Bloco de Notas

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A ESTREIA OVER DE MADAME MUNIZ

No 02 Fevereiro 2015.

Deputada apela ao folclórico na tentativa de não passar despercebida no debut no Parlamento

A primeira-dama de Montes Claros e deputada federal Raquel Muniz (PSC-MG), primeira mulher do Norte de Minas a pisar, pela via do voto, o chão do parlamento brasileiro, apelou para as cores fortes do capacete de catopés em tentativa de sair da linha d’água que reserva o anonimato já durante a cerimônia de posse na Câmara dos Deputados.

O adereço usado por Raquel na posse foi encomendado à estilista Danielle Chaves, reconhecida por sua experiência em paramentar os mestres da tradição catopês, dança folclórica que anima as chamadas festa de agosto em de Montes Claros, no Norte de Minas, e uma espécie de derivação local das congadas e dos maracatus. Belo
espetáculo, mas referência talvez pouco adequado para a ocasião que Raquel Muniz vivenciou neste domingo.

Há quem pense o contrário, mas é certo que Raquel errou na mão e pode ter misturado alhos com bugalhos. Não que não tenha precedentes, pois o Congresso já recebeu parlamentares paramentados como vaqueiros e outras esquisitices, mas o fato de abrigar o palhaço Tiririca (PR-SP), não quer dizer que ‘se cobrir, via circo’, como cantou Benito Di Paula.

O tom festivo com que madame Muniz chega ao Congresso não condiz com a investigações que o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) leva adiante sobre denúncias de abuso de poder contra o seu marido e prefeito de Montes Claros, Rui Muniz (PRB), e a própria deputada. A Justiça Eleitoral vê “indícios e elementos de prova suficientes” para a abertura de processo de cassação do mandatos de ambos. De acordo com a ação, os dois teriam usado a estrutura do município para beneficiar a campanha da candidata.

Raquel Muniz parece empenhada em não ser mais um rosto na multidão na Câmara dos Deputados, por isso o apelo à estreia colorida. Se a estratégia é válida, o tempo vai dizer, mas de concreto há histórico de que parlamentares folclóricos não passam do limite a que se impõem. As fitas coloridas dos catopês chamou a atenção de uma rede de TV, e houve até quem confundisse o modelito over da primeira-dama de Montes Claros com vestimenta indígena, mas não passou disso.

A corte pode até achar certa graça nesses exotismos de ocasião, mas a experiência mostra que não é fácil para os debutantes no parlamento deixarem a vala comum do baixo clero no Congresso Nacional - a menos que deputado já traga na bagagem a condição de estrela. De todo modo, Raquel Muniz pode sair da Câmara direto para o Carnaval – já que não vê muita diferença entre uma coisa e outra.

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