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É HORA DE PENSAR OS 100 ANOS DE MANGA

Ligado .

Para não decepcionar ou passar em brancas nuvens, efeméride demanda planejamento e organização

Nem sei por onde começar o tema deste artigo, que é de baixa audiência em um país que dá pouco valor para a educação do seu povo. Agora mesmo vimos a queima criminosa, por negligência e falta de vergonha, de um acervo do porte daquele do Museu Nacional, com prejuízo irrecuperável para a cultura e a ciência.

Nenhuma demissão sumária, nada de pedido de desculpas das autoridades - em especial do presidente da República arrasada. Se os meus três leitores me permitem, vou tratar do assunto assim mesmo, ainda que sem esperança de que os ouvidos moucos se abrirão.

Imito o passarinho daquela fábula, que tenta apagar o incêndio da floresta com a água que conseguia carregar no bico. É pouco, mas é o que posso fazer.

Vamos lá. Começou na semana passada, no feriado do 7 de Setembro, a contagem regressiva de cinco anos para o primeiro centenário da emancipação político-administrativa do município de Manga, prevista para 2023.

Comissão organizadora

Há muito o que se fazer para que essa efeméride não passe em branco ou que venha a ser comemorada de forma chinfrim, como foi essa 'festa da cidade' organizada pela Prefeitura de Manga no último feriado, com atrações musicais de gosto duvidoso e total descaso para com os cantores do lugar - lembrados só de última hora e sob protestos. 

A primeira providência que a atual administração pode tomar é instituir uma comissão municipal para cuidar dos preparativos para o 1° Centenário de Manga. Uma lei municipal precisa ser votada para garantir a criação de um fundo com recursos públicos para custear os gastos com a agenda dos 100 anos. Diluir esses gastos ao longo de quatro ou cinco anos fiscais, contribui para reduzir o impacto no orçamento - especialmente em tempos de cofres vazios.

Imagens de desfile cívico e da recepção ao jornalista Assis Chateaubriand das décadas de 1980 e 1950, respectivamente: exemplos para constar de uma exposição fotográfica alusiva ao centenário  

A comissão organizadora terá a missão de pensar a festa, com suas atrações culturais e educativas, históricas, religiosas, sócio-econômicas, lazer e tantas outras dimensões quanto foram detectadas ao longo do debate com a sociedade. Aliás, a Câmara de Vereadores pode pensar em movimento semelhante, além de contribuir com as demais iniciativas.

Captação de recursos

Um dos trabalhos da comissão em parceria, por exemplo, com a Câmara Municipal e entidades civis, é a realização de audiências públicas para coletar sugestões para a organização dos festejos, inclusive - e por que não - fontes de financiamento para cobrir os gastos.

A comissão pode ter, entre seus membros, pessoas capacitadas na elaboração de projetos e captação de recursos via leis de fomento à cultura (Lei Roaunet, entre outras) e os muitos editais oferecidos pelos ministérios da Cultura, Educação e Cidades. Além de fontes da iniciativa privada, como bancos e suas fundações.

Planejamento

Há uma série e providências que podem ser tomadas com boa antecedência. Entre outras, a abertura de editais para a realização de certames públicos para a escolha da logomarca do centenário ou um concurso destinados a selecionar composições e músicas para a criação do hino para a ocasião.

Uma edição de um livro especial com a História do município também pode ser encomendada ou a gravação de um audiovisual com o mesmo tema. Há muito que se pensar nessa seara: concursos de redação, com o envolvimento das escolas das redes municipal e estadual para o ano do evento, festivais de música teatro, uma boa exposição temática sobre os 100 anos, retrospectivas, saraus, serestas e por aí vai.

Vale ainda a gravação para as novas mídias de versões dos hinos a Manga, do hino ao antigo Colégio Sagrada Família, a Canção do Marinheiro, que embalou algumas gerações de estudantes daquele mesmo educandário, e o que aparecer de sugestão. Pode apostar que elas virão, caudalosas e criativas.

Hotsite

Vale pensar, como ferramenta de mobilização, a criação de um hotsite alusivo aos centenário, com a história do município, seus grandes vultos (aqui ainda vale mais pesquisas sobre os fundadores do município e a vida de gente com Anfrísio Lima, personagens da educação e cultura em que se incluem o maestro João Moreira, os educadores Ricardo Trischeller e Luiz Carneiro Viana, além de Dona Salia Novais, alguns prefeitos com seus marcos de benfeitorias. O período da industrialização, de grande vitalidade econômica com o beneficiamento do algodão).

Cerimônia no antigo Colégio Sagrada Família, com as presenças do dr. Luiz Carneiro Via, padre Ricardo Trischeller e Salia Novais e o palanque comemorativo do aniversário da cidade e Dia da Pátria   

Aliás, um dos trabalhos da comissão será o de fazer o levantamento da História do município, buscar dados, documentos, fotografias, depoimentos para, quem sabe, legar ao município seu primeiro museu ou casa da memória.

Lá para mais perto das festividades, será necessário pensar nos eventos culturais e esportivos para o mês ou a semana das comemorações. Há um mundo de possibilidades, entre elas as cavalgadas e eventos de ruas, show musicais, contação de causos, cirandas de estórias, campeonatos para vários esportes…

Marco dos 100 anos: pavilhão do município

Eventos desse porte precisam deixar seu registro para as gerações do próximos 100 anos. Vai aqui uma sugestão de quem também nasceu a 7 de Setembro: que tal criar o Pavilhão do Centenário, com a construção de um mastro no formato e um obelisco, com altura de 100 metros (se o orçamento permitir, mas pode ser menor), para manter hasteada em tempo integral as bandeiras do Brasil e do município?

A escolha do terreno, bem como a sua desapropriação não pode ficar para a última hora. Precisaria ser um local que ofereça visibilidade do mastro para qualquer parte da cidade. É uma proposta factível, mas que demanda planejamento para seu custeio e execução. Algo bem diferente dessas semanas da cidade e sua música de baixa qualidade, apenas para evitar críticas à administração nas redes sociais.

O centenário de Manga, minha gente, e para pensar grande. E pensar rápido. Espero ver meus três leitores por lá, se tudo valer a pena e a alma não for pequena, para fechar com Fernando Pessoa. Quem sabe, até lá, teremos vencido o Bojador e ir além da dor desses dias tristes que embalam a cidade e seu povo.

Comentários  
+2 # Francisco Pinto da 16-09-2018 18:59
Ola pessoal boa noite li a sua matéria sobre o centenário de Manga e confesso que fique bastante entusiasmado com a ideia, concordo com você Luis Claudio que o povo manguense precisa ficar ligado e atento para organizar este que será o maior evento de todos os tempos, a realização do primeiro centenário da cidade de Manga. É isso ai meu povo vamos nos organizar porque o tempo é curto. Acho que este é o maior legado que podemos deixar para para nós e as gerações futuras a nossa historia do passado, do presente e do futuro. Segundo um ditado popular um povo sem cultura é considerado um povo morto. bora para frente que atra vem gente.
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+1 # Juliene Rodrigues 17-09-2018 14:09
Minha cidade natal! Pena que passaram 100 anos, e não vejo nenhum progresso, isso é lamentável, parou no tempo! Amo minha cidade, mas assim como muitos; tive que procurar melhorias de vida em outro lugar.

VIA FACEBOOK
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0 # Neemias Nascimento 17-09-2018 14:10
Verdade uma cidade onde foi pólo, hoje comendo as migalhas dos nossos governantes!!
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