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O COMEÇO DO FIM

Ligado .

Apertado de costura com a inflação agalopada e falta de rumos na condução da crise, Bolsonaro rompe com mercado e aposta no caos 

Bolsonaro e o ministro Guedes em evento oficial: chegou o momento da ruptura? 

Meus três leitores eu não sei, mas eu detectei no gesto do presidente Jair Bolsonaro de estuprar a Petrobras como uma guinada - para pior - do governo. Rasgou-se a fantasia. O comportamento acovardado do ministro Paulo Guedes (Economia) no episódio mostra a inevitável ruptura entre governo e mercados. 

Bolsonaro avança na militarização da administração rumo à implantação do chavismo no Brasil. O curioso é que os liberalóides adeptos de primeira hora do bolsonarismo juravam que seria o lulo-petismo a ameaça de transformar o Brasil em uma ditadura. 

PASSA LÁ NO POSTO IPIRANGA 

Ao romper o véu da hipocrisia sobre o tal papel de posto Ipiranga que cabia a ministro Guedes, o doido de pedra que governa o Brasil dá passos largos para jogar o país numa longa noite de crise, agravada, sem mais nem menos, pela total falta de rumos na condução da pandemia do coronavírus. 

Vocacionado para a estupidez e afeto aos gestos abruptos e sem links com a razão, Bolsonaro rompeu com os mercados no momento crucial em que o país precisa honrar dívidas que somam R$ 1,3 trilhão de reais com o investidor, aquele que empresta os dinheiros que têm mantido o governo em pé.

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De quebra, praticamente inviabiliza qualquer esperança que restasse ao ministro Guedes e aos seus parças do tal mercado de retomar a aganda liberal da aprovação das reformas no Congresso Nacional, agora sob a direção dos próceres do Centrão - sempre ávidos por boquinhas mesmo que as custas da ruína nacional.

De quebra, ou quebradeira, ainda manda para a lata do lixo regras de mentiras como a regra que estipula um tetos para a gastança federal. Como ficam os donos do dinheiro diante da evidência de que caíram no conto do vigário ao apostar nos ventos reformistas do governo Bolsonaro? Essa gente não rasga dinheiro, prefere socializar os prejuízos enquanto ficam com os lucros.      

MIQUINHOS DO MITO

A União gasta mais do que arrecada e o chamado déficit público é financiado pelo capital privado - agora inevitavelmente arisco com os repetitivos sinais de que o governo de extrema direita e dito liberal não tem palavra nem respeita contratos.

Ao violentar a governança da Petrobras para colocar mais um milico amestrado em postos-chaves do poder, Bolsonaro criou um problema de difícil solução. 

O ‘rei’ preferiu se despojar de qualquer roupagem que o ligava à responsabilidade fiscal e demais avenças que o ministro Guedes fingia atuar como avalista ou fiador. 

MALHA EM FERRO FRIO

O que surpreende gregos e goianos é a capacidade do ministro em ser reiteradamente desmentido e desrespeitado por Bolsonaro, que diz numa live que não vai intervir na Petrobras e, ato contínuo, vai lá e arrebenta com a empresa. 

E aqui antecipo o mais grave: o gesto do presidente não vai reduzir os preços do diesel e do gás na proporção que seu suposto eleitor espera. De resto, ele nada disse em relação à gasolina - no que desagrada a classe média.

Não tem general que consiga reduzir os preços dos combustíveis sem destuir de vez a Petrobras - o petróleo é commodity regulada pelo mercado internacional. No final das contas, o dia de fúria de Bolsonaro vai custar mais caro para o consumidor - chamado sempre a pagar a conta dos erros do governo de turno.  

Resumo de mais uma cagada monumental e mitomaníaca: em abril, quando a cobrança da PIS/Cofins voltar, os caminhoneiros e os consumidores de GLP 13 quilos estarão igualmente insatisfeitos e o país irremediavelmente quebrado e sem margem para novos arroubos de um presidente que de nada entende nem se esforça para tal. 

QUE GÊNIO SOU EU?

O ministro Paulo Guedes, um notório ressentido que passou décadas à espera de ter sua autointitulada genialidade reconhecida pelos governos do período pós-redemocratização, abraçou um ex-militar com sérios problemas emocionais na expectativa de que chegara, enfim, sua vez e chance de mudar o país na direção de um liberalismo meio fora de moda. 

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Guedes, de óculos, era esperança dos mercados para guinada liberal no governo Bolsonaro: fracasso total

No mundo todo o que ser vê são  governos rasgando suas cartilhas liberais para imprimir quantidade nunca vista de moeda para salvar os ditos mercados da dèbâcle (colapso, ruína).

No Brasil, a gastança para sair do córner da pandemia já custa R$ 1 trilhão. Dinheiro que o governo não tem e que toma de empréstimo às gerações futuras. Guedes, o despeitado que iria mudar o país, é o gestor desse caos.  

Até aqui, Bolsonaro fingia apoiar o ministro em seus projetos. Não mais. Ao decidir sozinho pela isenção do imposto federal no preço do diesel e gás de cozinha, Bolsonaro praticamente sela a demissão do seu ministro e abre as comportas para jogar o país em nova moratória e descrédito total no mundo.    

GUEDES FORA?

A grande aposta hoje nos círculos financeiros é saber qual é o limite de Paulo Guedes. Quando ele finalmente vai reconhecer seu fracasso ao avaliar mal as intenções de um mentiroso contumaz, que passou a vida inteira criando confusão e pendurado nas tetas do Estado.

Como se diz no interior, Bolsonaro nunca bateu um prego numa barra de sabão, nada criou nem produziu, mas sempre foi sustentado pelo dinheiro do contribuinte.

Guedes, quando e se deixar o governo, será mais um a dedicar seu tempo para falar mal do governo a que serviu - mas aí já terá sido tarde. 

Na manhã deste sábado, Bolsonaro avisou à imprensa que vem mais cagadas por aí e já tem quem aposte na demissão de Paulo Guedes, em última e decisiva cartada para jogar o país no caos.

Guedes, que resiste heroicamente a não deixar o governo, pode ser expulso da Esplanada para dar lugar um nome que tope assumir a caderia e fazer tudo o que seu mestre mandar.  

A bolsa de aposta tenta descobrir o nome do general que vai fingir ser o próximo ministro da Economia, em sintonia com o que acontece com o genetal Pazuelli na Saúde e em tantas outras cadeiras ocupadas por gente despreparada e incapaz de reconhecer seus limites e competências.      

      

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