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paulo guedes natal

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CRISE A PERDER DE VISTA

No 17 Junho 2017.

A face mais feia desta crise que avança por 12 trimestres consecutivos começa a se manifestar com mais força. Nos últimos dias fiquei sabendo das demissões de pessoas próximas do meu entorno familiar e de amizade. Não é uma situação agradável, mesmo que você não seja o atingido. A má notícia é que essa tempestade perfeita que invadiu o Brasil tende a permanecer por muito tempo ainda.

E o pior: esses 15 milhões de empregos que oficialmente deixaram de existir desde a eclosão da crise, naquele fatídico junho de 2013, jamais serão reabertos. A própria dinâmica da depressão em que nos metemos retirou do mapa muitas empresas, sem falar no fenômeno da supressão pura e simples de vagas por conta dos avanços da tecnologia, que coloca máquinas e robôs onde antes havia a mão de obra humana.

Vivenciamos uma era de crises. Para todo lugar em que se olhe o mundo, lá estará a marca indelével da insegurança desses tempos modernos. Nos EUA, há o avanço incômodo do que se afigura como má escolha com a eleição de Donald Trump. Há também o crescente temor de que virá por aí nova crise financeira, impulsionada pela alta dívida pública americana. A Europa convive com seus velhos dilemas, agora potencializados com o aumento da xenofobia e a incapacidade dos governos quebrados de lidar com as garantias do Welfare State, o estado do bem-estar social e sua promessa de padrões mínimos para educação, saúde, moradia, renda e seguridade para todos os cidadãos. Sem falar na ameaça terrorista, cada vez mais assustadora.

De volta ao Brasil, a promessa de que bastava trocar o presidente para que o país achasse seu rumo não se cumpriu. Nem poderia. Os erros crassos do lulopetismo legaram ao país a ascensão ao centro do poder daquilo que Joesley Batista chama com conhecimento de causa de aquadrilha peemedebista. A implosão do grupo que tinha na figura de Eduardo Cunha seu operador e no presidente Temer um 'chefe de quadrilha, ainda segundo Joesley, era questão de tempo. Estão aí as manchetes dos jornais em cansativa rotina que paralisa o país.

Mandato não chega ao fim

A crise e seus efeitos serão bem mais deletérios do que se imaginava há até pouco tempo atrás, com consequências funestas para a parcela mais pobre da população. O espantoso é o Brasil continuar de pé, inclusive do ponto de vista das instituições, com 25% da sua população ativa jogada ao desemprego. O percentual leva em conta o chamado desemprego ampliado, que captura, além dos desempregados efetivos que aparecem nas medições oficiais, aquelas pessoas que vivem de bico por falta de opção ou quem trabalha menos do que poderia ou simplesmente desistiu de procurar trabalho.

Há sinais cada vez mais contundentes de que Michel Temer não termina o mandato. Até aqui, os donos do dinheiro, aquela figura sem face e sem endereço que se convencionou chamar de mercado, parecem não dar muita bola para a iminente queda do presidente. Apostam que a opção a Temer virá do bloco de poder de centro-direita que dá sustentação ao atual presidente, que manterá o atual ministro da Fazenda, Henrique Meireles, além do comando do Banco Central nos seus respectivos cargos. Temer vai se isolar nos próximos dias e já há quem aposte que não chega a setembro na cadeira presidencial. A noite da crise que assola o Brasil promete ser longa. Além de tenebrosa para a banda que sempre paga o pato pelos erros que não cometeu.

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