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O MINISTRO BATEU NO TETO

Ligado .

Paulo Guedes é o mais novo ‘ficante’ do governo Bolsonaro. Ele garante que fica, mas todo 'ficante' só fica... até cair 


Há uma máxima antiga aqui em Brasília que diz o seguinte: quando um nomeado qualquer precisa afirmar que está ‘prestigiado’ pelo presidente de turno é porque se dá justamente o contrário.

O ministro Paulo Guedes (Economia), cada vez mais desacreditado até pela sua patota do mercado financeiro, foi além: após balançar no cargo com a ameaça de ponto final ao seu pacote liberal, veio à boca da cena para dizer que tem a confiança de Bolsonaro.

Algo na linha do 'ele disse que estou firme no cargo', cena inédita nos muitos folclores que a capital da Replúbica acumula nas seis décadas de existência. 

“Existe muita confiança do presidente em mim e minha no presidente”, afirmou o ministro da Economia.

Exenplo explícito de humilhação do ex-superministro ante Bolsonaro, que não faz outra coisa que não boicotar o seu Posto Ipiranga desde a posse.

HOMENS AO MAR

Teimosia, ou resiliência, para ser mais adequado à excelência em causa, parece ser a qualidade que PG mais tem para chamar de sua. Seus reveses no governo não foram poucos. Entre os mais recentes, está a debandada dos assessores que trouxe para Brasília.

Desanimada com o choque de realidade, boa parte da entourage liberal do ministro já pulou do barco. Foram ganhar seus milhões no tal mercado, agora mais ciosos das entranhas do governo e seus segredos. 

DIGA ESPELHO MEU...

Privatização, reformas, desburocratização, choque fiscal e teto do gasto, todas as bandeiras da turma do ministro foram pouco a pouco jogadas no lixo por Bolsonaro - que nunca deu bola para esse tipo de coisa e só fingiu a conversão ao credo dos ditos mercados.

Guedes recebeu do presidente a sinalização de que o teto de gasto será mantido, quando até as emas do Palácio do Alvorada sabem que isso não vai acontecer.

Bolsonaro se olha no espelho e não vê a cara feia e o despreparo absoluto para o cargo que a maioria dos brasileiros enxerga nele: enamorado da sua própria figura, ele vê uma longa permanência na cadeira presidencial - custe o que custar.

O ministro da Economia prometeu zerar o déficit do país em um ano e chegará à metade do mandato com a entrega já contratada do maior rombo das contas públicas da história.

OLHA A PEDRA!

Faltou sorte ao ministro que iria converter o Brasil ao deus mercado: tinha uma pandemia no meio do caminho e o caso curioso do presidente que se dá bem, mesmo com a expectativa de 200 mil cadáveres ao final dessa difícil jornada.

A última missão de Guedes no governo é montar um novo Bolsa Família, o programa que vai substituir o auxílio emergencial que fez Bolsonaro ganhar a simpatia do eleitor que até outro dia tinha em Lula sua referência eleitoral.

OSTRACISMO

Bolsonaro vai fazer agora o que Lula fez em 2003: vai empacotar vários programas sociais em um só e evocar para si a paternidade sobre os mais pobres. No pacote, manda o lulo-petismo para a Sibéria da política nacional.

Some o abono salarial do PIS/Pasep, a farmácia popular e o seguro defeso e entra em cena o Renda Brasil, vinculado ao atual governo.

Vai dar certo? A ver. O país não tem recursos para bancar a farra eleitoreira. É preciso ver como vai se comportar o eleitor que recebeu R$ 600 com a prorrogação do auxílio em R$ 300, como se propõe agora?

Como Paulo Guedes pretende gerar os milhões de emprego para o trabalhador voltar a consumir e melhorar a arrecadação? Cada vez mais apatetado em suas aparições públicas, o Posto Ipiranga parece não saber a resposta.

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