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AÉCIO VIROU A GENI DO TUCANATO

No 13 Novembro 2017.

Todo o PSDB, com exceção talvez, e mal contida, da secção mineira da sigla, sabe que o senador Aécio Neves é um cadáver político que teima em sair de cena. Durante a convenção estadual da legenda em São Paulo, realizada no último domingo (12), na Assembleia Legislativa daquele Estado, houve sinais bastantes didáticos a demonstrar a inevitabilidade do outono em que se encontra o neto de Tancredo. Numa espécie de política do café sem leite, os tucanos paulistas fecharam seu encontro estadual aos gritos de ‘Fora, Aécio’. Toda menção ao nome dele era recebida com vaias e apupos.

Aécio é o responsável, em boa medida, pelo bate-cabeça que assombra o PSDB, um partido em crise permanente que agora se martiriza sobre a permanência ou não no governo Michel Temer, que segue em marcha batida para ser o presidente mais impopular da história recente – e nem tão recente assim – da nossa infelicitada República.

Pego naquela conversa com Joesley Batista, o capo da JBS, cujo conteúdo seria mais compatível com algo proferido pelas bocas dos chefes do PCC ou das máfias, Aécio se envolveu mais recentemente na manobra que botou o colega senador Tasso Jereissati (CE) porta afora da presidência nacional da legenda. Num gesto autoritário, Aécio colocou o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman no comando da legenda, contra a vontade de boa parcela dos tucanos - o que reforçou o racha que agora culmina, por exemplo, com a saída do ministro Bruno Araújo da pasta da Saúde do governo Temer.  

Enquanto era tratado como a Geni do tucanato em São Paulo, o neto de Tancredo comandava a eleição do diretório estadual do partido em Minas. Ali o clima foi mais ameno, quase em tom de desagravo ao senador que tanta vergonha traz a Minas. Mesmo em desgraça política, há quem aposte que Aécio vá disputar o governo de Minas ou buscar novo mandato para o Senado. Jogo político arriscado. Aécio deve disputar mesmo é uma vaga a deputado federal.

No centro das atuais desventuras do PSDB, o senador nem de longe lembra o político que quase derrotou a petista Dilma Rousseff nas últimas eleições presidenciais. Tampouco o pretenso estadista que se vendia como a vanguarda da social democracia brasileira, antenado com as propostas liberais, e o responsável pela modernização da gestão pública em Minas. Tudo cascata como se veria depois.

Nos dias atuais, o mineiro definha como ativo político do qual todos querem distância. Sua assessoria envia press releases no atacado para a mesma imprensa que Aécio tratou como requintes de coronel, coma ajuda da irmã Andrea Neves, aquela mesma que passou uma temporada na cadeia sob a acusação de participação nos esquemas pouco republicanos do irmão.

Seja como for, São Paulo grita ‘Fora, Aécio’ um pouco tarde. Fosse um partido sério, o senador me final de mandato já teria sido expulso da legenda, talvez a tempo de mostrar sua faceta ditatorial no caso da destituição de Jereissati do comando do partido.        

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