Bloco de Notas

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BALANÇOU, MAS NÃO CAIU...

No 14 Fevereiro 2018.

Prefeito empodera secretária que vereador aliado classifica com ‘nota abaixo de zero’

Personagem-chave da mais grave crise enfrentada pelo prefeito de Manga na atual gestão, a secretária da Saúde, Luciene de Almeida Souza, segue firme e forte no cargo no pós-Carnaval. Ela tem sido alvo de fortes críticas vindas do ex-líder do governo na Câmara Municipal, vereador Evilásio Amaro Alves (PPS). Embora não tenha recebido nenhuma demonstração pública de apoio da parte do prefeito Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS), a titular da Saúde parece ter saído até fortalecida do episódio em que chegou mesmo a bater boca com o vereador Evilásio. Na ocasião, ela teria dito que deve satisfação ao prefeito - a quem cabe mantê-la no cargo ou exonerá-la, a despeito da opinião do aliado de que ela não reuniria as condições necessárias para ocupar cargo no primeiro time da administração manguense, como se verá mais abaixo.  

O vereador apontou, durante discurso na tribuna da Câmara, no início deste mês de fevereiro, o que supostamente seriam negligências e falhas em serviço da secretária Luciene na condução do setor de saúde do município. Segundo uma fonte, o episódio teria servido mesmo foi para empoderar a secretária, que conseguiu unir todo o entorno do prefeito contra o vereador Evilásio. “A Lú é muito querida na Prefeitura. Esse assunto aí com o vereador não mudou nada a situação dela, que ficou até melhor”, contou uma fonte ao Blog. A fala do vereador, segundo esta mesma fonte, foi reduzida para um ‘surto’ sem maiores consequências.

Luciene Almeida recebeu a solidariedade de outras duas mulheres que formam o primeiro escalão da atual administração em Manga. As secretárias Fabrícia Mota Ferreira (Educação) e Cleide Alves Mota de Sá (Assistência Social), conta esta mesma fonte, teriam fechado questão no apoio à colega da Saúde. Cleide, que como o sobrenome indica é contraparente do prefeito, e Fabrícia Mota, que anda eclipsada na atual gestão, têm bastante influência nos corredores da Prefeitura e teriam, segundo essa mesma fonte, sido decisivas para evitar a exoneração de Luciene.

“Não tem a menor chance do prefeito aceitar uma indicação de Evilásio para a Secretária da Saúde. Quem conhece o homem sabe que não vai aceitar dividir o poder com ninguém”, comentou outro conhecedor da cena manguense, com visão bem próxima e privilegiada dos acontecimentos locais. Essas fontes, claro, pedem para não terem seus nomes revelados em razão da conhecida dificuldade do prefeito em lidar com críticas, ainda que construtivas.

Um leitor aqui do site lembra episódio parecido durante a primeira gestão de Quinquinha (2007/2012), quando o hoje advogado e então vereador Maurício Magalhães, o Maurício Cabeção (PR) rompeu com o prefeito na briga por espaço por essa mesma Secretaria da Saúde. Em meio ao tiroteio daquela ocasião, Eziquel Castilho, que era o secretário de Saúde de turno e amigão de Maurício, foi exonerado e enviado para um cargo de menor relevância na Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo, a entidade mantenedora do único hospital da cidade. 

Evilásio diz que deixou a liderança do governo na Câmara para se sentir mais à vontade em apontar o que acredita ser falhas que atrapalham o atual governo. Se for mesmo irrevogável, a decisão do vereador deixa o prefeito em dificuldades, porque perde a única voz que defendia sua administração no Legislativo, onde não tem maioria de votos e ainda enfrenta a investigação de uma comissão processante às voltas com ato de improbidade na contratação de um escritório de advocacia.

Do alto da experiência dos seus cinco mandatos, Evilásio sabe do que está falando- tem experiência acumulada tanto em ser governo quando ser oposição. Companheiro de primeira hora do atual prefeito, o vereador aponta para o que seria falhas graves na atuação da secretária de Saúde, que, até onde se sabe, não desmentiu o vereador. Se tudo for empurrado para debaixo do tapete do gabinete do prefeito de Manga, Evilásio tem razão em abrir mão de ser líder de um governo de parâmetros éticos e morais com os quais não concorda.

