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TEMPESTADE PERFEITA

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Prefeito de Januária decreta calamidade pública no município após hospital fechar leitos covid por falta de oxigênio
Imagem: Reprodução de vídeo Ascom Januária  
Entrada do Hospital de Januária: risco de colapso pela falta de oxigênio 

O prefeito de Januária, Maurício Almeida (PP), resolveu radicalizar a dramática situação que o município enfrenta após a explosão de casos de contaminação pelo coronavírus. Maurício decretou estado de calamidade em Januária até o final de junho.

O receio é que a situação saia do controle nas próximas semanas e a administração precise apelar para medidas drásticas para conter uma eventual queda ainda mais drástica na arrecadação de impostos, com efeitos na execução das metas fiscais do município.

COLAPSO NAS FINANÇAS

A ocupação de leitos no Hospital de Januária era relativamente tranquila até a última quinta-feira - com 20% de ocupação para o Centro de Tratamento Intensivo (dois pacientes em tratamento para a covid) e de 27% para a ala de atendimento clínico.

Maurício Almeida ficou especialmente assustado com o iminente colapso do único hospital do município, que foi obrigado a fechar quatro dos seus 10 leitos exclusivos para tratamento da covid após enfrentar dificuldades para renovar os estoques de oxigênio hospitalar e gás comprimido.

A unidade hospitalar se viu na contingência de ter que pedir cilindros do insumo emprestados para as congêneres da região. Januária passou a registrar mais de 30 novos diagnósticos para a Sars-Cov-2 nos últimos dias, aumento de 200% em relação à média do início deste ano.  O recorde de casos em toda a pandemia aconteceu nas últimas 48 horas, com 35 registros. 

O município também registrou nesta semana o 21º óbito pela covid - esse número ficou estável em 17 casos durante todo o mês de janeiro, mas voltou a subir em fevereiro e março.

NUVENS NEGRAS

Quando decidiu disputar as cadeiras executivas dos seus municípios, a atual leva de prefeitos eleitos - ou reeleitos - em outubro/dezembro do ano passado tinha consciência das nuvens negras que se formavam no horizonte do país. O país enfrentava a maior crise sanitária da sua história, com condução errática e amadora da parte do governo federal. 

O quadro da pandemia, entretanto, vai se agravando para muito além das piores previsões dos atuais gestores. O governo Bolsonaro enfrenta agora os efeitos do negacionismo em relação às vacinas e o país foi invadido de Norte a Sul por novas e mais perigosas cepas do vírus. Isso explica a explosão de casos e o caos nas redes de saúde.    

Segundo a Lei de murphy, aquela que reza que, se algo pode dar errado, fatalmente dará, a pandemia do coronavírus saiu do controle dos sistemas de saúde público e privado e o país registra há quase dois meses mais de mil mortes diárias de vítimas do coronavírus - número que agora ultrapassa os dois mil óbitos/dia e ameaça bater no inimaginável e trágico marco das três mil mortes diárias.

DESOBEDIÊNCIA

Além de enfrentarem o desgaste com o crescimento de casos da doença e das mortes, os prefeitos assistem inertes à corrosão da lua de mel com o eleitorado comum a cada início de mandato. Sem falar no risco da desobediência civil e o crescente mal-humor do empresariado local com o fechamento de boa parte dos estabelecimentos comerciais.   

Januária é só mais um dos muitos municípios que vão ser obrigados a apelar ao estado de emergência. Há sim o risco não desprezível das prefeituras ficarem sem dinheiro para enfrentar um período mais longo de colapso na saúde.

O recurso à calamidade também busca tirar as amarras da gestão pública, com o benefício mais imediato para a assinatura de contratos fora do escopo da lei das licitações e, ainda, a fila de preferência para receber recursos extras dos demais entes federados.

Comentários  
0 # RICARDO LAGOEIRO 22-03-2021 10:58
Pelo que foi falado durante a eleição parecia que tudo seria diferente, inclusive estamos esperando as 800 ruas asfaltadas, já que passou mais de dois meses e não estamos vendo nada do Sr. Prefeito
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