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DEVAGAR QUASE PARANDO...

No 26 Julho 2017.

País volta a ter juros de um dígito ainda hoje, enquanto isso governo começa a parar por falta de dinheiro 

O Banco Central deve anunciar logo mais a manutenção do atual ritmo de redução da taxa básica de juros, com a redução da Selic para 9,25% ao ano. Nossos juros voltam ao patamar de um dígito quatro anos depois da então presidente Dilma Rousseff tentar, à base de canetada no Diário Oficial, civilizar as taxas escorchantes cobradas pela banca. Não deu certo, como tantos outros voluntarismos da presidente, a mesma que ajudou a colocar o Brasil nessa esparrela que todos sabemos.

A queda dos juros é notícia boa, na visão do mercado e de quem toma empréstimos, mas terá pouco efeito para amenizar o fato, praticamente dado, da incapacidade do governo em cumprir a meta fiscal de 2017. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já flerta com a possibilidade de ajustes na meta de garrotear o déficit nos previstos R$ 139 bilhões, para incredulidade geral dos chamados agentes de mercado. Você não leu errado, caro leitor. O rombo das contas púbicas no país já era de espantosos R$ 140 bilhões e vai ficar pior.

Meirelles aparece no noticiário com aquele olhar blasé de quem não sabe quanto custa viver com um salário mínimo para dizer que, se necessário for, sua equipe econômica vai aumentar novos impostos. O país está numa pitimba que dá dor – como já mostrou a crise da emissão de passaportes ou a falta de dinheiro para ações corriqueiras da Polícia Rodoviária. A julgar pelo tom alarmista da colunista Miriam Leitão, a coisa não anda boa. Seu artigo reflete a capa pessimista sobre contas que não fecham que “O Globo’ estampa hoje.

Governo federal quer faturar com usinas da Cemig

Miriam diz que o risco de o governo não conseguir cumprir a meta é real e só não vai parar se conseguir mais R$ 10 bilhões, noves fora imposto da gasolina. A receitas previstas e extraordinárias, como resultado de leilões e a venda das hidrelétricas da Cemig, estão rodeadas de incertezas. Há casos de ministérios que têm recursos para apenas dois meses, informa a colunista das globos. Hoje sai o resultado do Governo Central, com segundo déficit mensal consecutivo. Aliás, sobre a venda das usinas da Cemig, o governador Fernando Pimentel encabeça a carta-aberta que o governo de Minas publica hoje nos jornais nacionais nesta quarta-feira.

Os mineiros cobram do governo federal o direito de precedência na renovação da concessão pelo prazo de 20 anos das usinas de São Simão, Jaguara e Miranda. O governo Michel Temer pretende ignorar esse acordo fechado lá atrás, em 1977, e vender as usinas para tentar reduzir o tal déficit público – o mesmo que coloca o ministro Meirelles entre a cruz e a caldeirinha: vai entregar a meta de déficit fiscal deste ano ou expõe a equipe econômica à perda de sua credibilidade cantada em prosa e verso pela turma amiga dos donos do dinheiro no país?

O cenário anda mesmo desafiador e a esperada retomada de crescimento da economia em 2018, aquela que vai devolver o emprego aos 14 milhões de brasileiros jogados na rua da amargura do desemprego depende da credibilidade que o governo não tem. Estamos chegando mais perto do salve-se quem puder. O Ministério Público, repositório de todas as esperanças, já fez sua parte ao garantir reajuste de 16% para seus servidores.

Comentários  

0 #1 José Carlos 26-07-2017 21:20
Está no blog de Paulo Henrique Amorim, o conversa afiada, a informação que Meireles lucrou em 2016 com sua empresa de consultoria, 168 milhões de reais, valor este depositado no exterior.
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