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ENTRE A CRUZ E A CALDEIRINHA...

No 29 Julho 2017.

Por conselho de assessor, prefeito de Manga evita criticar sentença com novas condenações à perda de mandato

[ATUALIZADO]

Uma clara mudança de atitude marca a estratégia do prefeito de Manga, Joaquim Oliveira, o Quinquinha do Posto (PPS), entre a primeira e segunda sentenças do juiz titular da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Manga, João Carneiro Duarte Neto, que determinou, para surpresa geral e por três vezes consecutivas, a perda do seu mandato no mês passado, com o acúmulo da suspensão dos direitos políticos por 14 anos, pagamento de multa e devolução dos valores pagos indevidamente pelo município durante sua passagem de cinco anos pelo cargo (2007/2012).

Logo após a primeira condenação, motivada por pagamentos à Balsa Ninfa da Índia, de sua propriedade, durante o primeiro mandato, um assessor publicou texto no blog 'Manga em Foco' em que Quinquinha dizia considerar a sentença do juiz João Carneiro "injusta e desestimulante". Ainda segundo a nota, Quinquinha teria dito que decisões como aquela que o condenaram a perda do mandato "só desestimulam as pessoas honestas a ingressarem na política".

O prefeito, entretanto, recuou do tom belicista uma semana depois, com a nova sentença em que o magistrado João Carneiro Neto o condenou duplamente à novas perda do mandato - desta vez por contratar sem licitação o escritório Menezes - Consultores & Advogados Associados, de Montes Claros, do amigão Farley Menezes (aqui).

O que mudou no intervalo das duas condenações? O prefeito passou a desconsiderar os conselhos do seu antigo mentor, que historicamente lhe recomendava ir para a briga judicializada contra qualquer desafeto que atravessasse seu caminho, e agora passou a ouvir a voz mais ponderada de um novo conselheiro.

Vexatórias

"Tiramos o prefeito de muitas situações vexatórias", diz esse novo tutor de Quinquinha. Sem esconder a modéstia, ele diz ter convencido o prefeito da necessidade do recuo na reação às sentenças do juiz João Carneiro."Ele precisa pensar mais com o cérebro e menos com fígado", diz essa fonte ao lembrar que o atual prefeito de Manga responde ainda a cerca de 12 processos na Comarca de Manga, alguns deles por denúncias de improbidade administrativa durante o período em que presidiu o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião de Manga (Cismma).

Quinquinha é, de certa forma, responsável pela judicialização que tomou conta da política de Manga na última década. Logo após chegar ao poder, em setembro de 2007, ele deu início a uma escalada de ações contra seu antecessor Humberto Salles, de quem era vice e assumiu o lugar com a cassação do mandato. Depois disso, não parou mais. Foram dezenas de ações em que aparecem o próprio Quinquinha, o município de Manga ou interpostas pessoas no polo ativo de ações contra seus adversários na política local.       

Algum tempo depois, já na oposição ao seu sucessor, Anastácio Guedes (PT), o agora novamente prefeito teria estimulado alguns vereadores aliados a realizarem uma série de denúncias contra o petista. Parte dessas denúncias foram protocoladas na Coordenadoria da Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público Regional em Montes Claros.

O promotor Paulo Márcio Silva chegou a requisitar à Prefeitura de Manga o envio de documentos, posteriormente repassados ao vereador Evilásio Amaro (PPS), mas as acusações nunca deram em nada. Em reação àquela ofensiva, o petismo manguense revirou os arquivos da primeira gestão Quinquinha até encontrar os indícios de improbidade administrativa que deram início à série de processos a que o atual prefeito responde na Justiça.

Aos poucos, e pelo método mais complicado, Quinquinha do Posto começa a descobrir que o pau que bate em Chico pode testar o lombo de Francisco. Os ouvidos do prefeito têm recebido pitacos com orientações diversas: tem quem manda prender e arrebentar e quem sugere o caminho da não agressão. Por prudência, prima-irmã da sabedoria, ele sinaliza trilhar o caminho do pacifismo na política.

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