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JANUÁRIA VOLTA AOS TEMPOS DE CRISE

Ligado .

Novo prefeito diz que tinha "baixa expectativa" em relação a antecessor que foi “cruel e irresponsável” ao não pagar salários de dezembro

Prefeito Maurício Miranda no vídeo em que explica a crise do atraso nos salários em Janária

O entusiasmo com a vitória avassaladora do prefeito Maurício Almeida do Nascimento (PP) em Januária cedeu lugar para o inevitável choque de realidade. O prefeito Almeida administra - e mal - a primeira crise do seu governo ao se recusar a pagar os salários de dezembro, no valor atribuído de R$ 3 milhões.

O assunto começou a ganhar repercussão negativa nas redes sociais e obrigou o prefeito a colocar a cara na janela - mas com certo atraso, quando o que já estava patente era a versão incorreta de que a nova administração não honraria as dívidas do seu antecessor.

Em vídeo gravado na quinta-feira (21) para se posicionar sobre o imbróglio, Maurício Almeida informou que a prioridade é o pagamento da folha de pagamento do mês de janeiro e que a dívida deixada pelo antecessor Marcelo Félix Araújo (Republicanos), o Dr. Marcelo, vai ficar para dia incerto e não sabido - a depender da sobra de recursos no caixa.

HERANÇA MALDITA

Maurício Almeida não poupou o antecessor Marcelo Félix, a quem classifica como “cruel e irresponsável” por não ter quitado o pagamento dos servidores do mês de dezembro, o último sob o comando da gestão anterior. 

"Herança a gente não escolhe. Só que, diante de tanta bagunça, deixada nas contas públicas pela gestão passada, que não honrou a folha da Prefeitura, achei um gesto de crueldade e extrema irresponsabilidade", reclama o prefeito Maurício em vídeo espalhado pelas redes sociais.

O prefeito Maurício diz que tinha "baixa expectativa em relação à dignidade da administração" do Dr. Marcelo, mas diz que se surpreendeu com o que encontrou ao tomar posse.

Aqui o prefeito Maurício segue o velho roteiro de decretar o estado de terra arrasada, mas o efeito dessa nomeação de culpa costuma ser passageiro. Não demora para o povo esquecer o ex-prefeito Marcelo e a batata quente cair em definitivo nas mãos do vencedor. 

IMPAGÁVEL

A reação do atual prefeito veio um pouco tarde, porque a crise já estava instalada. O atual prefeito diz ter encontrado apenas R$ 154,4 mil para honrar compromissos superiores a R$ 3 milhões. Só com o funcionalismo.

A dívida do município para com a Prevjan, o instituto de previdência dos servidores, por exemplo, já avança para a impagável casa dos R$ 100 milhões.

ESTRAGO
O prefeito Maurício diz que não dispõe de saldo para bancar todo “o estrago” que herdou do governo anterior, mas que já tomou providências de cortes de despesas que vão gerar retorno, no médio prazo, que possibilitarão honrar as dívidas da tal herança maldita.

O site apurou que a queda de braço entre a nova gestão e o funcionalismo tem uma razão: o prefeito Maurício avalia que não tem como pagar os salários atrasados antes de garantir a quitação da folha de janeiro, que é de sua responsabilidade direta.

DEIXA FICAR PRA VER COMO É QUE FICA

O prefeito orientou seus assessores a aguardar as transferências do Fundo de Particpação dos Municípios (FPM) deste mês de janeiro, quando só então seria possível confirmar a quitação das duas folhas de uma só vez. Quando percebeu que isso seria impossível, Maurício optou por pagar janeiro e jogar o débito do governo anterior para o futuro.

O pagamento de janeiro será antecipado para a próxima semana. Depois, se sobrar recurso, o município vai propor tabela com o escalonamento para o pagamento da dívida herdada do antecessor.

RETÓRICA

O descaso com a crise que foi se avolumando ao longo do mês colocou na sala a tese de que o prefeito não assumiria dívidas da gestão passada. Esse raciocínio é um tanto quanto infantil, porque quem assume a gestão da coisa pública assume os bônus - sempre muito raros - e os muitos ônus da passagem de um governo velho para o novo.

De resto, os salários do mês em curso são pagos tradicionalmente no mês subsequente. A própria legislação trabalhista admite essa hipótese e indica o quinto dia útil do mês posterior como prazo-limite para a quitação dos salários do período imediatamente antecedente. 

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Imagens do prefeito Maurício  (de camisa azul) na recepção às doses da vacina contra a covid-19 no início desta semana 

Pagar janeiro antes de dezembro tem apenas o efeito retórico de bater bumbo sobre a pontualidade do novo governo para com o servidor, mas o efeito prático é quase nulo, porque não resgata os efeitos negativos do atraso no cotidiano das pessoas que ficaram sem receber.

Na prática, tanto faz receber dezembro ou janeiro, desde que o dinheiro efetivamente caia na conta.

GESTÃO DE CRISE

O que Maurício Almeida parece não ter calculado bem foi o estrago que os ruídos com a crise pode causar à sua gestão ainda nascitura. Januária, que nunca foi para principiantes, tem um longo histórico de crises institucionais e administrativas.

A simples ameaça de que o município pode voltar a períodos de desmandos e atrasos deixou a população - e não só os servidores - com os nervos à flor da pele.

QUEIMOU A LARGADA

A falta de pagamentos do setor público afeta o comércio em um primeiro momento e, a partir daí, abre-se toda uma cadeia de impactos na já fragilizada economia local, em razão da suspensão do pagamento do auxílio emergencial que o governo federal criou para amenizar os impactos da pandemia do coronavírus.

Nos bastidores da política januarense há a convicção que o meteoro Maurício Almeida tem planos para voos futuros na política mineira. O mandato em Januária seria a plataforma de lançamento para seu projeto de voltar a Brasília investido de mandato parlamentar como deputado federal. A ser verdade, a condução atraplhada de uma crise desta dimensão já na largada do novo governo não foi um bom começo.

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Comentários  
0 # Daniel Durães 22-01-2021 13:28
Agora, após o pronunciamento, a população de Januária espera que pelo menos Maurício cumpra com o que foi prometido, de pagar os débitos de Dezembro nos próximos meses. Quem trabalhou, tem que receber.
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