logo 20182

O ABACAXI MUDA DE MÃOS

Ligado .

Anastácio vai comandar município pela 2ª vez em uma década, agora sem apoio estadual e federalBaile de máscaras: ato para a entrega das chaves do Paço Municipal na manhã deste 1º de janeiro deu lugar a uma transição que nao houve  

O prefeito Anastácio Guedes (PT) está de volta para um segundo mandato potencialmente mais complicado do que o anterior (2013/2016). O quadro fiscal do país - e por consequência o do município - piorou muito ao longo dos últimos quatro anos.

O petista acumulou experiência desde que entrou para a vida pública, mas o desafio que se insinua vai exigir muita prudência e pouco espaço para erros - especialmente neste primeiro ano de mandato. De imediato, será preciso lidar com a pandemia ainda solta e com seus efeitos.

DESAFIOS - Saúde e educação serão dois setores a merecer toda a atenção. Há um surto do coronavírus em curso e que pode sair do controle e se coloca como tarefa inadiável para a nova secretária de Saúde, Cassília Rodrigues.

Na educação o drama é ainda mais complexo: os alunos da rede municipal passaram o ano de 2020 a base de envelope com tarefas e cestas básicas. Nada de conteúdo novo. A titular da Educação, Karina Pinheiro, tem agora a tarefa de tentar recolocar a casa em ordem.   

O novo prefeito vai precisar lidar com alguma diplomacia contra o excesso de expectativas e cobranças e a pouca disponibilidade do caixa em tempos de arrocho. Com o fim do auxílio emergencial do governo federal, é provável que as ameaças de amplificação do desemprego, com potencialização da miséria e até quadros de fome que rondam aí batam na porta do prefeito ao longo dos próximos meses.   

SOBREPESO - Não se sabe ainda o tamanho do abacaxi que vai herdar da gestão anterior. Há elementos que apontam para o crescimento da dívida líquida do município - especialmente a fatura previdenciária, cujos pagamentos podem ter sido suspensos no bojo das negociações com o governo federal no período da excepcionalidade da pandemia.

Capítulos anteriores: no alto, reunião da comissão de transição em 2012. Abaixo (E), Quinquinhas, de saída em 2012, fala na transmissão do cargo. Na imagem 3, aperto de mãos quando Anastácio deixava o cargo em 2016

Tem ainda o imbróglio dos 59 servidores efetivados pelo prefeito anterior, uma casca de banana que Anastácio precisa enfrentar já nos primeiros dias do mandato. Precisa decidir entre cancelar as nomeações ou tocar a vida, com o sobrepeso na folha salarial.

VALEU, FALOU! - Mas aqui seu antecessor lhe prestou um grande favor: o petista tem uma boa desculpa para recusar os muitos pedidos de emprego que os prefeitos recebem ao assumir o município.

Anastácio enfrentou um primeiro mandato complicado, com a crise do governo Dilma Rousseff. Só conseguiu tocar algum tipo de obra ao final do mandato e, ainda assim, muitas delas ficaram pelo meio do caminho.

OBRAS PARADAS - A boa notícia é que, se conseguir entregar o que deixou pela metade, ele já terá um bom balanço de governo para entregar daqui a quatro anos. São obras que poderiam ter sido concluídas e entregues para a população nos últimos quatro anos, mas que foram ignoradas pela administração anterior.

Uma delas é a creche do projeto Pró-Infância, que tinha, inclusive, os recursos para a conclusão depositados em conta da Prefeitura de Manga.

Há ainda o canteiro de obras da paralisada escola técnica federal, a conclusão da urbanização do Parque Uirapuru e a retomada da urbanização da orla do Rio São Francisco, que ficou pronta na gestão Anastácio mas foi praticamente destruída pela falta de manutenção ao longo dos últimos quatro anos.

NÃO ME DEIXEM SÓ - A exceção ficou por conta da expansão do mercado municipal entregue no apagar das luzes, e da UBS do Bairro Tamuá. A gestão anterior resolveu dar continuidade a essas duas obras no ano passado, quando percebeu que corria o risco de passar quatro anos em branco na rubrica obras realizadas.

Não será fácil a vida de Anastácio, entretanto. No mandato anterior, o lulo-petismo comandava Minas Gerais e o país - até o impeachment de Dilma Rousseff, em agosto de 2016. Não há muito que o município esperar de recursos extras da União ou do Estado - que de resto estão quebrados.

Sobram as emendas parlamentares dos deputados aliados Paulo Guedes (federal) e Virgílio Guimarães (estadual). Ajuda, mas não será suficiente para o tamanho das demandas do município.

AO VENCEDOR, AS BATATAS - O prefeito que deixou o cargo ontem, passou os últimos 15 dias no cargo numa espécie de correria para mostrar que seu mandato não foi o fracasso que todo mundo sabe e as urnas demonstraram.

O ex-prefeito entende a transição de governo como a entrega das chaves do paço. Ele não deu a menor bola para o assunto e quis fazer a tal transição quando já não havia mais tempo hábil para sua realização.

ADJUTÓRIO - “Foram entregues relatórios, documentos, portarias, leis e entre outras relações, para que tome ciência de todas as ações executadas durante o nosso governo. Ressaltamos que, estamos deixando em conta o valor de R$ 8 milhões para que o gestor possa dar continuidade aos serviços essenciais, logo na sua primeira semana de trabalho”, escreveu o ex em uma rede social, naquele que pode ser seu último ato seu na esfera pública, agora que ganhou o título de prefeito ficha suja.

O governo que chega recebe esse adjutório de oito milhões, que provavelmente não podem ser gastos “logo na sua primeira semana de trabalho”, como sugere o outro.

Mas a informação não é de todo irrelevante: como um prefeito com tanto dinheiro em conta fez tão pouco ao ponto de tomar a surra eleitoral que acabamos de ver nas últimas eleições? É caso para ser estudado pela ciência política.

|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
VALE A PENAR LER DE NOVO:
AO VENCEDOR, A ASPEREZA DOS ABACAXIS
Insegurança jurídica, crise financeira e potencial para frustração das expectativas marcam retorno de Quinquinha ao cargo
Ligado 02 Janeiro 2017
*UMA TRANSIÇÃO SUB JUDICE
*A HORA DO TROCO
Anastácio vai cobrar de Quinquinhas agilidade no processo transição que não aconteceu há 4 anos, quando os dois estavam em papéis opostos
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Adicionar comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar