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AMIGOS-SECRETOS E OUTRAS PIADAS

No 13 Novembro 2017.

Líder da oposição nega ter ligado para prefeito com promessa de que votaria pelo arquivamento de investigação

O prefeito de Manga, Quinquinha de Quinca de Otílio, o Joaquim de Oliveira Sá Filho (PPS), ao fundo na foto ao lado, está com tudo e não está prosa ao dar de barato que vai conseguir arquivar a investigação que enfrenta na Câmara de Vereadores local, onde uma comissão processante foi instalada para apurar denúncia de suposta improbidade administrativa na contratação do escritório de advocacia Menezes & Associados, de Montes Claros, ao custo de R$ 65 mil para um período de nove meses, em fevereiro deste ano.

Não se pode negar ao prefeito o direito natural e instintivo de tentar salvar o próprio pescoço e evitar ser catapultado do cargo para o qual só foi eleito após quebrar muitas lanças e alguns cifrões - não custa lembrar que ele teve o registro indeferido e passou todo o processo eleitoral do ano passado na condição de sub-judice. É do jogo que ele tente, com as armas que tem em mãos, evitar ir à guilhotina (em sentido retórico, senhores, façam o favor) por força da maioria oposicionista na Câmara de Vereadores. A estratégia que o prefeito adotou, no entanto, beira ao puro escárnio com o princípio da independência que rege - ou pelo menos deveria reger - o relacionamento institucional entre os poderes.

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Informações vindas de gente muito próxima a Quinquinha dá como certo o arquivamento da denúncia antes do Natal. Um de seus assessores para assuntos de estratégia política, o advogado Hélder Mota tira o sarro da situação ao difundir a tese, lá do seu jeito brincalhão, de que haveria disputa ferrenha entre os seis vereadores da oposição, os mesmos que acolheram a denúncia contra o prefeito, para agora enterrá-la o quanto antes. Interessa ao prefeito espalhar a cizânia e provocar certo bate-cabeças entre seus adversários na Câmara.

Mas não passa disso, porque a estratégia não tem acento em fatos irreais e não consegue reverter um dado concreto: o prefeito ainda não tem apoio na Casa Legislativa para barrar a investigação. Se vai conseguir, são outros quinhentos. Ele precisa converter apenas um de seus atuais adversários em plenário.   

Um dos vereadores citados como vira-casaca é Anderson Cezar Ramos, o Son Nogueira (PSB), em primeiro plano na imagem lá do alto. Nogueira nega peremptoriamente ter feito qualquer contato com o prefeito e descarta qualquer especulação de que seria ele o amigo-secreto que vai ajudar o prefeito a melar a investigação em curso  na Câmara.

“Nunca existiu telefonema nenhum. Vão disseminar muitas mentiras. Mas meu voto pela cassação é certo”, diz Son Nogueira, que, sem entrar em detalhes, não esconde o desconforto que haveria entre os grupos políticos que formam a atual oposição no município.

Maledicências...

É com base em suposto desentendimento entre Nogueira e o deputado Paulo Guedes (PT), o cacique político do grupo atualmente na oposição local, que Quinquinha aposta para jogar no ar os dardos maledicentes que poderiam dividir a maioria que lhe faz oposição na Câmara de Vereadores. Ainda segundo Hélder Mota, até mesmo o presidente da comissão especial criada pela Câmara para conduzir a comissão processante, o vereador Bento Ferreira Gonçalves (PR), teria sinalizado interesse em preparar o enterro da comissão processante. Não há evidências de que isso tenha acontecido e caberia ao prefeito e seu entorno provar a acusação, que é grave. 

Decerto que o advogado Mota contribui para deixar o insípido entorno do prefeito Quinquinha mais leve e menos cinzento com suas tiradas jocosas. Ele se jacta de que o prefeito praticamente se mudou para sua casa, em referência aos churrascos e jantares de que participa por lá. Mas a estratégia de dividir opositores por meio de piadas é insana, por atribuir a quem talvez não faça jus o papel de traidor.

De concreto, o prefeito ainda não tem os votos que precisa para permanecer no cargo a partir de janeiro. Se vai conseguir virar o jogo, só o tempo dirá. Por enquanto, ele precisa construir argumentos sólidos para convencer o plenário da Câmara de que não reincidiu em prática criminosa de improbidade administrativa ao contratar sem licitação o escritório do advogado Farley Menezes, que, até aqui, foi o pivô de duas das três condenações judiciais ainda em aberto contra seu atual mandato. Quinquinha e Farley já haviam sido condenados, no final de 2012, a devolverem R$ 57 mil de outro contrato considerado irregular também por dispensa de licitação.    

Procurados por e-mail para comentar o assunto, o prefeito e sua assessoria não responderam até a publicação deste post.

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