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PREFEITO DEMITE 100 PRÓXIMO AO NATAL

No 01 Dezembro 2017.

Quinquinha alega falta de recursos para justificar demissão coletiva, que ajudaria a fechar a folha de dezembro

Um presente de grego para o Natal de parcela dos servidores da Prefeitura de Manga. O prefeito daquele município, Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS), concluiu, na última quinta-feira (30), o pacote de demissões de cerca de 100 servidores, que teria o objetivo alegado de fechar o ano dentro do limite legal de 54% das receitas do município aplicada no pagamento da folha salarial. As demissões representam cerca de 1o% do total da força de trabalho do município, atualmente em torno de mil servidores ativos.

O pacote de maldades começou ainda no primeiro semestre deste ano, mas ganhou corpou há pouco mais de um mês, quando teriam sido demitidos cerca de 40 servidores das carreiras de apoio em serviços gerais, com vínculo de contrato de trabalho temporário com o município. Nas conversas que manteve com os servidores, o prefeito diz que chegou a perder noites de sono antes  de comunicar a decisão aos demitidos.  

Desta vez, o corte também incluiu servidores comissionados, aqueles indicados por livre escolha do prefeito em funções que, geralmente, atende aos reclamos de cabos eleitorais e políticos aliados - entre eles o vice-prefeito e vereadores da base governista. Na lista de demitidos estão servidores do terceiro escalão, casos dos diretores I e II, e até mesmo um médico do Programa de Saúde da Família.

Quinquinha, segundo uma fonte, evitou atingir pessoas ligadas ao vice Luiz do Foguete (PR) e aos vereadores Evilásio Amaro (PPS), Raimundo Mendonça Sobrinho, o Raimundão (PTB) e Ednaldo Neves Saraiva, o Naldo (PSC). O critério, contudo, não parece ter sido só esse, já que pessoas próximas ao médico Cândido Emílio Dourado, companheiro de primeira hora na campanha eleitoral que elegeu Quinquinha no ano passado saiu neste último passaralho (dispensa coletiva de funcionários).

Essa nova leva de demissões no serviço em Manga surpreende porque, há pouco mais de um ano, o então o prefeito Anastácio Guedes (PT) foi forçado a demitir cerca de 250 pessoas com contrato temporário de trabalho, para cumprir acordo firmado com a Coordenadoria Regional da Defesa do Patrimônio Público e Ordem Tributária do Norte de Minas, em Montes Claros. A medida era parte dos termos para homologação dos concursos públicos realizados por prefeituras da região naquele ano. O ajuste no quadro de pessoal do município já estava pronto quando o atual prefeito assumiu.  

A falta de sensibilidade da gestão Quinquinha pegou muitos pais de família de surpresa. O prefeito não pode alegar que desconhecia a crise e seus efeitos, com o que poderia evitar um dos erros mais elementares dos manuais de gestão de pessoas: a demissão de funcionários em datas especiais, como é o caso do Natal. Ainda que não exista um dia apropriado para demissões em massa, é sempre recomendável evitar fazê-lo nos momentos que antecedem, por exemplo, o aniversário do demitido, o nascimento do de um filho ou casos de trauma familiar, como a perda de entes próximos. A premissa é que o adiamento da demissão por uns dias não causaria prejuízo irreparável à empresa, quanto menos dos municípios.

Poupança

Quinquinha, segundo uma fonte, teria confidenciado recentemente, em roda de prefeitos da região, seu projeto de fazer um colchão de liquidez, uma espécie de poupança, com o qual pretende iniciar pacote de obras ao longo de 2018. Até aqui a administração não conseguiu colocar um único tijolo em pé. Para fugir do marasmo, Quinquinha lança mão de artifícios como o da ‘inauguração’ da nova sede do Conselho Tutelar, instalada há alguns dias no imóvel que a administração Silvino Pereira Gonçalves construiu há 40 anos para abrigar funcionários que migraram, na ocasião, de Montes Claros para Manga. Sem ter o que inaugurar, o prefeito começa a inventar realizações. Chamar a mudança da sede do Conselho Tutelar de inauguração dá bem a medida do desespero da atual administração - que chega a final do primeiro ano com zero realização.  

Procurada, a administração não confirmou as informações e nem a expectativa de economia com a medida, mas fontes ouvidas pelo site avaliam que a medida deve proporcionar alívio de R$ 300 mil mensais na folha de pagamento do município. Não há evidências de que o prefeito já tenha começado a fazer essa 'poupança', ou que pretenda começar a economizar depois que passar o impacto das despesas de final de ano. 

O que há de concreto é que essa foi a estratégia que ele utilizou há 10 anos, quando assumiu o município após a cassação do então prefeito Humberto Salles. Na ocasião, Quinquinha chegou a economizar R$ 1,5 milhão que seriam investidos posteriormente no asfaltamento de algumas ruas da cidade. Obra que, por sinal, é objeto de ação judicial, após denúncia de que teria sido utilizado material de baixa qualidade. 


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