em busca da reeleição - cada vez mais improvável para um governo que derrete em meio a má gestão da pandemia e de todo o resto.

SAI DA FRENTE

UM MÊS PARA ESQUECER

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Março foi o pior mês para prefeito às voltas com a gestão da pandemia. A má notícia é que piora antes da virada para dias mais calmos

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Equipe de combate à covid em ação no interior do município de Januária em 2020: pandemia piora e assusta prefeitos     

O colapso em todo o sistema de saúde do Norte de Minas nas últimas semanas mostrou aos reeleitos e aos marinheiros de primeira viagem o tamanho da encrenca com que terão que lidar ao longo do mandato - ou pelo menos com a crise já contratada para boa parte dos próximos quatro anos.

Na semana mais aguda da crise do mês de março, não havia como transferir doentes em estado mais grave para cidades com melhor infraestrutura de atendimento à saúde. Chegou-se a temer, inclusive, por uma crise no abastecimento do oxigênio medicinal e falta dos remédios imprescindíveis para o tratamento da covid-19 e a intubação de pacientes.

A falta de vacinas em quantidade suficiente para reverter a mortandade e a sinalização do governo federal de que os gordos repasses de verba para auxiliar no combate à pandemia nas proporções que se viu em 2020 não vão se repetir, têm  tirado o sono dos gestores.

VAI PIORAR

O PARADOXO BOLSONARO

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Cegueira ideológica e má gestão da pandemia levam Bolsonaro a enterrar economia que pretendia salvar


O Brasil vai parando aos poucos contra todas as expectativas do bolsonarismo militante. Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro se bate contra as medidas restritivas da circulação de pessoas, inclusive com a presença física em aglomerações - algumas delas de cunho anti-democrático.

Essa era uma luta perdida desde o princípio, como sabíamos os mais racionais. Não há registro no Brasil de verdadeiro lockdown - talvez à exceção de Araraquara -, mas por todo o país governadores decretam limites ao ir e vir das pessoas, com fechamento das atividades não essenciais e feriados fora de época.

Não tomar essa providência, ainda que meia boca, é assumir o risco de ver o morticínio sair do controle.  

O desastre bolsonarista na gestão da pandemia, sua teimosia quanto à vacina e a insistente propaganda de remédios sem comprovada eficácia para a cura da covid vai destruindo dia após dia a atividade econômica que dizia proteger. É o resultado da guerra estúpida contra a ciência e a racionalidade.

Fosse só o tombo no PIB contratado também para este 2021, ainda estava no preço do lamentável engano da maioria que levou o Capetão à cadeira presidencial. Mas não é só.

Brasileiros estão morrendo aos tubos (sem ironia) da morte mais cruel entre todas as formas de tortura possíveis: asfixiados pela falta de leitos de UTI e agora ameaçados de não ter o remédio para curar os efeitos lancinantes da falta de ar.

BOLHA

O presidente está encolhido na bolha de lunáticos que insiste em ver nele o portador da missão messiânica de livrar o país da corrupção. O Brasil patina desde o fatídico junho de 2013, quando as ruas foram invadidas pelo quebra-quebra no Governo Dilma Rousseff, mas chegou ao limite da má sorte em ter alguém com o despreparo de Bolsonaro no pior momento da sua história.

Era caso para impeachment e motivos não faltam. Os populistas, entretanto, têm esse dom de arrastar seus seguidores até a beira do abismo e convidá-los a pular juntos.

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LEIA TAMBÉM: 

O COMEÇO DO FIM
Apertado de costura com a inflação agalopada e falta de rumos na condução da crise, Bolsonaro rompe com mercado e aposta no caos
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Bolsonaro ainda conta com algo em torno de 20% de aprovação, vinda, mais substancilamente de evangélicos manobrados por donos de supermercados da fé. além da extrema direita recém-saída do armário e decidida a reinstalar uma ditadura militar no país.  

A ameaça real de morrer na porta de um hospital fez com que os donos do dinheiro deixassem sua habitual indiferença para com o país para mandar um recado ao presidente. O manifesto cobra ação e mudança de atitude e deixou o Congresso Nacional, agora sob a direção do Centrão, em inédito frisson.

MINHA GENTE

FORA DE CONTROLE?

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Município registra aumento de 115% nos óbitos por covid em apenas duas semanas
Imagem. S.A

Ambulâncias recolhem pacientes na ala clínica do Hospital de Manga: unidade opera no limite após novo surto da doença

A Secretaria Municipal de Saúde de Manga confirmou na tarde desta quinta-feira (25) a triste marca de 15 óbitos em razão de complicações da Covid-19 no município. O número de mortes causadas pela doença explodiu nas duas últimas semanas. Eram sete registros no dia 10 de março, evolução de 115% nesse intervalo de tempo.  

As vítimas fatais do coronavírus em duas semanas superam os números para a pandemia em todo ano de 2020. A situação ameaça chegar ao descontrole porque o número de casos confirmados também sobe sem parar - de 506 no início do mês para mais de 800 no boletim que a Secretaria de Saúde divulga logo mais. 

Por todo ângulo que se olhe, a situação é desesperadora. A administração municipal radicaliza nas medidas restritivas à circulação, superando, inclusive, as determinações estaduais da chamada Onda Roxa.

As infecções por covid se alastraram e praticamente toda família residente no município convive ou já conviveu com o problema.     

BOA NOTÍCIA 

DEVAGAR, DEVAGARINHO

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Ex-prefeito de Porteirinha, Silvanei Batista mira vaga na Assembleia Legislativa 

Ex-prefeitos Edmárcio e Silvanei evitam sobrepor projetos políticos para evitar canibalismo de votos e melindres a aliados 

O ex-prefeito de Porteirinha Silvanei Batista (PSB) decidiu seu plano de voo para 2022: vai disputar uma cadeira de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas. 

Silvanei avalia que precisa dar “um passo de cada vez”, diferentemente do projeto do também ex-prefeito de Matias Cardoso Edmarcio Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), que vai buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. 

Os dois estão temporariamente na planície dos sem-cargos eletivos, após cumprirem dois mandatos nos seus respectivos municípios. De forma inusual para mandatos consecutivos, ambos saíram do cargo com bons índices de aprovação e reconhecimento regional a convalidar suas pretensões.       

SEM CHOQUES

A LAMBANÇA DE ARLEN NA BR-135

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Ao devolver gestão da rodovia para União, deputado impede inclusão do trecho Manga-Itacarambi nas obras do acordo Zema-Vale

Audiência de Arlen e seus satélites com o ministro Tarcísio em junho de 2019. Quase dois anos se passaram e nada avançou para o asfalto da BR-135 

Convicto de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 havia deixado orfã a bandeira da obra da pavimentação do trecho de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas, o deputado estadual Arlen Santiago (PTB) se arvorou a pai do asfalto.

Arlen apostou todas as suas fichas no governo-tampão do ex-presidente Michel Temer (2016/2018) para a retomada do asfalto, mas nada aconteceu. Foi no governo Temer, por sinal, que a obra voltou para o domínio do governo de Minas.

Posteriormente, o deputado mudou de mala e cuia para o bolsonarismo, sempre com a promessa de que a obra estaria prestes a sair. Não saiu.

A Lei Arlen foi publicada no diário oficial 'Minas Gerais' há quase quatro meses, no início do mês de dezembro, com a sanção do governador Romeu Zema (Novo). Horas depois, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, comemorou numa rede social a federalização da BR-135.

ENGATOU MARCHA-A-RÉ

O ministro Freitas sinalizava ali que a liberação de recursos pelo governo federal para o asfaltamento da rodovia era favas contadas, mas, até agora, nada aconteceu.

"A tão pedida pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi avançou autorização da Assembleia mineira para a federalização. Aguardamos sanção para licitarmos a obra. É o único trecho da 135 em MG ainda não pavimentado", escreveu o ministro. A sanção saiu e nada do ministro licitar o asfalto da estrada.


 Arlen Santiago, ao microfone, em reunião com diretório do PT em Matias Cardoso na pré-campanha municipal de 2020

O ativismo de Arlen, no entanto, pode atrapalhar mais do que ajudar na construção do asfalto, obra que os mineiros do extremo-norte esperam há mais de 50 anos e que ganhou algum impulso durante os governos petistas no governo federal.

Explico. Segundo o deputado federal Paulo Guedes (PT), o asfalto entre Manga e Itacarambi ficou de fora do plano ‘Mobilidade’ do Programa de Reparação Socioeconômica do Estado justamente porque Arlen Santiago havia convencido a Assembleia Legislativa mineira a aprovar com status de urgência urgentíssima a transferência da gestão da estrada para o governo Bolsonaro, leia-se, para a União.

BR-135 FORA DO ACORDO VALE

BALADA INSANA

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Servidor que participou de festa clandestina em Manga pode responder a processo administrativo
Imagem: reprodução site da AmamsAcesso para a ala ambulatorial do Hospital de Manga: ala covid lotada e flagrante de festinha com servidores da saúde no final de semana

[ATUALIZADO] - O fim de semana foi corrido para a cúpula da administração municipal em Manga. O bate-cabeça começou depois que um vídeo que mostrava servidores da saúde local e do único hospital do município supostamente participando de balada privada em uma residência no Bairro Arvoredo, na periferia da cidade.

Algumas das pessoas envolvidas negam a atualidade do vídeo de apenas 27 segundos na versão que circulou pelo Whatsapp, e mostra cerca de 12 pessoas aglomeradas em torno de uma mesa de madeira. Algumas delas dançam ao ritmo de uma música que sai das caixas de som adaptadas no porta-malas de um Celta, enquanto outras conversam, comem e bebem.

Ninguém usa máscara e esse fato tem sido usado como argumento na tentativa de provar que a denúncia é improcedente. 

Segundo o site apurou, parcela dos participantes são servidores municipais, alguns deles lotados na Secretaria de Saúde. A suspeita é que uma agente política também vinculada à saúde teria participado do convescote. Dona de cargo eletivo, a técnica em enfermagem não aparece na gravação e aqui se concede o benefício da dúvida - embora circulem áudios dando conta da sua participação na folia fora de hora. 

A balada da saúde chegou ao secretário de Administração, Júnior Magalhães, ainda na tarde do sábado, por meio de denúncia anônima, que teria sido confirmada pela Guarda Municipal após batida no local. Magalhães publicou o assunto em uma rede social, dando conta que a central de denúncias criada pelo município havia sido alertada sobre a festança. 

INDIGNAÇÃO

Em áudio, o procurador do município, Reginaldo Rodrigues, diz que a administração não pode agir em relação aos funcionários da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, mas garante que vai notificar todos os servidores municipais envolvidos no caso para apresentarem defesa formal sobre o assunto.  

Diante do escândalo, mais um para uma administração que mal começou, a Prefeitura de Manga foi obrigada a se manifestar. O Hospital local está com lotação máxima para os 16 leitos de tratamento da covid-19 e a cidade enfrenta medidas de restrição ao funcionamento de atividades comerciais.

A administração municipal vem em nota manifestar repúdio diante do ocorrido ontem, sábado (20), quando foi divulgado por meio das redes sociais, aglomerações clandestinas na nossa cidade. A Prefeitura de Manga tem todos os dias lutado para garantir melhores condições de tratamento para os casos de covid-19 em nosso município, como o plantão do Centro da Covid-19 aos Domingos, aumento nas equipes de monitoramento, aquisição de mais testes rápidos e insumos, medidas mais restritivas por meio dos decretos, tudo para coibir o avanço do vírus em nosso município”, diz a nota oficial. 

A festinha dos servidores provocou uma onda de indignação da população, que é diariamente exortada a ficar em casa pela gestão municipal. A festinha dos servidores abala a credibilidade das autoridades sanitárias em comandar o esforço da sociedade local para impedir o atual surto de contaminação pelo coronavírus.  

SANÇÕES