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O CIRCO EM CORIBE

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Bolsonaro vai à Bahia inaugurar trecho da BR-135 que estava praticamente pronto quando assumiu o governo

Na Bahia, Bolsonaro promete impedir que estrangeiros comprem terra no país

Bolsonaro e comitiva na visita à cidade de Coribe para entrega de trecho da BR-135

O trecho de 67 quilômetros da BR-135 entre Coribe e Cocos, no Oeste Baiano, inaugurado nesta quinta-feira (21) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é das poucas obras herdadas de administrações anteriores a que o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) ainda pode recorrer para salvar o desgoverno federal da total inação.

O ministro Tarcísio de Freitas, por sinal, atuou no Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) durante o governo Dilma Rousseff e, por isso, conhece o ‘mapa do tesouro’. Freitas virou o ‘darling’ de Bolsonaro ao se tornar o único ministro com alguma entrega - ainda que de governos passados - a oferecer para que o presidente monte o seu teatro de falsa eficiência.

COLHEITA SEM PLANTIO

Quem não planta, por óbvio, não tem o que colher. Bolsonaro foi à Bahia inaugurar uma estrada cujo projeto foi lançado em 2010 - o de recuperar a extensão da estrada federal que liga Belo Horizonte a São Luís do Maranhão. O edital para as obras na Bahia foi lançado há seis anos, ainda no governo Dilma Rousseff, pelo Dnit.

As obras no Lote 4 da BR-135 entre Cocos e Coribe foram iniciadas em fevereiro de 2017, já no governo Michel Temer - com previsão de término ainda naquele ano e gastos contratados de R$ 101,2 milhões. A obra está pronta há um bom tempo e falo com precisão porque sou um usuário frequente da rodovia.

Para não ser injusto com a atual gestão, é preciso dizer que alguns serviços de reaterro e execução pluvial foram realizados nos últimos dois anos.

O que o governo de turno realmente pode ter inaugurado foi o acesso norte a Coribe - onde a BR-135 ganhou pista dupla e projeto de iluminação. De toda forma, na gestão da coisa pública a inauguração compete a quem está no cargo, tenha mérito ou não o seu governo. Há colheitas sem plantio

ZÉ DE CORIBE

A visita à Bahia era prometida desde setembro do ano passado e sempre adiada. Coribe é mandiocal do deputado federal José Rocha (PL-BA), que, por sinal, ganhou generoso espaço para longa fala no palanque montado nesta manha na cidade que chama de ‘capital do mundo’ - e aqui já se tem a falta de noção do parlamentar.

Um dos filhos do deputado baiano, Manuel Rocha (PR), deixou o comando do município há três semanas, após cumprir dois mandatos como prefeito. Aos olhos de quem atravessa a pequena Coribe, o destaque fica por conta da urbanização e sinalização das vias da cidade. Além do agronegócio, o município tem receitas extras vindas da mineração.

ESTRADA INACABADA

De volta à BR-135, o presidente Bolsonaro e seu ministro da Infraestrutura frustraram as expectativas de lideranças regionais ao não cravar a pavimentação da BR-030, que liga Carinhanha a Brasília.

Também era esperado um anúncio mais contundente da retomada imediata da finalização da pavimentação entre Cocos e a divisa com o estado de Minas Gerais.

Há um trecho de cerca de 10 quilômetros abandonado há pelo menos uma década pela construtora responsável pela obra na região do Rio Itaguari. Duas pontes e o asfalto naquele ponto ficaram sem conclusão - o que obriga os usuários da BR-135 entre os estados de Minas e Bahia a passar por um maltratado desvio.

DERROTAS

Para resumir essa ópera de puro mau-gosto, Bolsonaro pediu ao super-Tarcísio que lhe arranjasse uma inauguração qualquer para tirá-lo de Brasília numa das piores semanas do seu governo.

Entre outras derrotas no mundo da macropolítica, o presidente foi obrigado a mandar uma carta com um quase pedido de desculpas ao presidente dos EUA, Joe Biden - a quem hostilizou ao longo do último ano, inclusive com insinuações de que teria fraudado as eleições da mais importante democracia do mundo.

Noutra frente, Bolsonaro foi obrigado a comprar a vacina chinesa Coronavac produzida pelo Butantã em iniciativa do seu ex-aliado e agora principal desafeto, o governador de São Paulo, João Dória.

Graças a uma diplomacia mambembe e comandada por doidos de pedra, o Índia, a quem implora a caridade remunerada para o envio do princípio ativo para a produção em solo pátrio das vacinas que vão imunizar os brasileiros em um certo dia ‘D’ e hora ‘H’ incertos e não sabidos.

CLAQUE

Bolsonaro estava bem entre os seus em Coribe. Sempre sem a máscara facial em plena pandemia, cujos protocolos insiste em sabotar diuturnamente, o presidente fez uma breve cavalgada pela cidade e falou com apoiadores. Uma claque patrocinada pelos paroquianos do bolsonarismo baiano chegou a ensaiar o já tradicional grito de ‘mito’.

Bolsonaro fatura com chapéu alheio ao inaugurar algo que não fez. O lote 4 da BR-135 já estava praticamente concluído quando ele tomou posse, mas a empresa responsável pela obra fez algum trabalho remanescente no atual governo.

É pouco crível que presidentes de outros tempos perdessem seu precioso tempo para inaugurar uma obra de relativa importância no sertão baiano. Mas o agora presidente precisa alimentar a narrativa - falsa - de que comanda um governo funcional, a despeito de sobrarem exemplos diários na direção oposta.

Apesar de ser quase tão distante de Coribe quanto Brasília, o avião presidencial pousou em Barreiras - no Nordeste baiano. De lá, Bolsonaro se deslocou de helicoptero para Coribe. Durante sua fala, o presidente fez aceno ao agronegócio ao se dizer contrário à venda de terras locais para estrangeiros.

“Nós sabemos que aqui no Brasil, para nós, o governo federal, a propriedade privada é sagrada. E adianto mais ainda, dizer a vocês que, no depender de mim e tenho certeza da bancada de deputados federais aqui da Bahia, não permitiremos a venda de terras para estrangeiros. Esse país é nosso. É de cada um de nós”,

MANGA-ITACARAMBI

Pequenas caravanas de cidades mineiras foram a Coribe para ver Bolsonaro e na expectativa de que o ministro Tarcísio anunciasse hoje o edital para a pavimentação de outro trecho da BR-135, entre os municípios de Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas. Sobre isso, nenhuma palavra.

Perdeu-se dias de trabalho e consumiu-se a gasolina a quase R$ 6 que o governo federal impõe ao brasileiro neste início de ano que promete ser pavoroso. Tem gosto - e bobo - pra tudo.

 

Comentários  
0 # pe di cabra 24-01-2021 09:38
Perdeu mesmo foi a chance de levar bolsão pra banhar no itaguarí, de carro(logico) na esperança do sacolejo despertar o cérebro de jegue...
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