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RESILIENTE DILMA

No Sexta, 08 Agosto 2014 09:26.

Tudo como dantes nos números da sucessão presidencial

Os números cheios da pesquisa Ibope/TV Globo de intenção de voto para presidente da República, divulgada ontem à noite pelo Jornal Nacional, sinalizam para a esperada estabilidade no atual momento da campanha. O resultado é praticamente idêntico à votação em primeiro turno observado na pesquisa anterior, com pequenas variações dentro da margem de erro, ligeiramente favorável aos candidatos de oposição.

Dilma Rousseff tem agora 38% dos votos, Aécio Neves, 23%, Eduardo Campos, 9%, e o Pastor Everaldo 3%. Já na simulação do segundo turno, Dilma venceria Aécio por 42% a 36%, mas o tucano reduziu em dois pontos a diferença anterior. A presidente também venceria Eduardo Campos por 44% a 32%.

A boa notícia para Dilma é que, a despeito do péssimo momento na economia, seu desempenho mostra importante resiliência [termo da psicologia que, entre outros significados, faz menção à capacidade dos indivíduos resistirem a situações adversas]. O levantamento Ibope aponta leve melhora na percepção que a população tem do governo federal, agora em 32% ante os 31% apurados no mês de julho.

A aprovação da presidente, não o da candidata, deu salto mais consistente ao avançar de 44% para 47%. Para um governo que tem errado muito, não é pouca coisa. A melhora no humor popular com Dilma é associada por quem entende do riscado pelos sinais de arrefecimento da inflação, por efeito sazonal da queda nos preços dos alimentos, e pela expectativa de que o desemprego não mostre sua face feia no horizonte curto.

Segundo turno em aberto

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O JOGO NÃO JOGADO

No Domingo, 13 Julho 2014 11:04.


De tudo que se escreve e diz por aí sobre a melancólica participação da seleção brasileira na Copa do Mundo em sua própria casa, vale citar a guinada em 360 graus entre as expectativas do pré-torneio e o que restou após esse mês fugaz do reinado do Planeta Bola entre nós. Lá pelo início de junho [basta retornar às folhas e sites para constatar], o senso geral apontava para o inevitável sucesso do nosso escrete, condenado a ser hexacampeão, dada a sua superioridade tática e técnica, o que nos conferia vantagem insuperável dentro das quatro linhas.

Por outro lado, o clima antes da Copa era de expectativa para o iminente fracasso na organização do evento. O que viesse seria lucro, a compensar a incapacidade pátria para organizar evento de tal porte – visão negativa contaminada, de resto, pela possibilidade de protestos nas ruas, fiasco nos aeroportos e o histórico pouco alentador do movimento #nãovaitercopa, potencializado com os atrasos na conclusão dos estádios e na entrega das chamadas obras de mobilidade. Era pouco provável que o caos tomasse conta do país em período de Copa do Mundo, pois o futebol por aqui é o equivalente ao ópio do povo pensado por Marx em outro contexto. Sobre esse tema, sugiro ao leitor uma visita ao artigo 'A copa e o nível do copo'.   

Depois do jogo jogado, a imaginação brasileira compensa o complexo de vira-latas pela tragédia vista em campo com sua contrafação ufanista de que fizemos a melhor copa de todas as copas, além de mostrar para o mundo nossa incomparável hospitalidade. O fracasso no gramado, elevado à condição de humilhação nos 10 gols sofridos em duas partidas, é compensado com o fato de que fomos capazes de organizar um mundial tão bem quanto os alemães, os novos carrascos do orgulho pátrio.

A volta à realidade não é fácil, mas sem dúvida o brasileiro sabe fazer o contrapeso ao verdadeiro choque emocional visto no Mineiraço com essa espécie de fuga demonstrada na capacidade quase incomparável de rir do próprio fracasso, em que se destaca as piadas em redes sociais. É o que resta a fazer depois que os sonhos de triunfo e soberania do nosso futebol perante o mundo se transformaram em um dos maiores vexames da crônica esportiva e fora dela.

Ainda na série o jogo que não foi jogado,

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OUTRO GALHO DE ARRUDA

No Sexta, 11 Julho 2014 11:25.

Ex-governador coloca Lei da Ficha Limpa em xeque na tentativa de voltar ao cargo

O Brasil estaria no lucro se as nossas frustrações ficassem restritas aos campos de futebol. Outro dos nossos sonhos coletivos, a Lei da Ficha Limpa corre agora risco de desmoralização total, a depender do desfecho do polêmico caso que envolve o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR). Para resumir a história, o Tribunal de Justiça confirmou na quarta-feira (9), em segunda instância, a condenação de Arruda por improbidade administrativa no ruidoso processo que ficou conhecido como Mensalão do DEM, quando o ex-governador foi acusado de compra de apoio político.

A decisão é colegiada e inclui Arruda no rol dos 'ficha suja'. Em tese, deveria desistir da condição de candidato ao governo do Distrito Federal nestas eleições. Mas não é o que vai acontecer. O ex-governador Arruda, filmado ao receber dinheiro supostamente de esquema de corrupção, é candidato ao governo de Brasília pelo PR. A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça, mas ainda assim, Arruda afirma. em alto e bom som .que vai manter sua candidatura porque quando fez o registro, no início de julho, ainda não havia a decisão que, em tese, o tiraria do jogo.

