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UMA DIFÍCIL VIRADA DE PÁGINA

No 09 Agosto 2017.

Após garantir estadia no Palácio do Planalto por mais uma temporada, o presidente Michel Temer se esforça para tentar criar agenda de normalidade no país. O governo tenta mostrar que está focado na retomada de temas que interessam ao país – do ponto de vista, mais especialmente, dos chamados agentes financeiros, a quem serve com fervor missionário. Um desses temas é a reforma da Previdência, prioridade máxima do presidente – embora ele não tenha votos suficientes para fazer a medida passar no Congresso Nacional. Temer tenta recuperar o clima de otimismo anterior ao fatídico ‘evento de maio’, quando o país tomou conhecimento das conversas poucos republicanas entre seu presidente e Joesley Batista num dos porões do Palácio Alvorada.

O ambiente político pode ficar mesmo mais calmo, caso a Procuradoria Geral da República não dispare a bala de prata que poderia impedir o presidente de tocar o barco na travessia até o final do mandato. A prioridade zero agora é a reforma da Previdência e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o operário mais laborioso por novo regramento que ampare – melhor seria dizer, que desampare – a terceira idade dos brasileiros.   

De quebra, Meireles atua para desarmar algumas bombas-relógio que tramitam no Congresso, algumas delas com potencial para reduzir a arrecadação ao governo. O ministro espera reverter o mais rápido possível à versão original de projetos já em fase adiantada de votação que tiram receitas do governo e ameaçam a meta do déficit fiscal. Se depender de Meirelles, a votação da reforma da Previdência sai em outubro. O ministro vende o peixe de da retomada ao afirmar que economia já saiu das cordas e tem potencial para iniciar 2018 em ritmo de expansão de até 3%, no que ampliaria a arrecadação federal.

Mas não falta quem ache o otimismo de Meirelles um tanto quanto artificial, mais destinado a animar a torcida. O futuro da reforma é incerto, porque parte da base aliada do governo no Congresso teme os efeitos do apoio à pauta, que é impopular. Ainda que os deputados estivessem convictos de que o agravamento da crise fiscal que fragiliza a economia brasileira demandaria pela urgência da aprovação da reforma da Previdência, o ponto focal de todo parlamentar é a permanência no cargo. O apoio às reformas de Temer passa por esse filtro. Ninguém se anima a abraçar um presidente com 5% de aprovação. Vide o anúncio de Temer desta semana de que irai subir as alíquotas do Imposto de Renda. Foi desautorizado pelos deputados e se viu obrigado ao recuo.    

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