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OUTRO FRACASSO À BRASILEIRA

No 29 Agosto 2017.

Volta e meia os brasileiros vivemos a ilusão de que nosso país vai finalmente encontrar o destino histórico a que, por alguma graça divina, estaria predestinado. Foi assim com a promessa da redemocratização, lá nos idos dos anos 1980, onda entusiasta que se repetiu via imprensa na década seguinte, com o fim do ciclo inflacionário. O Plano Real acabou com a ‘inflação galopante’, aquela que tanto mal fizera às parcelas mais pobres da população. Mas inflação alta, claro, não era ruim de todo – especialmente para a turma que apostava na ciranda financeira do país com os juros mais altos do mundo.

Em período mais recente, a operação Lava Jato prometia ser a panaceia da vez, a porção milagrosa que finalmente nos redimiria a todos – com o prêmio extra de mandar para a cadeia os figurões responsáveis pela corrupção que contaminou as estruturas do setor público com o vírus da corrupção de alto a baixo.

A Lava Jato, segundo os entendidos, tem sido o fato mais importante em 500 anos de história pátria – o momento em que, enfim, a Nação faria a guinada em direção à terra prometida de mais igualdade e justiça.

Não é nada, não é nada vai ficando mais ou menos claro que a mani pulite de gente como o juiz federal Sérgio Moro e outros paladinos dos bons costumes na lida com a coisa pública também tem seus limites. A esperada reação contra a Lava Jato se fez mais clara quando a limpeza dos costumes nacionais bateu nos costados de gente poderosa, casos da cacicaria do PMDB e do PSDB, entre eles o notório e insepulto cadáver político do senador Aécio Neves e suas inconfidências mineiras daquele bate-papo com os goianos da JBS.

Por falta de provas, seja por delações que não entregaram o prometido ou resultado de processos mal conduzidos, gente como o próprio Aécio, Jarbas Vasconcelos, Valdir Raupp, José Sarney, Paulo Hartung, Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Fernando Pimentel, entre outros, deixarão de prestar contas dos seus malfeitos.

Os movimentos para barrar a Lava Jato repetem por aqui o que já acontecera na Itália, com a operação Mãos Limpas, ou Mani Puliti. Gente graúda articula nas sombras a reação, parte dela via Congresso, para impedir o avanço da Lava Jato, em óbvia contraofensiva às investidas do Judiciário sobre a classe política.

O parlamento cozinha em fogo brando algumas reformas emergenciais para tornar sem efeito as investigações em curso – entre elas os freios legislativos com previsão de punição para casos de abuso de autoridade, com foco no Ministério Público e juízes. Noutra frente, deputados e senadores tentam aprovar a reforma política que simplifica os caminhos da reeleição – como estratégia para garantir o foro privilegiado.

A Lava Jato pode ser mais um rio que passou em nossas vidas, sem, no entanto, cumprir suas promessas de tempo novo. A operação foi o melhor que já tivemos em 130 anos de República, mas é inegável que, em parte, é também responsável pela paralisia que tomou conta da economia e provoca um inédito processo de empobrecimento do país, com reflexos nesses 14 milhões de empregos perdidos – parte deles, claro, jamais será recuperada.

Seria o preço a pagar... 

... caso o país tivesse expurgado do seu cotidiano essa elite política e o capitalismo de compadrio que provocou a metástase que se espalhou pelas maquinas públicas país afora. Não tenha dúvida, caro leitor, a corrupção chegou às prefeituras e câmaras municipais dos mais remotos municípios do país.

A operação Lava Jato veio a lume para expor ao país as práticas pouco republicanas do lulopetismo, mas descobriu algo muito maior, com a revelação de que toda a estrutura política estava apodrecida. E aqui chegamos ao ponto de inflexão. A mais duradoura e barulhenta tentativa de passar o país a limpo começa a perder força – inclusive com a ajuda de gente poderosa dentro do próprio Judiciário. Como está mais ou menos explícito, o país não ficou melhor. O que há é um esgarçamento da cidadania, como bem o demonstra a solidão das ruas.

O senador Romero Jucá, tantas vezes indiciado já previra esse desfecho lá atrás, quando sugeriu que a chegada de Michel Temer à Presidência da República colocaria ponto final no avanço da Lava Jato. Aos vencedores, as bravatas. Força e fé, brava gente brasileira.  

Comentários  

0 #1 pe di cabrya 29-08-2017 19:15
... estão todos juntos.
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