Artigos

Imprimir

A GRANDE FAMÍLIA VAI ENCOLHER

No 03 Novembro 2016.

Incerteza jurídica adia montagem do secretariado de Quinquinha. Eleito terá dificuldades para conciliar interesses de aliados

 Imagem da campanha de Quinquinha do Posto Shell: a 'família' que foi às ruas agora espera pelo que é 'vantajoso e aprazível'

“Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”, escreveu Machado de Assis pela boca ficcional de Quincas Borbas. O prefeito eleito de Manga, o ainda sub judice Joaquim Oliveira Sá, Joaquim do Posto Shell (PPS), não sabe ao certo em quais cestas vai distribuir os tubérculos que levou há um mês, quando saiu vitorioso no embate contra o atual prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT). Quinquinha teve uma vitória fácil e larga sobre o fraco Anastácio e o legado péssimo que o PT representou nas eleições municipais deste ano da graça de 2016.

Por que Quinquinha ainda hesita em anunciar os nomes do seu futuro governo? Porque ainda não é possível cravar com 100% de certeza que haverá esse futuro governo. Pelo menos não antes que a Justiça Eleitoral decida o que fazer com o fato inconteste de que o prefeito eleito não tem como provar sua quitação eleitoral na disputa de 2014, quando tentou, por puro exercício da vaidade ou desconhecimento de causa, se eleger deputado federal sem ter votos para tanto.

A Justiça Eleitoral está numa grande sinuca de bico: se efetivamente decidir cumprir a letra da Lei, não poderá dar posse ao prefeito eleito de Manga, a quem faltou pré-requisito fundamental para ter participado da disputa. Nessa hipótese, a Justiça terá que instituir modulação que acarretará em guinada jurisprudencial, e que equivalerá a validar a litigância de má-fé que levou a juíza eleitoral da Comarca de Manga, Bárbara Lívio, a conceder a Joaquim do Posto Shell registro de candidatura com base em decisão liminar (sem julgamento do mérito, portanto), posteriormente anulada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.

Seja como for, a lista de nomes para o primeiro escalão já circula extraoficialmente, no boca a boca da rádio peão que anima as rodas que se formam nas esquinas da cidade pequena. Por esse termômetro, a educadora Fabrícia Mota volta à cena para ocupar a Secretaria da Educação, quiçá com o status de super-secretária que detinha no mandato anterior de Joaquim do Posto. Outro nome da gestão anterior também pode voltar no novo (se existir) mandato. A ex-secretária de Saúde do município Luciene de Almeida Souza é nome mais provável para o cargo.

O mais do mesmo não para por aí. Ex-secretário de Administração na gestão anterior de Quinquinha, o aposentado Paulo Roberto Nunes, Paulo Credireal, pode voltar ao posto, que também é disputado por Henrique Fraga, presidente do PP, um dos partidos da base de apoio do prefeito eleito. Fraga, que já disputou e perdeu a Prefeitura de Manga para o próprio Quinquinha em 2008, reduziu bastante seu horizonte de ambições políticas e atuou como animador do palanque da campanha do prefeito eleito.

Segundo o site apurou, Henrique e Paulo Roberto têm vaga garantida no primeiro escalão da futura administração. Quem for preterido para a pasta da administração, uma das mais influentes do governo, deve ocupar a chefia de gabinete do prefeito sub judice. Não por acaso, ambos foram indicados por Quinquinha para fazer parte da comissão de transição – posição que lhes garante, desde já, amplo conhecimento dos bastidores da administração. A advogada Briza Viana Lopes também é lembrada para assumir um dos cargos jurídicos do município, após ter sido indicada para compor a mesma comissão de transição. Se administração houver, com perdão pela pertinente repetição.


Na banca de apostas para o futuro secretariado estão a volta de Fabrícia Mota e Lucilene Almeida (Educação e Saúde, respectivamente), e a estreia de Izadora Caíres, na cota do vereador e vice eleito, Luiz do Foguete 

A pasta dos Transportes também pode ser ocupada por outro secretário remanescente dos mandatos anteriores de Quinquinha. O técnico agrícola Valdir Cunha Sobrinho é cotado para o cargo. A novidade fica por conta da provável indicação da assistente social Izabela Caíres para a Secretaria de Ação Social. A moça é filha do atual vereador e vice-prefeito eleito Luiz do Foguete (PRB). Izadora foi o pivô da briga que afastou o pai-vereador da base de apoio do prefeito Anastácio Guedes. Luiz queria colocá-la na Ação Social da atual gestão, mas o petista preferiu nomear a primeira-dama do município, Jirlene Vieira Lima.

