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BALADA INSANA

Ligado .

Servidor que participou de festa clandestina em Manga pode responder a processo administrativo
Imagem: reprodução site da AmamsAcesso para a ala ambulatorial do Hospital de Manga: ala covid lotada e flagrante de festinha com servidores da saúde no final de semana

[ATUALIZADO] - O fim de semana foi corrido para a cúpula da administração municipal em Manga. O bate-cabeça começou depois que um vídeo que mostrava servidores da saúde local e do único hospital do município supostamente participando de balada privada em uma residência no Bairro Arvoredo, na periferia da cidade.

Algumas das pessoas envolvidas negam a atualidade do vídeo de apenas 27 segundos na versão que circulou pelo Whatsapp, e mostra cerca de 12 pessoas aglomeradas em torno de uma mesa de madeira. Algumas delas dançam ao ritmo de uma música que sai das caixas de som adaptadas no porta-malas de um Celta, enquanto outras conversam, comem e bebem.

Ninguém usa máscara e esse fato tem sido usado como argumento na tentativa de provar que a denúncia é improcedente. 

Segundo o site apurou, parcela dos participantes são servidores municipais, alguns deles lotados na Secretaria de Saúde. A suspeita é que uma agente política também vinculada à saúde teria participado do convescote. Dona de cargo eletivo, a técnica em enfermagem não aparece na gravação e aqui se concede o benefício da dúvida - embora circulem áudios dando conta da sua participação na folia fora de hora. 

A balada da saúde chegou ao secretário de Administração, Júnior Magalhães, ainda na tarde do sábado, por meio de denúncia anônima, que teria sido confirmada pela Guarda Municipal após batida no local. Magalhães publicou o assunto em uma rede social, dando conta que a central de denúncias criada pelo município havia sido alertada sobre a festança. 

INDIGNAÇÃO

Em áudio, o procurador do município, Reginaldo Rodrigues, diz que a administração não pode agir em relação aos funcionários da Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, mas garante que vai notificar todos os servidores municipais envolvidos no caso para apresentarem defesa formal sobre o assunto.  

Diante do escândalo, mais um para uma administração que mal começou, a Prefeitura de Manga foi obrigada a se manifestar. O Hospital local está com lotação máxima para os 16 leitos de tratamento da covid-19 e a cidade enfrenta medidas de restrição ao funcionamento de atividades comerciais.

A administração municipal vem em nota manifestar repúdio diante do ocorrido ontem, sábado (20), quando foi divulgado por meio das redes sociais, aglomerações clandestinas na nossa cidade. A Prefeitura de Manga tem todos os dias lutado para garantir melhores condições de tratamento para os casos de covid-19 em nosso município, como o plantão do Centro da Covid-19 aos Domingos, aumento nas equipes de monitoramento, aquisição de mais testes rápidos e insumos, medidas mais restritivas por meio dos decretos, tudo para coibir o avanço do vírus em nosso município”, diz a nota oficial. 

A festinha dos servidores provocou uma onda de indignação da população, que é diariamente exortada a ficar em casa pela gestão municipal. A festinha dos servidores abala a credibilidade das autoridades sanitárias em comandar o esforço da sociedade local para impedir o atual surto de contaminação pelo coronavírus.  

SANÇÕES

A administração prometeu abrir medidas administrativas para investigar o caso. O departamento jurídico da Prefeitura diz que cabe sanções para os baladeiros que vão desde a suspensão dos “prováveis envolvidos” até a demissão por delito de infração contra medida sanitária. Mas é pouco provável que se chegue a esse extremo. 

Ressaltamos que todos os servidores públicos são orientados a exercer suas funções com zelo e dedicação para atenderem as demandas da população, dentro dos seus princípios éticos e morais”, diz o município na nota.

A Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo também divulgou nota na noite deste domingo (21) para dizer que a festa clandestina teve a participação de apenas uma funcionária da instituição e que seus colaboradores são orientados sobre o exercício de suas funções sempre com ética e respeito.

A Fundação não faz menção a sanção da enfermeira que participou da festa, que pegou muito mal na cidade. Boa parte dos servidores da saúde e do hospital local foram priorizados na oferta das poucas vacinas que chegaram ao município até agora. A balada, mesmo em ambiente privado, mina os esforços do município para diminuir a circulação de pessoas e conter o surto de covid que assusta a população.      

CHURRASCO X UTI

A administração, claro, não tem culpa objetiva na conduta privada dos seus servidores, mas corria o risco de ficar desmoralizada se não reagisse com firmeza ao episódio. Curiosamente, a comunicação da Prefeitura havia divulgado um cartazete de propaganda com o alerta de que “No churrasco sempre cabe mais um, na UTI não”. 

A peça pedia ainda para evitar aglomerações com o alerta de que a vida das pessoas dependem disso. Pelo jeito, a turma da balada não deu muito bola para o assunto. Manga registra 12 óbitos pela covid desde o início da pandemia, há um ano. O número de pessoas contaminadas explodiu neste mês de março - foram 180 diagnósticos positivos em apenas três semanas.

A indignação do final de semana não deve demorar muito para passar, mas episódio suscita questões mais sérias e envolvem garantias constitucionais fundamentais como o direito de ir vir e a inviolabilidade do lar. Além da questão de cunho mais filosófico sobre o livre arbítrio que cada indivíduo tem de fazer o que quer da sua vida - inclusive botar em risco a saúde coletiva. 

ONDA ROXA

Alguns áudios que circulam via Whatsapp levantam dúvidas sobre possíveis excessos na atuação policial. A dona da casa onde aconteceu a balada teria resistido ao trabalho dos agentes policiais, que, por sua vez, reagiram com o uso de spray de pimenta. 

A mulher teria sido conduzida coercitivamente para prestar depoimento em ação que não teve respaldo de mandado judicial. Nesses casos, normalmente, são lavrados o chamado termo circunstanciado de ocorrência, que tem valor legal na hipótese do assunto chegar ao Judiciário.  

A Prefeitura de Manga diz que seus decretos não prevêem vetos a realização de reuniões particulares. A proibição estaria no escopo da chamada Onda Roxa, a iniciativa do governo estadual para achatar a curva de contaminação pela covid-19 em Minas Gerais.  

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