Está montado o clima de circo na eleição aqui em Brasília. Arruda é líder em todas as pesquisas de intenção de voto, mas corre o risco de não chegar ao final de um eventual segundo mandato. O episódio mostra total falta de sintonia entre o que prevê a legislação [por sinal de iniciativa popular] e a efetiva aplicação, ameaçada por pegadinhas lançadas aqui e ali pelas forças não muito simpáticas às regras eleitorais criadas para impor obstáculos à turma useira e vezeira em malfeitos na gestão da coisa pública.

Para salvar das garras da inelegibilidade...

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O FEEL GOOD FACTOR

No Sexta, 04 Julho 2014 09:16.

Conforme previsto, o sentimento de otimismo com o Brasil ganhou força durante a breve vigência entre nós do Planeta Bola. É o bom humor da nação [ou o feel good factor, na definição dos britânicos]. Os maus presságios sobre um fiasco nacional durante o torneio mundial ficaram para trás, no que o partido da ordem e o seu principal líder deixaram de forma intimorata seus receios em discursos ufanistas e, em dados momentos, até mesmo tolos por excesso de vaidades represadas. Apesar do indiscutível sucesso da Copa do Mundo por aqui, convém evitar certos assodamentos em palanque. 

A discussão do dia é sobre até que ponto futebol e eleições se influenciam mutuamente – no caso atual, tonificado com a curta temporada de três meses entre o final da Copa do Mundo no Brasil e o dia ‘D’ das eleições presidenciais. A presidente-candidata iniciou jogada ensaiada para faturar em cima do êxito da copa das copas. Postulação legítima. Deve fazer movimento na direção contrária, na hipótese sempre possível da eliminação da nossa seleção da antes da decisão, ou mesmo lá. Nas oposições, a tendência é a mesma: de pegar carona no eventual sucesso de Neymar e companhia, mas com o acréscimo de uma muda torcida por um fracasso brasileiro no certame.

O trágico acidente da queda do viaduto ontem na Avenida Pedro I, em Belo Horizonte, estragou um pouco a festa [e a tese] do que seria nossa supremacia entre as nações. Um ponto fora da curva, a recordar, em péssimo momento, o muito que deixou de ser feito ou foi feito às pressas – no que seria nossa práxis de conceder pouca importância ao planejamento. Lá mesmo nessa região da Pedro I, quilômetros de pavimentação foram arrancados e refeitos por erro de projeto há bem pouco tempo. Aqui em Brasília, um linha exclusiva de ônibus não funciona, após consumir milhões, porque esqueceram do pequeno detalhe de colocar as estações do lado em que seria possível abrir as portas dos coletivos.

Povo feliz

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TEMPOS IRRACIONAIS

No Sexta, 13 Junho 2014 10:33.

Insultos à presidente radicaliza o debate político e mancha o que seria momento de triunfo do país

O ex-presidente Lula não foi à Arena Corinthians para a abertura da Copa do Mundo. Foi dele a decisão de trazer o evento para o Brasil. Além disso, deve-se muito ao seu prestígio e torcida, a construção do estádio que abriu o certame. Personalidade central na politica nacional, Lula parece dotado de antenas que farejam encrencas.

Foi esse feeling que evitou sua presença em um dos episódios mais constrangedores a que o país já assistiu em tempos recentes. O ex-presidente teria declarado preferir assistir ao jogo em casa, pela TV, onde ficaria à vontade para tomar sua ‘cachacinha’. Sábio e safo, Lula evitou compartilhar o espetáculo vergonhoso dos xingamentos à presidente da República, Dilma Rousseff.

Os dons premonitórios de velha raposa da política devem ter alertado Lula para o fato de que o Brasil que escolheu sediar a Copa não é mais o mesmo. Os problemas se agravaram e há, de todo lado, uma evidente má vontade com os políticos e a falta de perspectiva que oferecem. Não fosse assim, a oposição seria a maior beneficiária com a insatisfação com o atual governo - mas não é que se dá.      

Abertura de eventos mundiais como a Copa do Mundo são momentos propícios para que povos e nações mostrem ao mundo suas competências e soberania – numa palavra, para que se exibam em seu melhor. Não foi o que aconteceu ontem, com o grotesco espetáculo de insultos à primeira mulher a ocupar a Presidência da República em 500 anos de história.

Dilma não merecia tanta deselegância e falta de decência vocalizados no refrão "A,e,i,o, u. Ei Dilma, VTNC!" . Foi visível seu estupor e a incapacidade imediata de reação, ao permanecer sentada no momento em que todos os convidados ficaram de pé na tribuna de honra. São cenas que não honram nossas tradições de cordialidade e lhaneza no trato. Dilma certamente contava com as vaias, tradicional forma de manifestação contrária nas democracias, ao abrir mão da prerrogativa de discursar na cerimônia, mas nem de longe a presidente estava preparada para o nível de radicalização a que chegamos. O povo brasileiro não estava representado naquela demonstração clara de intolerância, mas saiu perdendo com a falta de bom -senso de uma minoria.

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