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O FRACASSO DE MEIRELLES

No 23 Agosto 2017.

O governo Michel Temer resolveu privatizar a Eletrobras, empresa responsável pelo estratégico setor elétrico no país. Um ano depois de ter tomado posse no cargo em definitivo, após a confirmação do impeachment de Dilma Rousseff,  o governo Temer coleciona uma série de fracassos – o principal deles, sem dúvidas, o aprofundamento da imensa crise fiscal que levou um banqueiro a prevê calote da dívida ainda ontem, o chamado default. Às voltas com um déficit monumental, elevado de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões há alguns dias, o governo precisa desesperadamente fazer caixa - ainda que leve o patrimônio dos brasileiros à bacia das almas. 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda tem esperança em relação à venda das usinas da Cemig. A solução, contudo, parece se encaminhar mesmo para acerto político em que a estatal mineira preserve suas geradoras de energia. A ‘surpreendente’ venda da Eletrobras parece parte do esforço do governo para levantar recursos que possam dar algum respiro financeiro ao governo.

Meirelles era, até outro dia, o grande xodó do chamado mercado, porque representava a garantia de que o trem do país não iria descarrilar e essas conversas fiadas que a canalha utiliza para forçar a condução que desejam para os recursos do Tesouro Nacional. Pois bem, o ministro Meirelles disse no final de semana que o candidato ideal à Presidência da República precisa ser alguém com perfil ‘reformista’, capaz de controlar despesas e arrumar as contas públicas. Ele saiu pela tangente quando questionado se esse perfil não seria o dele próprio.

O ministro está no cargo com as missão de tocas as reformas sem as quais o Brasil vai direto para o limbo, segundo o discurso oficial, mas parece já ter se dado conta que o buraco é mais embaixo. Meirelles é candidato a presidente, mas para sorte do país tem baixíssimo carisma para a empreitada – ainda que torrasse os muitos milhões da fortuna que lhe é atribuída.

Meirelles, nunca é demais lembrar, foi o responsável pela recente alta dos impostos nos combustíveis com o argumento de que a pancada seria necessárias para não mudar a meta do déficit fiscal - a mesmíssima meta que o governo mudou dias depois sem o menor constrangimento. O ministro é o homem forte no governo de um presidente fraco e suspeito, como ficou patente na divulgação de suas conversas com o dono da JBS. 

O fato é que as tais reformas ficarão mesmo para depois - ou para o Dia de São Nunca, a depender do clima reinante no Congresso Nacional. Meirelles fracassou na sua missão de arrumar a casa e o que se tem para o almoço é a real possibilidade de o próximo governo conviver com déficits primários durante todo seu mandato. Os grupos de interesse vão se digladiar para não perder privilégios, com já acontece agora com os figurões do Judiciário e os próprios deputados e senadores, além do grosso do funcionalismo.

 

Pelo andar da carruagem, o próximo presidente enfrentará, muito provavelmente, obstáculos ainda mais desafiadores do que os de seus antecessores. Quem se habilita? Muita gente, claro, mas boa parte dela sem o mínimo de preparo para o desafio.

Comentários  

-2 #1 thiago gonçalves 23-08-2017 17:02
É culpa não é do Meirelles, a culpa é do governo do PT que deixou essa maldita herança a nós brasileiros.
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