No mesmo pronunciamento na Câmara, o vereador narra casos de supostas negligências da secretária em relação ao atendimento de pessoas que buscavam apoio da Prefeitura de Manga. Cabe ao leitor fazer seu próprio juízo desse imbróglio todo. Confira:

"A cobrança de uma senhora que tem problemas que carece de atendimento de um cardiologista, parece que três vezes por mês, e que a gestão anterior pagava pelo menos 50% [dos custos] dos seus exames. Não sei até que ponto isso é verdade, mas sei que da secretária não recebeu nenhuma assistência. Já tivemos aqui a cobrança do cidadão Capucho, em parte é verdade que procurou a secretária várias vezes na Secretária e ela não o atendeu. É verdade, e tá no [CAO?], a resposta que ela dá, mentirosa, de um pleito de atendimento à ajuda de custo para um cidadão que estava internado para fazer tratamento contra as drogas, ele é dependente. Eu estive inclusive no Caps [Centro de Assistência Psicossocial], vi o parecer do médico psiquiatra, vi o que foi feito. E ela [Luciene] mente numa resposta por escrito, que foi um parecer jurídico que impediu [de prestar o atendimento], e lá não tem parecer jurídico. Ela nega, inclusive, que a assistência social emitiu parecer contrário. E isso é mentira, porque a assistente social do Caps é a vereadora Castilha, que sequer foi procurada para se manifestar. Então é mentira. Então eu disse pessoalmente à secretária que ela para mim é 'nota zero', mas eu fui anda benevolente: ela está muito abaixo de zero, quando não atende o município de Manga a partir das 16:30; quando ela não atende o município de Manga nos finais de finais de semana; quando não atende ao princípio legal de prestar contas em audiência pública, inclusive nesta Casa [dá tapas no móvel da tribuna]; quando ela deixa de atender ao cidadão carente. Eu disse isso a ela e disse ao prefeito: essa pessoa Manga não merece tê-la nos seus quadros representando como secretária de Saúde. Não merece. Manga merece pessoa mais simples, mais dada à coisa pública, mais responsável com os recursos, por exemplo 15% [ fatia da saúde no orçamento]. Então eu não posso ser complacente e aí talvez não fique cômodo - talvez não fique cômodo para quem deve favores, eu não devo favor -, o líder do governo fazer críticas [à administração que representa]. Então, estou aproveitando que não sou mais líder, mas tinha manifestado para e para o prefeito, já manifestei nesta Casa, com relação à assistência social, que a gente espera que nesses oito dias saia uma resposta. Agora, aqui, neste quadrimestre, ou ela presta contas, e ela tem que prestar pelo ano passado, ou eu vou ser o primeiro signatário de buscar essas informações via Ministério Público”.

A fala do vereador é contundente pela riqueza de dados que oferece. Em tempos mais normais, teria sido motivo para pedido de demissão do agente público apontado em falhas como as que se lê mais acima. A carta de demissão não veio e o prefeito finge que não tem nada com isso. É pouco provável que o vereador Evilásio se dê por vencido e aceite placidamente a solução para o caso. Quem semeia ventos, costuma ter safra recorde de tempestades, especialmente em ambientes em que vicejam a cizânia. Resta saber quem vai piscar primeiro.

Procurados via e-mail, o prefeito e seu secretário de Governo, Henrique Almeida Fraga, não responderam até a publicação deste post. 

Demissões no Hospital

Ainda repercute as demissões na Fundação Hospitalar de Amparo ao Homem do Campo. Desde que a nova diretoria da unidade assumiu, em novembro do ano passado, pelo menos 12 funcionários já teriam sido demitidos sem o pagamento das verbas indenizatórias. A Fundação é uma entidade filantrópica, de direito privado, e agora virou uma espécie de ‘puxadinho’ da Prefeitura de Manga.

Quatro dos cinco secretários e outros nomeados em cargos de confiança da gestão Quinquinha têm assento na nova diretoria da Fundação, que é comandada por Paulo Roberto Lopes Nunes, uma espécie de chefe de gabinete e devotado ajudante de ordens do atual prefeito. Segundo Jordana Faria, uma das funcionárias demitidas, a demissão coletiva no Hospital de Manga obedeceu a critérios puramente políticos. A ser verdade, não é um começo lá muito promissor. O Blog enviou pedido de informações para a Fundação Hospitalar. Assunto para mais adiante, com a devida apuração e espaço para o contraditório. 

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