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A MORTE E A MORTE (POLÍTICA) DE LULA DA SILVA

No 15 Setembro 2016.

Tomo de empréstimo o mote de conhecido livro do baiano Jorge Amado (A morte e a morte de Quincas Berro D'Água) para uma brevíssima análise sobre as muitas mortes políticas anunciadas para o ex-presidente Lula. O Ministério Público armou espetáculo midiático para formalmente acusar o ex-presidente de se beneficiar do esquema de corrupção e desvios de recursos da Petrobrás.

O coordenador da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, consolidou o que seriam conjunto de provas materiais e testemunhais, entre outras, da propriedade do apartamento e sítio no interior de São Paulo - além do zelo da Construtora OAS em cuidar dos presentes recebidos por Lula durante os mandatos na Presidência. Para o Ministério Público Federal, o ex-presidente era o "comandante máximo do esquema de corrupção", mas ainda deve o ônus da prova já que os imóveis têm outros donos conhecidos.

O mandachuva petista é candidato a presidente em 2018 e esboçava comandar reação – incendiar as ruas, para usar jargão esquerdista – às reformas prometidas pelo governo do presidente Michel Temer. No efeito mais imediato, a denúncia do procurador da Lava-Jato dificulta a vida dos candidatos a prefeito pelo PT em todo o país, ao expor mais uma vez o relacionamento mal explicado de Lula com empreiteiras investigadas por fraudes em contratos com os governos petistas de Lula e Dilma. Sempre requisitado para gravar pousar para fotos ou gravar mensagens de apoio aos candidatos do partido, Lula agora anda esquecido.


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Sua primeira morte política poderia ter acontecido com o estouro do Mensalão, durante o primeiro mandato – ali por volta de 2005 e 2006. Acusado de montar esquema para compra de votos no Parlamento, Lula tremeu. Só não foi às cordas em razão da covardia do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em especial, na iniciativa de pedir o seu impeachment. Lula passou incólume pelo episodio e consegui a sobrevida política que garantiria a recondução para o segundo mandato, de onde saiu com níveis recordes de aprovação.

Lula também poderia ter morrido para a politica e em sentido literal no enfrentamento com a Ditadura, ainda na fase de líder sindical. Ele chegou a ser preso pelo regime militar, em 1980, mas sobreviveu ao tranco. Lula viu a morte física de perto ainda quando teve o câncer de laringe, em 2011.

A denúncia do procurador Dallagnol talvez seja o golpe mais forte jamais sentido na imagem de Lula. Talvez mais grave do daquele sentido no dia da sua condução coercitiva, em março deste ano, quando militantes esboçaram reação de enfrentamento em sua defesa. Daquele episódio ficou a famosa frase do ex-presidente, pródigo em metáforas, dizendo que para matar a jararaca seria preciso bater na cabeça. “Eles bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve", disse Lula na ocasião.

Já algum consenso por aí que o show de power point do procurador Dallagnol pode contribuir para a estratégia de Lula de apelar para a vitimização. Não dá para arriscar a morte definitiva de Lula para a política, mas é já se percebe limites para seu imenso capital político consiga resistir às pancadas que tem recebido. A Lava-Jato carimbou na testa de Lula a pecha de “comandante máximo da propinocracia brasileira”. É uma acusação grave, mas como admitiu o próprio Dallagnol, por enquanto baseada mais em convicções do que em provas.

Lula é mesmo essa figura controversa...

Herói para uns, chefe de quadrilha para outros. De concreto, teve em seu benefício o fato de que sua passagem pela Presidência da República ter coincidido com o boom das commodities. O dinheiro sobrava, mas é forçoso reconhecer que seus governos tiveram olhar para o social inédito na história do país. Esse é o seu grande capital, é o que lhe garante essa resiliência para o enfrentamento com uma mídia frontalmente resistente ao seu nome. Não há como negar, contudo, que os governos petistas relaxaram com a ética e o cuidado com a coisa pública. Lula é uma espécie de amálgama desse legado ruim, embora não tivesse como saber tudo que se passava ao seu redor. Quantas serão as histórias das mortes políticas de Lula?

Comentários  

0 #1 pe di cabrya 15-09-2016 19:13
Que crueldade, a treta vem desde os idos
de 64... e o PT esta ai a uns 13/15 anos.

E o pmdb e o psdb hein?

Como fica Furnas?
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