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OPINIÃO: SOMOS TODOS AMBIENTALISTAS

No Quinta, 05 Junho 2014 07:33.

(*) Por Heitor Scalambrini Costa

Persiste entre formadores de opinião, o uso pejorativo do termo “ambientalista”, visando depreciar os cidadãos que lutam pela causa ambiental, além de tentar esconder outras intenções, menos ingênuas, como fazer o jogo dos poderosos, dos poluidores, que têm seus interesses contrariados pela persistência daqueles que defendem a preservação do meio ambiente e das condições de vida no planeta.

Os últimos relatórios dos grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostram inquestionavelmente que a ação humana é a principal causa da elevação da temperatura média da Terra, ou aquecimento global. Mesmo assim, interesses poderosos das industrias de combustíveis fósseis e nucleares, da agroindústria, dentre outros, continuam a negar este fato, financiando campanhas que atacam aqueles que propõem mudanças no atual estilo de vida perdulário, no consumo e na produção de matérias primas e energia.

O crescimento sempre foi um objetivo da política econômica. Acreditava-se que o aumento da renda de um país fosse suficiente para proporcionar uma vida melhor a seus habitantes. Portanto, a partir de uma análise simplificada, geralmente utilizando o Produto Interno Bruto (PIB) como indicador base, bastava o anúncio de seu aumento, para que se aceitasse que os indicadores de bem estar o estavam acompanhando. Isto de fato não acontece.

Já há alguns anos, verificam-se os danos causados pela atividade econômica sobre o planeta. Em nome do crescimento a qualquer preço, tudo é permitido, inclusive a destruição do meio ambiente. São incontestes as evidencias de que não é mais possível crescer e enriquecer para melhorar a qualidade de vida da maioria da população. Ou seja, manter os padrões atuais de produção e consumo esbarra nos limites físicos do nosso planeta.

Estamos recebendo sinais de reação da Terra...

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A COPA E O NÍVEL DO COPO

No Segunda, 02 Junho 2014 13:19.

A volta ao mundo real após a breve incursão no Planeta Bola

 

As probabilidades de que aconteça o apocalipse tão desejado pelas oposições ao governo federal durante a Copa do Mundo, agora tão próxima, são poucas. Para não dizer nulas. Não é por aí que essa banda vai tocar, pois o futebol tem mesmo o poder de deixar a pátria de chuteiras, em seu nirvana mui particular em que todo o resto perde importância temporariamente.

O povo não vai para as ruas de novo porque, de resto, a estupidez dos chamados black blocks reduziu quase a pó a ocorrência de grandes mobilizações no entorno do entorno dos estádios de futebol – agora transformados em diversos enclaves da Fifa dentro do território nacional. Ouviremos algum muxoxo de insatisfação se o Brasil perder a chance de ouro de chegar ao tal hexacampeonato, mas nada que tenha octanagem para mudar os rumos da sucessão presidencial.

Não é por aí que a banda vai embalar os sonhos eleitorais do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-governador Eduardo Campos (PSB). O buraco, com o perdão do recurso ao mau gosto, é mais embaixo. Como era previsto, os gastos bilionários com recursos públicos são irreversíveis – a despeito do governo federal ter prometido que não entraria dinheiro do povo na brincadeira.

Aliás, o povo brasileiro jamais pagou preço tão alto para ver o país mais uma vez dar vexame perante ao mundo na sua conhecida incapacidade de tocar o mais reles planejamento. A insuspeita Fifa diz que, nunca antes na história, o certame mundial teve fase preparatória tão complicada. Nem na África do Sul, em comparação mais óbvia, além de recente na memória de cálculo.

Mas eu dizia que o buraco é mais embaixo

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UMA COPA NO MEIO DO CAMINHO

No Domingo, 20 Abril 2014 11:33.

Pesquisas reservam más notícias para todos os candidatos, mas têm pouca relevância para sucessão

Dilma (E), em queda livre, ainda ganha de rivais no primeiro turno: mas isso tem pouca relevância no processo

As sucessivas rodadas de pesquisa eleitoral sobre a sucessão presidencial e as carradas de interpretações que suscitam devem, por ora, ser vistas com relevância relativa. Elas são a fotografia de momento e pouco peso têm a acrescentar nos números que vão efetivamente sair das urnas em outubro. Em especial, pelo fato não desprezível de que há a Copa do Mundo a separar o incerto agora com o momento definitivo da ida às urnas.

Por falar em pesquisas, na última delas, a presidente Dilma Rousseff recuou mais um pouco, para 37% das intenções de votos. Ainda assim com folga para levar a disputa já em primeiro turno. Para vencer uma eleição em primeiro turno, o candidato precisa somar votos válidos em maior número que o dos rivais. Pela última medição do Ibope, divulgada na semana passada, a soma de votos indicados para adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), ou noutra possibilidade, Aécio Neves e Marina Silva (PSB), além da arraia miúda dos sete candidatos figurantes dos pequenos partidos fica abaixo do total de votos creditados a Dilma, aqueles 37%, ainda que em queda livre.

Se as pesquisas reservam más notícias para a petista, elas não são menos alvissareiras para o tucano Aécio Neves, que segue empacado na margem de erro que oscila entre 14% e 16%. O tucano passou a ter maior protagonismo na arena da sucessão nas últimas semanas com críticas ácidas à principal adversária, por conta da crise que consome a Petrobras e os passos incertos na economia, além da exposição nos programas do horário eleitoral gratuito, mas nem assim reage para atingir o patamar de 20% nas intenções de voto - o piso aceitável para qualquer candidato que postular competitividade para sonhar com a vitória.

Situação não menos confortável é reservada para o outsider Eduardo Campos no atual instantâneo das pesquisas – ele recebeu 6% das indicações do último Ibope. O neto de Miguel Arraes não rompeu a barreira dos 10% de intenção de voto, quando o desejável para essa altura do campeonato seria algo em torno dos 15%. Campos conta com o empuxo da vice Marina Silva, quando a campanha efetivamente começar e o eleitor perceber a vinculação entre o seu nome e da ex-candidata verde – dona de respeitáveis 20% dos votos válidos na última eleição presidencial. Esperança de laboratório, porque não há garantias de que a transferência de voto vá acontecer em intensidade que o faça virar o jogo para cima do segundo colocado Aécio Neves.

O calendário eleitoral, como dizia no início, tem o recheio inusitado da Copa do Mundo entre junho e julho. Ainda que a torcida de más notícias para a presidente Dilma não se concretize durante o evento, há o fato concreto de que os políticos serão obrigados a ceder espaço, por período de quase dois meses, para as celebridades do mundo do futebol.

Passado o momento de ufanismo...

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POR ANDARÁ ODORICO?

No Segunda, 10 Março 2014 19:11.

Com a tal crise hídrica em voga, veio à mente aquele curioso ‘menas águas’ das aulas de Irrigação


A ameaça de racionamento de água em São Paulo dá o que pensar. Ou, quando menos, traz para o dia a dia de todos os brasileiros a preocupação com o iminente risco de colapso no Sistema Cantareira, que vem a ser o maior centro de captação e tratamento de água dos paulistanos. Seca em São Paulo é mesmo algo inusitado, indicador insuspeito de que a tal crise hídrica, ou a popular falta d’água, já não é coisa do semiárido brasileiro, essa vasta porção de terra que vai do Norte de Minas para cima no mapa do Brasil.

Fato é que a chuva anda escassa, ou muito mal distribuída ao longo das estações, o que deixa grandes metrópoles sob o risco de desabastecimento. Temos agora ‘água de menas’, como diria o professor Odorico durante as aulas de Irrigação do curso de técnico em agropecuária oferecido pelo antigo Colégio Agrícola de Januária.

Sujeito simpático, magro e de bochechas secas, mui versado nos assuntos de irrigação e agronomia, Odorico escorregava feio no português com essa história de ‘menas água’. À época, os computadores ainda não tinham sido inventados, de modo que o competente professor enchia a lousas com complicadíssimos cálculos matemáticos para explicar aos futuros técnicos como levar mais ou ‘menas’ água com o uso de canos para irrigar as lavouras do sertão.

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OPINIÃO DO ESPECIALISTA

No Quarta, 05 Março 2014 10:11.

Setor elétrico: o sujo falando do mal lavado

'A receita para sair do “buraco negro” em que se meteu o setor elétrico brasileiro requer vontade política. Mas que lamentavelmente nem o atual governo tem, e nem os anteriores tiveram'

Por Heitor Scalambrini Costa (*)


Apesar de seu caráter essencial, o setor elétrico brasileiro não tem sido levado em conta com a relevância necessária para atender os interesses estratégicos da população. Ele tem tido um papel que o situa no jogo da disputa eleitoral. Ou seja, vivemos a partidarização energética, que ficou evidenciada desde o inicio doséculo XXI. E isso não tem contribuído para encontrar os caminhos da segurança energética, da modicidade tarifária, da qualidade dos serviços oferecidos, e ainda mais, a diminuição dos impactos sócio-ambientais na escolha das fontes energéticas.

O processo de reestruturação do setor elétrico, iniciado em 1995, com a “meia sola” do que ficou conhecido como o "Novo Modelo do Setor Elétrico" a partir da lei 10.848 de março de 2004, que instituiu as atuais bases do mercado de energia brasileiro, desestruturou por completo o sistema existente, principalmente com a introdução de um modelo mercantil. A partir de então a energia elétrica é tratada e sujeita as leis de mercado. Não muito diferente de um pacote de bolacha comprado no mercadinho da esquina.

O que poderia parecer uma vantagem comparativa devido a ¾ da energia elétrica produzida no país ser gerada nas hidroelétricas (o restante com as termoelétricas, mais caras), acabou se tornando um grande motivo de preocupação. Em particular, devido às mudanças climáticas e seus efeitos decorrentes, que cada dia mais tem assola o planeta Terra. Por exemplo, o calor extremo no Sudeste e a seca no Nordeste brasileiro. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima prevêem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para frente.

Virou moda, ainda mais em ano eleitoral,