Bloco de Notas

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HUCK É SOLUÇÃO PARA O BRASIL LATA VELHA?

No 09 Janeiro 2018.

A parcela do espectro que forma a centro-direita da política brasileira começa a entrar em pânico com as baixas expectativas para a sucessão presidencial deste 2018. São os donos da grana, em que está aquela gente que sempre se autorrefere como liberal, mas que não perde uma oportunidade de receber uma mamata dos cofres da viúva.

Chegamos ao ano eleitoral com crescente mal-estar ante a resiliência do ex-presidente Lula, que embora sob fogo cerrado há um bom tempo e prestes a ser julgado em sua segunda instância por aquele caso do apartamento triplex na praia do Guarujá, em São Paulo, tem coisa aí de 35% por das preferências para a sucessão.

Atribui-se a Lula responsabilidades por parcela das barbeiragens administrativas e a corrupção que quebrou o país. Ele é suspeito de ter amealhado fortuna durante a passagem do PT pela Presidência, dinheiros escondidos entre vastos laranjais ou enviado ao exterior e sob a guarda de paraísos fiscais. Exagero, embora o petista não tenha como se defender das alianças que fez com empresários de todos os matizes e o gosto refinado de andar em jatinhos de luxo, sem ter caixa para tal.

Mas o fato é que a centro-direita pirou com a baixa densidade eleitoral dos seus homens de preto. Henrique Meireles e sua gasolina a R$ 5 não dá nem para a saída. Não há igreja evangélica chique capaz de operar esse milagre da multiplicação dos votos. O PSDB do ex-governador Geraldo Alkmin já mandou avisar que não terá o menor pudor em cristianizá-lo, caso não consiga ultrapassar a barreira dos 10% nas pesquisas eleitorais até março. Fernando Henrique Cardoso, o vovô super-sincero já cantou a pedra: Alkmin não tem garantias de que será o candidato do tucanato.

Noutra seara, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Democratas) sonha com a faixa presidencial, que, por sinal, não teve tino suficiente para arrancar do peito de Michel Temer no episódio da primeira de duas denúncias por corrupção que enfrentou no Congresso Nacional. Maia não tem a mesma verve de um Eduardo Cunha, se é que me entendem. É bagrinho. E como tal, terá dificuldades para sair do brejo do baixo clero parlamentar formado pelo Centrão.

O que fazer?

Todos os olhares da paulista se voltam agora, em quase clamor, para Luciano Huck, o milionário apresentador da Rede Globo. Esperança vã, decerto. Atribuem a Huck e seu demagogismo rastaquera a capacidade para 'consertar' o Brasil, essa lata velha fracassada após 500 anos de roubalheira. Luciano parece ter desistido de desistir do ambicioso projeto de chegar à Presidência, após ter feito o desembarque em bom artigo publicado na Folha de S.Paulo, no final de novembro. 


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A Rede Globo resgatou Luciano Huck do seu isolamento eleitoral com a apresentação de entrevista ao cansativo Domingão do Faustão no último final de semana. Huck pontificou sobre tudo e um pouco mais. Disse lá pelas tantas que não há "salvador da pátria" capaz de resolver os problemas do Brasil e que é preciso aproveitar o momento de "derretimento da classe política" para "reocupar esse espaço". É de se esperar que a máxima valha para o próprio Luciano e a Rede Globo.

Huck pediu para ter seu nome incluído de volta nas pesquisas. Precisa dizer mais? Muita água vai correr sob a ponte até que a aposta se torno viável. No sufoco, nossa centro-direita apela ao populismo do funcionário global para evitar a volta da centro-esquerda ao poder. Sem o menor pudor de entregar um país estragado para alguém sem a menor experiência política para conduzir essa nau sem rumo em que se transformou o Brasil. Tem tudo para não dar certo. E não vai. Um país é algo um pouco mais complexo do que um quadro na TV.    

P.S.: O PT vai à Justiça contra a TV Globo e os apresentadores Fausto Silva e Luciano Huck. Parece querer evitar, décadas depois, a parição de um novo Collor.

Comentários  

0 #1 pe dy cabra 13-01-2018 16:31
Para seu conhecimento, não achei lugar melhor para espetar esta - brasilia x curitiba, uma bomba chiando para 24 de janeiro:


De acordo com o blog do jornalista Mino Pedrosa, uma decisão da juíza Luciana Corrêa Tôrres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal, se contrapõe à investigação da Lava Jato sobre o triplex do Guarujá.

O processo atende uma empresa que solicita o pagamento de dívidas em desfavor da OAS Empreendimentos.



O Centro Empresarial que estava sendo construído no Distrito Federal tinha contrato em Sociedade de Propósito Específico (SPE). A empresa credora impetrou uma ação de cobrança no valor de R$ 7,2 milhões corrigidos.

A juíza acatou e determinou ao Banco Central o bloqueio nas contas da OAS, encontrando apenas R$ 10 mil reais. A empresa credora fez busca nos cartórios e achou num mesmo CNPJ quatro imóveis no Guarujá em nome da OAS.

Para a surpresa dos empresários brasilienses, um deles é o apartamento atribuído a Lula.

A guerra das togas confronta o juízo de Moro e o de Luciana, diz Pedrosa.

Em Brasília, a juíza entende que cabe penhora do triplex por se tratar de dívidas contraídas pela OAS — que seria, de fato e de direito, proprietária do imóvel.

Ao DCM, o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, declarou que a defesa “está analisando esse fato novo e ainda não tem uma definição sobre eventuais providências jurídicas a serem tomadas”.
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