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CÂMARA DÁ SHOW DE TRANSPARÊNCIA EM JOAQUIM DO POSTO SHELL

No 08 Junho 2017.

Câmara de Manga adota postura moderna de abertura sobre seus atos, enquanto prefeito se esconde na caixa preta

Sabe aquela máxima ‘de onde você menos espera, é daí que não sai nada mesmo’? Bem, ela não se aplica indistintamente a qualquer situação. Veja o caso da Câmara de Vereadores de Manga, hoje sob a presidência do vereador João França Neto, o Dão Guedes (PT). Em menos de seis meses de mandato a Casa conseguiu definir o valor da transparência como referência na sua comunicação com a população do município.

Não sou pessoalmente muito fã do vereador Dão Guedes, a despeito do nosso parentesco (somos primos em primeiro grau). Para mim, ele é a antítese, o oposto mesmo, do padrão reconhecido para o político, sempre solícito e atencioso com todos à sua volta – ainda que em alto grau de fingimento.

Sujeito meio caladão e esquisito, Dão Guedes é capaz de passar do seu lado e não dizer bom dia. Fez isso comigo, há duas semanas, quando estive em Manga para uma audiência de instrução na Justiça local. Um Volkswagen Gol vermelho subia vagarosamente a Avenida Tiradentes no momento em que eu tentava cruzar a via. Acostumado à vida em uma metrópole, não tenho interesse em saber quem passa motorizado e só vi que o vereador ocupava a direção do carro quando ele já ia um pouco distante. Passou sem dizer nem um alô. O que não me surpreende, porque isso já aconteceu em outras ocasiões, embora eu raramente tenha oportunidade de conviver com ele e não me lembro de ter trocado mais de meia dúzia de palavras nos curtos diálogos que já tivemos, mais lá para o período da infância e adolescência. 

Não sei se Dão Guedes tem mau conceito a respeito do autor dessas linhas ou se adota a mim o mesmo padrão de tratamento que emprega para com o resto da humanidade - o que não me impede de reconhecer quando acerta na condição de político. Posso garantir que a recíproca não é verdadeira no caso dele, já que parente não nos é dado o livre arbítrio de escolher.   

 

Feita essa digressão, é preciso registrar que Dão Guedes soube se cercar, na presidência da Câmara, de pessoas competentes e os resultados estão aí. O site oficial da Câmara passou a oferecer recentemente uma aba para acesso à troca de comunicações oficiais a mesa diretora daquela Casa Legislativa e o Poder Executivo local, atualmente representado pelo síndico Joaquim Oliveira, o Quinquinha do Posto Shell (PPS).

O serviço oferecido pela Câmara de Manga permite acompanhar o bate cabeça da gestão Quinquinha no relacionamento com os vereadores. É um tal de envia projeto, retira projeto de pauta em atitude muito elucidativa do apagão que tem marcado a atual administração em Manga nestes primeiros seis meses de mandato. Quinquinha, ao contrário da Câmara de Vereadores, não conseguiu colocar ainda o site oficial do município no ar e sequer criou o tradicional slogan com o qual pretende se identificar.

A atual mesa diretora da Casa também inovou ao criar e divulgar na rede social Facebook uma minuta dos assuntos abordados em cada sessão ordinária. Esse documento traz o expediente de cada sessão e os assuntos previstos para a chamada ordem do dia, além de informar a participação em plenário de representantes da sociedade organizada. Os processões licitatórios realizados pela Câmara também são divulgados no site, com a publicização do edital e os arquivos com as propostas dos participantes do pregão. 

Algum bobalhão vai dizer que ‘recebo’ da Câmara de Manga para fazer esse reconhecimento público de algo que avaliei ser positivo, após ter sido alertado para o fato por uma das fontes com quem conversei na viagem à cidade. Não perco meu sono com esse tipo de comentário, que, aliás, foi muito comum durante a última sucessão municipal. Para desengano dos imbecis de sempre, vale dizer que jamais recebi e não tenho a menor pretensão de receber recurso público por prestação de serviço seja lá de que organismo estatal, em qualquer dos três níveis, e muito menos da Câmara de Manga, onde um parente meu é o mandatário por ora.

Impessoalidade

Ainda sobre Dão Guedes, é preciso dizer que não é só a publicidade, um dos princípios da administração pública, que sua gestão na Câmara faz cumprir. Dado seu jeito de político esquisitão, ele também tira de letra, até aqui, o princípios da impessoalidade e legalidade, ao evitar vincular seu nome às melhorias que introduziu na Casa.

As surpresas podem vir de onde não esperamos. Outro presidente da Câmara com perfil bem assemelhado com o de Dão Guedes, o ex-vereador Francisco Farias Gonçalves, o Tim 2000 (PV), a despeito de não ser dado a discursos fáceis e muita conversa, conseguiu, durante os seus oito anos à frente da Câmara de Manga, levar a cabo a primeira cassação de um prefeito na história do município, em 2007, com o afastamento do então prefeito Humberto Salles.

Além de ter emancipado a Casa da influência do Executivo no plantão, com a construção da sede própria do Legislativo local. A sede é modesta, como se sabe, mas foi o que se conseguiu fazer com o que se tinha para o gasto. Fica aqui o registro de que Tim 2000 também não é meu fã, e a recíproca é verdadeira, mas não posso, por dever de consciência, deixar de reconhecer quando o político acerta em seus atos.

Comentários  

0 #4 pedycabria 19-06-2017 18:35
se viu Dão Guedes primeiro, não seria correto, primeiro sua saudação?
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+4 #3 Cassília Rodrigues 08-06-2017 17:52
A mesa diretora tem contribuído e mto para q os cidadãos manguenses participem efetivamente das decisoes políticas do nosso município com transparência e lisura nas ações realizadas. Fazendo valer a velha máxima " a Câmara Municipal é a casa do povo". Venha fazer parte dessa nova história!!! Projetos como: Câmara Itinerante e Tribuna livre são exemplos de maior participação popular e que foi idealizado por essa vereadora desde a campanha eleitoral/2016.


Vereadora

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+3 #2 Anderson Cezar 08-06-2017 14:57
A Mesa Diretora desta casa sabe de sua responsabilidade pública. Infelizmente não é este o entendimento do prefeito. O povo deve cobrar retidão e lisura do executivo municipal.

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+5 #1 Policarpo 08-06-2017 14:45
A política brasileira tem dessas coisas, falastrões, esquisitos, vampiros, palhaços, etc., etc., mas, penso eu, o vereador não fez mais que sua obrigação, tem que transparecer sim, é papel dele. Mas independentemente de qualquer grau de afinidade o vereador merece um parabéns pela atitude. E o povo merece saber. Afinal a "democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo".
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