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MEU CARGO, MINHA VIDA

No 10 Outubro 2017.

O que o presidente Michel Temer e o prefeito de Manga, Joaquim de Oliveira Sá, o Quinquinha do Posto Shell, têm em comum, além do fato de terem sido protagonistas dos golpes parlamentares com os quais tomaram os cargos de seus companheiros de chapas?

É que ambos estão às voltas, nesta reta final do ano, com denúncias que podem, pelo menos em tese, custar seus respectivos mandatos. As semelhanças, entretanto, acabam por aí.

Michel Temer tem a seu favor a simpatia do Congresso Nacional, onde aparenta ter ainda maioria folgada para arquivar a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de obstrução da justiça e organização criminosa. O presidente também pode manobrar nacos do orçamento com a destinação de verbas às emendas parlamentares, por meio de canetadas que autorizem a liberação de verbas para municípios das bases dos deputados federais.

No caso de Quinquinha (na foto deste post no dia da posse como vice do ex-prefeito cassado Humberto Salles, em janeiro de 2005), que vai enfrentar pelos próximos três meses a denúncia de improbidade administrativa (veja aqui), a situação é bem mais complicada. O prefeito não tem maioria na Câmara de Vereadores, que instalou, na semana passada, uma comissão processante para investigar denúncias de irregularidades na contratação pelo valor de R$ 65 mil do escritório de advocacia Menezes & Associados, de Montes Claros, em fevereiro deste ano.

Além disso, o prefeito de Manga não pode contar com os recursos das emendas parlamentares, instrumento que inexiste no âmbito dos municípios. Sem margem de manobra, Quinquinha poderia, por exemplo, barganhar mudanças nas secretarias municipais.

Seria recurso extremo, mas o site apurou que uma importante assessora de primeiro escalão do município quase perdeu o cargo na semana passada. Cargos como o de secretário municipal da Saúde ou Educação, com salário mensal de R$ 5 mil, são bastante cobiçados e poderia entrar na mesa de negociação na tentativa de reverter pelo menos um voto na Câmara Municipal.

O problema de Quinquinha é a falta de horizonte político. Além da investigação na Câmara de Vereadores, o prefeito já acumula no lombo três cassações do mandato pela via judicial e outros 14 anos de perdas dos direitos políticos. O mesmo cargo que ele pudesse oferecer como moeda de troca tem data de validade: os próximos três meses pode. Essa mesma vaga pode, em tese, ser oferecida pelo seu sucessor para o resto do mandato.

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