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ESVAZIADA, AMAMS ACLAMA PRESIDENTE

Ligado .

Entidades municipalistas do Norte de Minas optam por consenso na escolha das suas diretorias, exceto no Samu onde a disputa segue indefinida

Prefeitos filiados à Amams na foto oficial durante a eleição para a escolha da nova diretoria da entidade 

A outrora influente Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) elegeu sua nova diretoria na última sexta-feira (15) de forma consensual.

O prefeito do pequeno município de Padre Carvalho, José Nilson Bispo de Sá, o Nilsinho (Republicanos), foi aclamado presidente e vai para tocar a lojinha municipalista pelos próximos dois anos.

A nova diretoria tem ainda os prefeitos Celio Santana (Buenópolis) como 1º vice-presidente, Robson Adalberto Mota Dias (Coração de Jesus) na 2ª vice-presidência, Ronie Douglas Dias (Olhos D'água) na diretoria de Gerenciamento Econômico, Norberto Marcelino (Claro dos Poções) na Articulação Política, José Geraldo Alves de Almeida (prefeito de Ponto Chique) como diretor de Desenvolvimento Regional.

Já o Conselho Fiscal é formado por Carlos Alberto Mota Dias (prefeito de São João da Lagoa), Vanderli de Carvalho Barbosa (Felixlândia), Rodrigo Fernandes (Pedras de Maria da Cruz), Diego Antonio Braga (Grão Mogol), Eduardo Rabelo (Francisco Dumont) e Reginaldo Antonio Silva (Jaíba). 

NOVO VELHO- A posse da nova diretoria ainda depende da confirmação da presença do governador Romeu Zema (Novo), que, por sinal, bate asas neste final de semana por municípios do Norte de Minas.

A presença do governador que nada fez em Minas até aqui na solenidade de posse da Amams será uma tentativa de lembrar os bons tempos em que a entidade tinha algum peso na cena política regional.

Mas Zema é um novo velho, no que diz muito, por exemplo, o sucateamento da malha rodoviária sob sua batuta. As estradas mineiras são agora um queijo suiço e, não demora, quem tem planos eleitorais vai tentar sair da órbita do ‘caipira’ que tomou Minas de assalto na onda bolsonarista que varreu o país há dois anos. A nova política está morta, só falta alguém para bater o prego no seu féretro.

SEM PARAQUEDAS - Um dado mostra o esvaziamento da Amams. Dos quase 100 municípios sobre a área de influência da Associação, pouco mais de 50 prefeitos estavam aptos a votar. Entre os deputados com representação regional, apenas Paulo Guedes (federal) e Zé Reis (estadual) deram com os costados por lá. A boa notícia é que nenhum dos paraquedistas de ocasião apareceu.

Parcela deles não têm direito ao voto por inadimplência com a entidade, mas há ainda quem simplesmente não queira perder tempo com o associativismo, por considerá-lo inócuo. A tese aqui é a de que o eleitor médio não tem a menor ideia do que venha a ser a Amams e dela não tira nenhum proveito.

ERA DOURADA - Em seus dias áureos, a Associação ergueu uma sede suntuosa em Montes Claros. Quem pontificava por lá era o novamente prefeito de Patis, Valmir Morais (PTB), que também acaba de ser eleito por unanimidade para a presidência Cimams (Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene).

O Cimams, que entre as suas multifinalidades tem o propósito de realizar licitações conjuntas para os municípios, era comandado até aqui pelo ex-prefeito de Matias Cardoso Edmárcio Moura Leal, o Edmárcio da Sisan (Avante), nesta foto de terno ao lado do prefeito e novo presidente do consórcio, Valmir Morais.

Com Valmir, a Amams teve alguma interlocução com o Palácio Tiradentes e chegou a receber os governadores tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia, aqueles que iniciaram a quebradeira de Minas antes do petista Fernando Pimentel colocar a cereja no bolo já bem azedado.

CONVERSA PRA BOI DORMIR

A ausência de disputa para a eleição dessas entidades é vendida como exemplo de maturidade da classe política norte-mineira. Mas essa é uma balela que compra quem quer. O que falta mesmo é apetite para a disputa de entidades que não conseguem muito dizer para que servem.

A Amams e suas congêneres no Norte de Minas atendem bem aos interesses de prefeitos que entram em campo com sonhos de voos maiores na política ou ao apetite dos deputados de turno para acomodar seus apaniguados.

O último caso bem-sucedido foi o do atual deputado estadual Zé Reis (Podemos), ex-prefeito da também miúda Bonito de Minas. Reis presidiu a Amams entre 2017/18, de onde teve um olhar mais abrangente sobre a cena política regional que o ajudou a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

ACLAMADOS - Houve eleições ainda nos consórcios Intermunicipal de Desenvolvimento Ambiental e Sustentável do Norte de Minas (Codanorte) e Intermunicipal de Saúde do Norte de Minas (Cisnorte), União da Serra Geral no Norte de Minas Gerais, além do Consórcio Intermunicipal de Saúde Alto Médio São Francisco (Cisamsf) e na Avams, a Associação dos Vereadores do Norte de Minas.

Todas por aclamação, seguindo a mesma lógica de que onde há consórcios demais suas representatividades merecem do eleitor, quando nada, um rápido olhar de desconfiança.

BRIGA DE FOICE NO SAMU - Se houve aclamação em todas as entidades representativas dos municípios norte-mineiros, no consórcio que administra o serviço de urgência médicas Samu-192 a disputa promete ser no dente por dente, olho por olho.

A disputa foi parar na Justiça e o edital de convocação para a eleição que deveria acontecer no dia 15 de janeiro foi cancelado. A previsão é de que a eleição para a nova diretoria do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun), o nome oficial do Samu-192, aconteça no final deste mês.

CASASANTA FORA- Das três chapas inscritas para o primeiro edital, sobraram apenas duas no fechamento das inscrições na tarde da sexta-feira (15). A disputa agora será entre as chapas lideradas pelos prefeitos Marcelo Meireles (São Romão) e Norberto Marcelino Neto (Claro dos Poções).

Marcelo Meireles (PSDB) conta com o apoio dos deputados federais Paulo Guedes (PT) e Delegado Marcelo Freitas (PSL), agora juntos e misturados contra o que dizem ser a invasão de políticos alienígenas sobre o eleitorado de municípios do Norte de Minas. Os paraquedistas já dão voos rasantes na região a bordo do helicóptero Águia Dourada do deputado estadual Arlen Santiago.

LIBEROU GERAL - Santiago, por sinal, é o padrinho do candidato de oposição Noberto Marcelino Oliveira (DEM). A outra candidatura, que era encabeçada pelo prefeito Mário Osvaldo Casasanta (Francisco Sá), com o apoio do deputado estadual Tadeu Martins, o Tadeuzinho (MDB), foi retirada.

Tadeu Martins liberou seu grupo de prefeitos para votar em quem quiser e definir qual das duas chapas na disputa vai levar a rapadura do cobiçado Samu-192, onde há uma boa safra de cargos e dinheiro da saúde para exercer - de faro - sobre a prefeitada da região.

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