logo 20182

VAI TER IMPEACHMENT?

Ligado .

Movimento pela queda do presidente arrefece após acordo com o centrão e vitória na eleição das casas congressuais
(Reprodução da imagem de Isac Nóbrega/Presidênciada República)


A oposição mal havia retomado um arremedo de manifestações nacionais em forma de carreatas contra os desmandos do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas, quando se viu obrigada ao recuo - temporário, pelo menos. O movimento agora arrefece com o tratoraço que o governo conseguiu imprimir na eleição das duas casas congressuais.

Bolsonaro jogou pesado na eleição dos aliados Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente os novos presidentes e mandachuvas da Câmara dos Deputados e Senado Federal. Foram vitórias folgadas e que confirmam o gosto dos parlamentares pelo velho e péssimo clientelismo.

De certa forma, o rio da política brasileira volta ao seu leito costumeiro do fisiologismo na relação entre os poderes executivo e legislativo após o sonho da noite de verão do combate à corrupção que animou a disputa presidencial de 2018.

Bolsonaro prometia romper com os acordos com os deputados, mas se viu obrigado a entregar muito dos anéis do poder presidencial para não perder a prerrogativa de ficar no poder até o final do atual mandato.   

Com a vitória dos aliados no Congresso Nacional, o bolsonarismo segue politicamente mais forte para a segunda metade do mandato, com clara soberania sobre o bate-cabeça de uma oposição até agora confusa com os efeitos do rolo compressor que colocou de pernas para o ar a cena nacional em 2018.

Perdidos, os principais líderes oposicionistas seguem incapazes de se entender em bases mínimas para reagir aos despaupérios de Bolsonaro na Presidência da República - exceto pelas já cansativas notas de repúdios e os despachos de vídeos enraivecidos via redes sociais.

Antes das carreatas, se ensaiava também o retorno do bate panelas noturno nas principais cidades do país - iniciativas temporariamente silenciadas pelos últimos acontecimentos.

Nesse cenário, pode até haver - e há - motivos de sobra para se pedir a cassação do pior presidente da História, mas faltam as condições ideais de temperatura e pressão para sua concatenação. Não devem sair das canetas de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco nenhum movimento na direção do impeachment de Bolsonaro sem que haja a pressão das ruas - o que a pandemia muito limita.

A MENOS QUE…

A menos que o caldo da crise brasileira entorne de vez com a inviabilidade do governo seguir adiante, mas com prejuízos para todo mundo. Tal cenário atingiria finalmente o andar do topo, sempre intocável, em que estão os financistas, que seguem bem-obrigado e cada vez mais ricos, a despeito da disrupção trazida pela crise do coronavírus.

Exceto pelos rugidos da inflação, é pouco provável um cenário de crise total, com multidões de famélicos e esfarrapados nas ruas a pedir a cabeça do mandante de turno. O Brasil, de resto, já anda vacinado com a miséria constante e tende a fazer vistas grossas pelo sofrimento dos mais frágeis. Em tempo de murici, cada qual cuida de si. 

A vacinação bem ou mal começou e, em algum momento ante do final do semestre, vai reduzir o quadro dramático das mais de mil mortes diárias.   

Acima do bem e do mal, Bolsonaro só tem tempo - e pensamento - para a campanha pela reeleição, que jurava ser contra e abraçou na primeira hora do mandato. O presidente repete aqui o ‘efeito teflon’ que bafejou o ex-presidente Lula em seus melhores momentos.

Nada abala a imagem presidencial junto àquele terço do eleitorado que se mantém fiel à sua base. Nem os 230 mil mortos pela pandemia nem a maior crise econômica que o país já viveu, com milhões de pessoas despencando para a miséria absoluta, parte delas sem a segurança mínima até mesmo a respeito da próxima refeição. Incólume, o presidente quer partir para o abraço da reeleição - alheio à tragédia ao seu redor.

Comentários  
+2 # pe de bode 05-02-2021 19:28
vai ter impeachment porque mesmo Brasil nunca teve um presidente com peito e coragem de falar o que pensa, povo tá acostumado com político falso que que só tem coragem de falar o que eles querem escutar, agora é assim, eu falei e vai a conchichina quem não gostar!
Responder | Responder com citação | Citar
Adicionar comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar