Bloco de Notas

Imprimir

PAÍS VAI VIRAR A PÁGINA LULA DE SUA HISTÓRIA

No 22 Outubro 2017.

Ex-presidente precisa voltar à cena eleitoral para explicar o fracasso dos governos petistas em melhorar o país

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Minas Gerais nesta segunda-feira (23) para o giro local da caravana 'Lula pelo Brasil'. Serão sete dias na estrada, com início por Ipatinga, cidade que o petismo considera como um dos seus berços no país. Na sexta-feira (27), dia do seu aniversáro de 72 aos, Lula chega a Montes Claros, após visita a Salinas, onde faz uma das duas visitas a campi do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, rede de escolas criada em seu governo.

Salinas, como se sabe, é o berço da mais apreciada cachaça do Brasil, a Havana, o que pode ter pesado na decisão do ex-presidente em dar uma esticadinha até lá. Lula passa por Salinas na véspera do seu natalício, quando será muito festejado, sem dúvida. Além de renovar seu já não pequeno estoque da séries especiais do melhor produtor do lugar.

Lula participa de pelo menos 12 atos públicos durante a caravana, que termina em Belo Horizonte, na segunda-feira (30). Ali, o ex-presidente planeja se encontrar com prefeitos mineiros para, em seguida, fechar a maratona de viagens com ato na Praça da Estação.

E o que Lula tem a dizer aos mineiros? Vai reafirmar sua condição de vítima de uma perseguição implacável por parte de inimigos nunca nominados, mas certamente o juiz Sérgio Mouro e a imprensa golpista, além de repetir o que chama de grandes números do seus dois governos (2003/2010), em que constam, no plano estadual, a criação de três universidades em Minas e 16 campi universitários em regiões até então esquecidas por sucessivos governos (o que é verdade), além de 43 novas escolas técnicas em Minas Gerais (o que é um engodo, pois muitas delas, ficaram pelo meio de caminho, como é o caso da unidade em Manga e outros municípios da região).

Bolsa Família, ProUni, Farmácia Popular e outros programas da era petista também são lembrados no palanque lulista, oportunidade em que acusa o "desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social pelo governo golpista [de Michel Temer] em um ano e meio". O que Lula nunca diz é o 'governo golpista' de Michel Temer e seus quadrilheiros, responsável pelo desmonte de direitos do povo, é, de longe, a pior herança que o PT legou ao país, junto com a ex-presidente Dilma Rousseff, a piloto do Titanic Brasil na direção da maior recessão da sua história.

Sem Dilma, o PMDB não teria chegado ao mando do país para se apresentar, quanta ironia!, como o garantista da reversão dessa fase triste que o pais começa a superar, ainda que à custa de muito sacrifício justamente para o público cliente do lulo-petismo, começa a ser revertida.

O retorno do PT à Presidência será o grande divisor de águas daquela que promete ser a mais tensa eleição no país desde a redemocratização, há pouco mais de 30 anos - período em que o lulo-petismo se confundiu com a vida política do país. É preciso reconhecer que ninguém teria resistido ao ataque diário por parte de um mídia raivosa como aconteceu a Lula. O paralelo possível seria o ex-presidente Juscelino Kubitschek, mas aqueles eram outros tempos, quando não existiam internet nem a máquina de moer biografias surgida com as redes sociais.

Defendo a tese de que não deve ser negado a Lula o direito de participar da próxima sucessão presidencial. Não apenas pela sua condição de líder inconteste de toda e qualquer pesquisa, mas, entre tantos outros motivos, em razão da permanência de Michel Temer no cargo após tudo que sabemos, o que neutraliza qualquer prurido que se pudesse ter em relação ao impedimento de quem quer seja de se submeter à vontade popular pela via democrática do voto.

O PT já anunciou sua estratégia para garantir ao ex-presidente o registro de candidatura, a despeito da condenação a 9,5 anos de prisão da lavra do juiz Sérgio Mouro e da provável confirmação da sentença pela segunda instância no tribunal regional de Porto Alegre. Caberá ao Tribunal Superior Eleitoral a prerrogativa para impugnar ou não o nome de Lula, mas isso em situação limite. Ora, Lula é o fiel da balança das eleições do próximo ano. Com ele em cena, o jogo toma determinada configuração, com espaço para anti-lulistas como João Dória e Jair Bolsonaro. Sem Lula, muda tudo. O que mostra a centralidade do seu nome no jogo político brasileiro. Lula precisa participar da disputa. Se vai ganhar e, em caso de vitória, consegue governar é outra história.        

Restolho ético e moral

Seja como for, Lula merece e precisa enfrentar os escrutínio popular para finalmente dizer sobre suas responsabilidades e as do seu partido em sustar aquele que teria sido um dos mais promissores ciclos de desenvolvimento do país. O ex-presidente precisa dizer alto e em bom som quem são os inimigos, o conveniente 'eles' que ele nunca aponta em seus discursos, mas o que querem vê-lo pelas costas e, se possível, em uma cela suja de um presídio qualquer.

Quem são esses 'eles'? Os empresários bandidos com quem se amaziou contra os interesses da Nação? Os banqueiros que ganharam os tubos durante os quase quatr mandatos petistas? O restolho ético e moral da política nacional que uma dia denuniociou como os 300 picaretas com anel de doutor? Quem são os inimigos de Lula e do PT, além dos já sabidos, inclusive seus muitos erros após assumir o país?

Lula precisa explicar em debate aberto e longe dos afagos da militância que avermelha suas caravanas o porquê de ter aceito mimos das grandes empreteiras e empresas de telecomunicações. O papel de lobista teria exercido durante o mandato da ex-presidente Dilma. Por falar nela, Lula deveria levá-la a tiracolo nas suas andanças, oportunidade também propicia para Dilma fazer parte desse necessário revisionismo da história recente.

Quem sabe um mea-culpa de ambos sobre as reais razões desse desastre econômico em que nos meteram. Onde e quanto houve o desvirtuamento na condução da economia responsável por sustar o rumo e o prumo que o país ensaiou tomar após vencer o inimigo da inflação galopante das décadas finais do século passado. De bônus, quem sabe, explicar como os três e pouco mandatos petistas quebraram o país e suas principais empresas.

Não se deve negar a Lula o dirento a figurar nas urnas eleitorais do próximo ano. Será oportunidade histórica para que o lulopetismo e o país façam sua catarse conjunta, o momento da pugarção da podridão que, se sempre existiu, e realmente existiu, veio à baila de forma nunca vista antes na história deste país sob o comando de Lula e Dilma. Ocasião de virar a página, inclusive com a eventual e, até aqui, pouco provável vitória lulista - a despeito de sua liderança isolada nas pesquisas eleitorais. Lula candidato, quando nada para explicar porque roubou do povo brasileiro o direito à utopia de que um dia tudo seria diferente.

Comentários  

+1 #1 pe dy cabria 22-10-2017 13:41
por falar em Pt macalé pulou o muro ou não?
Citar

Adicionar comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar