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O PARADOXO BOLSONARO

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Cegueira ideológica e má gestão da pandemia levam Bolsonaro a enterrar economia que pretendia salvar


O Brasil vai parando aos poucos contra todas as expectativas do bolsonarismo militante. Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro se bate contra as medidas restritivas da circulação de pessoas, inclusive com a presença física em aglomerações - algumas delas de cunho anti-democrático.

Essa era uma luta perdida desde o princípio, como sabíamos os mais racionais. Não há registro no Brasil de verdadeiro lockdown - talvez à exceção de Araraquara -, mas por todo o país governadores decretam limites ao ir e vir das pessoas, com fechamento das atividades não essenciais e feriados fora de época.

Não tomar essa providência, ainda que meia boca, é assumir o risco de ver o morticínio sair do controle.  

O desastre bolsonarista na gestão da pandemia, sua teimosia quanto à vacina e a insistente propaganda de remédios sem comprovada eficácia para a cura da covid vai destruindo dia após dia a atividade econômica que dizia proteger. É o resultado da guerra estúpida contra a ciência e a racionalidade.

Fosse só o tombo no PIB contratado também para este 2021, ainda estava no preço do lamentável engano da maioria que levou o Capetão à cadeira presidencial. Mas não é só.

Brasileiros estão morrendo aos tubos (sem ironia) da morte mais cruel entre todas as formas de tortura possíveis: asfixiados pela falta de leitos de UTI e agora ameaçados de não ter o remédio para curar os efeitos lancinantes da falta de ar.

BOLHA

O presidente está encolhido na bolha de lunáticos que insiste em ver nele o portador da missão messiânica de livrar o país da corrupção. O Brasil patina desde o fatídico junho de 2013, quando as ruas foram invadidas pelo quebra-quebra no Governo Dilma Rousseff, mas chegou ao limite da má sorte em ter alguém com o despreparo de Bolsonaro no pior momento da sua história.

Era caso para impeachment e motivos não faltam. Os populistas, entretanto, têm esse dom de arrastar seus seguidores até a beira do abismo e convidá-los a pular juntos.

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Bolsonaro ainda conta com algo em torno de 20% de aprovação, vinda, mais substancilamente de evangélicos manobrados por donos de supermercados da fé. além da extrema direita recém-saída do armário e decidida a reinstalar uma ditadura militar no país.  

A ameaça real de morrer na porta de um hospital fez com que os donos do dinheiro deixassem sua habitual indiferença para com o país para mandar um recado ao presidente. O manifesto cobra ação e mudança de atitude e deixou o Congresso Nacional, agora sob a direção do Centrão, em inédito frisson.

MINHA GENTE

Bolsonaro, quem diria, incomoda até parcela dos militares a quem tudo providenciou em benesses dos cofres públicos - desde a covarde e providencial retirada dos efeitos da reforma da Previdência até o mais recente mimo com a concessão de reajuste nos seus soldos que nenhum outro servidor terá em seus salários. Enquanto isso, a fome, o desemprego, a miséria, a educação sem rumo e o risco iminente de parar em um hospital sem recursos, ameaçam o futuro de milhões de compatriotas.    

Após um ano de gestão temerosa e parceira do coronavírus, o presidente finalmente se vê despido do que realmente é: um sujeito de baixíssima inteligência e completamente insensível aos apelos da razão. Seu desempenho é a paradoxal tentativa de transformar em zerda tudo aquilo que toca, inclusive a salvação da economia que só ajudou a arruinar.

FOME

O bode está na sala e cheira muito mal. A esperança é que a vacinação ande mais rápido e o país consiga vislumbrar alguma esperança no segundo semestre.

Ao fim e ao cabo, nem Bolsonaro salvou a economia nem o país conseguiu limitar os efeitos da pandemia a níveis de país com os recursos de que dispunha para não assumir esta triste posição de pária e horror para o mundo civilizado. 

O fracasso está contratado para 500 mil vidas perdidas para a covid até o final do ano. Sem falar na fome se alastrando pelo país em velocidade e proporções jamais vistas. Abril, que está chegando, promete balançar o que ainda resta de certezas no bolsonarismo recalcitrante. Não será bonito de ver.

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