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A LAMBANÇA DE ARLEN NA BR-135

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Ao devolver gestão da rodovia para União, deputado impede inclusão do trecho Manga-Itacarambi nas obras do acordo Zema-Vale

Audiência de Arlen e seus satélites com o ministro Tarcísio em junho de 2019. Quase dois anos se passaram e nada avançou para o asfalto da BR-135 

Convicto de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 havia deixado orfã a bandeira da obra da pavimentação do trecho de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas, o deputado estadual Arlen Santiago (PTB) se arvorou a pai do asfalto.

Arlen apostou todas as suas fichas no governo-tampão do ex-presidente Michel Temer (2016/2018) para a retomada do asfalto, mas nada aconteceu. Foi no governo Temer, por sinal, que a obra voltou para o domínio do governo de Minas.

Posteriormente, o deputado mudou de mala e cuia para o bolsonarismo, sempre com a promessa de que a obra estaria prestes a sair. Não saiu.

A Lei Arlen foi publicada no diário oficial 'Minas Gerais' há quase quatro meses, no início do mês de dezembro, com a sanção do governador Romeu Zema (Novo). Horas depois, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, comemorou numa rede social a federalização da BR-135.

ENGATOU MARCHA-A-RÉ

O ministro Freitas sinalizava ali que a liberação de recursos pelo governo federal para o asfaltamento da rodovia era favas contadas, mas, até agora, nada aconteceu.

"A tão pedida pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi avançou autorização da Assembleia mineira para a federalização. Aguardamos sanção para licitarmos a obra. É o único trecho da 135 em MG ainda não pavimentado", escreveu o ministro. A sanção saiu e nada do ministro licitar o asfalto da estrada.


 Arlen Santiago, ao microfone, em reunião com diretório do PT em Matias Cardoso na pré-campanha municipal de 2020

O ativismo de Arlen, no entanto, pode atrapalhar mais do que ajudar na construção do asfalto, obra que os mineiros do extremo-norte esperam há mais de 50 anos e que ganhou algum impulso durante os governos petistas no governo federal.

Explico. Segundo o deputado federal Paulo Guedes (PT), o asfalto entre Manga e Itacarambi ficou de fora do plano ‘Mobilidade’ do Programa de Reparação Socioeconômica do Estado justamente porque Arlen Santiago havia convencido a Assembleia Legislativa mineira a aprovar com status de urgência urgentíssima a transferência da gestão da estrada para o governo Bolsonaro, leia-se, para a União.

BR-135 FORA DO ACORDO VALE

A intervenção de Arlen teria sido decisiva para retirar a obra do pacote de mobilidade que o governo Romeu Zema promete realizar com o bilionário acordo de indenização que conseguiu fechar com a mineradora Vale, como compensação pelos estragos dos acidentes com as barragens nos municípios de Mariana e Brumadinho. A Vale vai transferir R$ 37,6 bilhões para o governo mineiro.

Sempre se pode dizer que não há certeza de que a BR-135 seria incluída no Plano Mobilidade, com R$ 5 bilhões previstos para obras em diversas regiões do Estado. Seja lá como for, o dinheiro da Vale poderia ter sido destinado para o asfalto entre Manga e Itacarambi, caso a estrada ainda tivesse o carimbo de ‘estadualizada’. 

O acordo bilionário do governo mineiro com a vale começa a render (promessas) de resultado. Esta semana o diário oficial ‘Minas Gerais’ publicou o aviso de licitação para a pavimentação da MG-402, rodovia estadual que liga Pintópolis e Urucuia, com extensão de 73,14 quilômetros. O valor previsto para o asfalto é de R$ 54 milhões.

De volta para a União, o destino da BR-135 em Minas Gerais é uma incógnita. O ministro Tarcísio Freitas não tocou mais no assunto e o deputado Arlen ‘Promessa’ Santiago agora virou um despachante de luxo na briga pela suspensão do aumento do pedágio na parte privatizada da rodovia, aquela que liga Montes Claros a Belo Horizonte.

NÃO TEM DINHEIRO

Durante reunião com prefeitos do sudoeste baiano há alguns dias, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Antônio Santos Filho, disse que o projeto da BR-135 em Minas Gerais conta com apenas R$ 500 mil.

Dinheiro para troco e que só existe pela boa vontade de deputados mineiros que fizeram a indicação de parte de suas emendas parlamentares para o projeto.

DNIT RETOMA OBRAS DA BR-135... NA BAHIA

Abandono: motociclista trafega no subtreco da BR-135 entre Manga e Itacarambi. No detalhe: placa avisa para fim da pista com pavimento 

O asfalto da BR-135 entre Manga e Itacarambi tem custo previsto, segundo o próprio Arlen Santiago, da ordem de R$ 100 milhões e o recurso disponível não é suficiente sequer para contratar um projeto executivo para o asfalto.

E O ASFALTO QUE ESTAVA AQUI? 

Santiago conta agora com a boa vontade do governo federal, aquele mesmo que não consegue colocar um plano de vacinação crível para acalmar os desespero dos brasileiros com o absoluto despreparo na gestão da pandemia do coronavírus, reféns da falta de vacina, respiradores e até de medicamentos para intubação de pacientes.

A imprensa nacional, por sinal, já emite sinais de que o presidente Bolsonaro já não anda tão contente com o ministro Tarcísio. Notinhas, plantadas ou não, dão conta de que chegou à mesa do presidente há alguns dias levantamento interno do governo que mostra o baixo desempenho do governo no quesito pavimentação de rodovias.

O número de quilômetros asfaltados pelo governo Bolsonaro é pífio. Para piorar, acabou o estoque de obras que o presidente herdou dos governos anteriores, muitas delas da era petista, e que tinha lhe permitido até aqui sair de Brasília para simular um governo produtivo.

CARA-CRACHÁ

Procurado pelo site via aplicativo de mensagem, o deputado Arlen Santiago não havia respondido até a publicação deste texto. A assessoria de imprensa do deputado retornou ao contato, mas, estranhamente, para pedir ao autor dessas linhas que informasse nome completo, telefone, data de nascimento e endereço de residência.

O pedido da assessoria do parlamentar é absolutamente inusual na relação com a imprensa em quaisquer dos níveis de poder - ecoa um tom de ameaça, que, queremos crer, não tem o aval do parlamentar.

Por questão de justiça, é necessário registrar que ele sempre atendeu ao site nas poucas vezes em que foi demandado. O espaço, claro, segue franqueado para o deputado expor seus argumentos e será publicada caso ele ainda se manifeste.  

Entre outras coisas, perguntamos para o parlamentar mineiro se ele avaliava ter sido um erro retirar o asfalto da esfera estadual - que agora tem muito dinheiro em caixa - para a União, que não tem perspectivas de quando voltará a investir na malha rodoviária do país.

A intromissão do deputado Arlen Santiago em um assunto que, a rigor, não é de sua alçada acabou retirando dos sofridos mineiros do extremo-norte uma chance real de saírem da lama ou poeira, a depender da estação, ao trafegarem entre Manga e Itacarambi.

Arlen agora precisa contar com com a boa vontade do governo Bolsonaro, que máquina federal crie mais soluçoes que problemas, o contrário do que se vê até aqui.  

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Comentários  
0 # wagner 23-03-2021 19:05
Eu mesmo não acredito neste acordo, só conversa, se nosso país tivesse políticos sérios e comprometidos com o povo seria diferente!
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