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O FEEL GOOD FACTOR

No 04 Julho 2014.

Conforme previsto, o sentimento de otimismo com o Brasil ganhou força durante a breve vigência entre nós do Planeta Bola. É o bom humor da nação [ou o feel good factor, na definição dos britânicos]. Os maus presságios sobre um fiasco nacional durante o torneio mundial ficaram para trás, no que o partido da ordem e o seu principal líder deixaram de forma intimorata seus receios em discursos ufanistas e, em dados momentos, até mesmo tolos por excesso de vaidades represadas. Apesar do indiscutível sucesso da Copa do Mundo por aqui, convém evitar certos assodamentos em palanque. 

A discussão do dia é sobre até que ponto futebol e eleições se influenciam mutuamente – no caso atual, tonificado com a curta temporada de três meses entre o final da Copa do Mundo no Brasil e o dia ‘D’ das eleições presidenciais. A presidente-candidata iniciou jogada ensaiada para faturar em cima do êxito da copa das copas. Postulação legítima. Deve fazer movimento na direção contrária, na hipótese sempre possível da eliminação da nossa seleção da antes da decisão, ou mesmo lá. Nas oposições, a tendência é a mesma: de pegar carona no eventual sucesso de Neymar e companhia, mas com o acréscimo de uma muda torcida por um fracasso brasileiro no certame.

O trágico acidente da queda do viaduto ontem na Avenida Pedro I, em Belo Horizonte, estragou um pouco a festa [e a tese] do que seria nossa supremacia entre as nações. Um ponto fora da curva, a recordar, em péssimo momento, o muito que deixou de ser feito ou foi feito às pressas – no que seria nossa práxis de conceder pouca importância ao planejamento. Lá mesmo nessa região da Pedro I, quilômetros de pavimentação foram arrancados e refeitos por erro de projeto há bem pouco tempo. Aqui em Brasília, um linha exclusiva de ônibus não funciona, após consumir milhões, porque esqueceram do pequeno detalhe de colocar as estações do lado em que seria possível abrir as portas dos coletivos.

Povo feliz

Um povo feliz com seu país e governantes é aspiração de toda sociedade, mas infelizmente ideário longe de ser verdadeiro. Ao contrário da Copa do Mundo, que une mente e corações, a política tem como principal característica o embate e a divisão. Não por acaso temos partidos, a dividir opiniões, com suas visões conflitantes sobre o mundo e ordem natural das coisas. A Copa acaba em pouco mais de uma semana. Vencedores ou não, a vida brasileira segue em sua rotina de muitos problemas e poucas soluções. As eleições seria bom momento, talvez o único viável, para debater nossas fraquezas e sucessos. Mas a política, por esses dias, é vista mais como algo deprimente e a ser evitado pela média das opiniões . Haja otimismo.

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