O prefeito eleito poderia ficar no lucro se a fatura de Luiz do Foguete fosse quitada com a indicação da filha. Não será. Ainda falta decidir como atender aos apoios do médico Cândido Emílio Dourado, o fiador da migração do PRB do vice para a base de apoio de Quinquinha. Onde acomodar, por exemplo, o atual vice-prefeito, Eliel Dourado (PRB), que perdeu a disputa para a Câmara Municipal. Como retribuir o apoio de Hugo Mota (PSDB) e dos seis partidos da sua área de influência, a despeito da aliança ter dado com os burros n’água com a impugnação de quase 40 candidatos a vereador.

Família 23

Ao vencedor as batatas, já dizia Machado. Quinquinha precisa acomodar centenas de correligionários que fizeram parte da tal Família 23, como seus correligionários se autodeclaravam em referência ao número do PPS nas urnas eleitorais. Em política é mais ou menos como Quincas Borba explicou na sua filosofia de ficção, o ‘humanitismo’: - Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Pode-se dizer que o cabo eleitoral só ama o que lhe aprazível ou vantajoso. Uma boquinha aqui, outra acolá. Oficialmente, o prefeito eleito só vai contar (se tomar posse, claro) com 98 cargos passíveis de livre nomeação. São 92 vagas para apadrinhados via comissão – além das seis secretarias e o posto do chefe de gabinete. É pouco para acomodar, por exemplo, os vereadores Eziquel Castilho (PRB), Gil Mendes (PP), e Hélio Soares de Assis, o Hélio Boquinha (PMDB), os três derrotados na eleição de um mês atrás. Eles devem ocupar os cargos de diretores, mas ainda não há definição do local. Por falar em diretor, a professora Ionece Alencar Torres é um dos nomes cotados para o comando do Caic Padre Ricardo Trischeller, no Bairro Arvoredo - cuja estrutura física recebeu pouca atenção durante a gestão anterior de Quinquinha.     

A fila não é pequena e inclui os mais de 50 candidatos a vereador, com voto ou não, que perderam suas ilusões de ter vida mansa pelos próximos quatro anos e agora querem uma recompensa por menor que seja. Há o caso específico de uma família em Manga que têm 10 nomes para encaixar na futura e ainda incerta administração. Isso para um primeiro ano de mandato que promete ser difícil. Ao vencedor, por enquanto, seu cesto de batatas.

Quanto ao derrotado Anastácio, não deve esperar do seu oponente nenhuma compaixão. Tampouco os dias atribulados que o futuro reserva serão fáceis para o prefeito eleito. Manga tem índice de desemprego bem acima dos 12% que assola o país, especialmente entre os jovens que foram as ruas por um difuso antipetismo. Essa turma quer os empregos que não virão e vai descobrir, em tempo breve, que não há os espaços que esperavam ocupar na administração ainda por começar. O buraco da agulha que vai abrigar a grande família 23 é estreito. Esse será o diapasão do eventual terceiro mandato de Quinquinha em Manga. Ele terá que compartilhar o poder, ou distribuir as batatas em vários cestos - para seguir com a metáfora deste artigo. Coisa a que não está muito habituado.     

Procurado, Quinquinha do Posto, como é de praxe em relação a este site, não quis se manifestar. 

Comentários  

0 #4 Marcos 24-11-2016 08:02
Me responda jornalista! Se o PT ganhasse a eleição juntamente com o Mauricio Cabeção! Onde acomodaria tanta gente?
Citar
+9 #3 Antonio Araújo 05-11-2016 21:45
O desastre da administração,ops! Da falta de administração do PT em Manga só tem obras inacabadas... Ei-las: Cobertura da Quadra da escola de São José; Ampliação do Posto de Saúde de Nhandutiba; Escola Infantil de Brejo São Caetano; Escola Técnica; Escola Infantil Bairro Tamuá; Parque dos (Orea Rala)Uirapuru; Reforma do Mercado Municipal; isto sem contar as que ele e o irmão deputado prometeu e, nem saíram do papel ou da imaginação de ambos. A ponte sobre o Rio São Francisco e o abastecimento d'água, levada do rio Japuré para Cachoeirinha e Nhandutiba.Ops! Tava esquecendo, do asfalto Trevo de Nhandutiba x Miravânia; Br 135 Manga x Itacarambí. Éra obra demais!!!!!!!!!!!!
Citar
+5 #2 marlene 05-11-2016 14:48
Tá na hora do grupo PT arrumar uma boa trouxa de roupa pra lavar, afinal a teta secou. Parem de se preocupar com quem entra na prefeitura no próximo ano, isso é problema do prefeito eleito, parem de se preocupar com quem será candidato (se houver) novas eleiçoes, isso é problema da familia 23. Comecem a se preocupar em procurar emprego, o bolsa familia ta encolhendo, o leite pela vida, ta pela hora da morte, candidatos do grupo PT tbem tá em baixa, ganhar eleiçoes (se houver, e somente se houver) tá quase impossível depois da taca. E estão preocupados com o futuro de Quinquinha??????
Citar
+7 #1 Dado 04-11-2016 12:49
Isso ai Quinquinha sempre organizando de forma justa e transparente ,parabéns!
Citar

Adicionar comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar