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NOVA POLÍTICA É SEPULCRO CAIADO

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Delegado Marcelo é indiciado em inquérito que apura suspeita de caixa 2 nas eleições de 2018

Indiciado pela Polícia Federal, deputado Delegado Marcelo faz selfie sorridente ao lado de Bolsonaro 

Nada como um dia atrás do outro. Caiu como uma bomba no mundo político norte-mineiro a notícia publicada pela coluna Painel da Folha de S. Paulo dando conta que o deputado federal em primeiro mandato Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) foi indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de ter praticado crime de caixa dois na campanha eleitoral de 2018.

Não era para menos. Bolsonarista de quatro costados, a antiga vestal da moral e bons costumes na política, o policial federal implacável com prefeitos corruptos de tempos atrás, esse varão de Plutarco incorruptível e impávido como um Bruce Lee, quem diria, mudou de lado no balcão da política, não para depurar as práticas que corroem a coisa pública nacional, mas, supostamente, para se juntar aos meliantes de gravata que outrora combatia. 

Um entre muitos exemplos para morrer de rir, não fosse trágico, porque abala toda e qualquer esperança que o eleitor ainda guardasse em seus heróis com pés de barro e mitos de araque, aqueles disfarçam com mentiras suas incompetências e sociopatias e que jogaram o país no fosso mais profundo da sua História.   

NÃO É POUCA COISA

A investigação sobre o caixa 2 de Marcelo Freitas já chegou na fase do relatório final, enviado ao Ministério Público de Minas Gerais, a quem agora cabe decidir se apresenta ou não denúncia contra o parlamentar. A peça corre em sigilo de justiça. 

A investigação, por óbvio, não indica a culpa do Delegado Marcelo. Caixa 2 não é exatamente o tipo de crime que tira o sono de políticos no Brasil. Mas não é pouca coisa o fato de que alguém que se apresentava contra esse tipo de prática ter sua campanha eleitoral na mira da instituição que tanto se gaba em pertencer. 

Marcelo Freitas é  delegado licenciado da Polícia Federal e formava, até outro dia, no movimento lava-jatista, a iniciativa comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro para varrer a corrupção do mapa do país e que deu no vemos. Vale para Freitas o que valia para a mulher de César, a quem não bastava parecer honesta. 

NÃO PASSOU EM BRANCO

A notícia do indiciamento de Marcelo Freitas quase passa despercebida em meio ao pandemônio que tomou conta do Norte de Minas com o colapso dos sistemas de saúde. 

Mas, em tempos de redes sociais, nada passa incólume. Um dos desafetos do deputado-delegado, o empresário multimilionário e ex-prefeito de Montes Claros Ruy Muniz (sem partido) não deixou por menos.

O entorno de Ruy turbinou a notícia nas redes, embora os jornais do grupo tenham optado por não dar destaque ao assunto, que bombou mesmo foi em grupos de Whatsapp - invariavelmente com demonstrações de assombro ante a máscara de bom-mocismo do delegado que virou político. 

FALA FREITAS: 'VAZAMENTO ILEGAL'

O caso do delegado Freitas não é o único no PSL de Minas, a legenda que Jair Bolsonaro alugou para chegar ao poder. O ex-ministro do Turismo e também deputado federal Marcelo Álvaro Antônio é investigado pelo mesmo crime no famoso esquema das candidaturas laranja para desviar recursos do fundo partidário. 

A repercussão do assunto no Norte de Minas forçou o Delegado Marcelo a se pronunciar. O prócer da Nova Política mostra que aprendeu rápido com os “bandidos” que costumava enviar para temporadas atrás das grades. Reclamou do vazamento da investigação que alega desconhecer. Tudo muito velha política. 

“Vazamentos seletivos de dados sigilosos são criminosos. Quem divulgou fatos ainda desconhecidos por nós, assunto pendente de manifestação do Ministério Público e Poder Judiciário, deveria ter feito a explicação sobre toda a investigação, sem se esconder atrás do anonimato”, mandou dizer Freitas via assessoria de imprensa. 

O mimimi do delegado não poupou nem mesmo a Polícia Federal. Na nota, ele diz que seu trabalho como policial federal desagradou muita gente poderosa, “inclusive dentro da própria Instituição a qual pertenço”. 

O deputado diz não temer as investigações e que as contas de sua campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. “Não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”, diz a nota do delegado. 

Eleito na onda moralista ‘contra tudo isso que está aí’ que varreu o país  em 2018 e que negava a política tradicional, o Delegado Marcelo se apresentava com o selo da Nova Política, da regeneração do país pelo governo dos bons e dos honestos. 

A suspeita de que agiu conforme as regras corruptas que dizia combater desnuda o parlamentar, eleito com 58,1 mil votos para seu primeiro mandato.

CAPITAL DO PEQUI

Com o fracasso da tal Nova Política e a reversão da onda moralista que resultou nos piores Congresso Nacional e governo da história, Marcelo Freitas, que já ameaçou abandonar a política e colocar de volta o distintivo no peito, tem sua imagem arranhada e pode enfrentar dificuldade extra para convencer o eleitor a mandá-lo de volta para Brasília no ano que vem.   

O Delegado Marcelo estreou em Brasília com status de alto clero - foi escolhido para relatar o projeto da Reforma da Previdência poucos meses após a posse no cargo e ganhou generosos espaços na mídia nacional - ela mesma empenhada até a medula em ferrar com o trabalhador brasileiro. 

Passada a notoriedade da relatoria, Marcelo Freitas voltou ao leito natural do baixo clero e teve sua atuação impactada - como o que aconteceu de resto com quase todo parlamentar -  com a eclosão da pandemia do coronavírus e a suspensão das atividades presenciais nas casas congressuais. 

Freitas ganhou alguma projeção com a proposta recente de nomear Montes Claros como a Capital Nacional do Pequi, uma dessas iniciativas pensadas para cavar alguns espaços na mídia, mas sempre-vinda se contribuir para a já contratada extinção da espécie no Norte de Minas.  

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