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CANTIGA DE RODA

No 30 Novembro 2017.

Um dos poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade talvez seja ‘Quadrilha’, publicado em 1930. Os versos tratam de amores não correspondidos: “João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, / Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história”.

Lembrei de CDA, poeta e orgulho de todos os mineiros, a propósito do triste panorama político desses dias atuais. Senão, vejamos.

O prefeito de Manga, Quinquinha de Quinca de Otílio, é cabo eleitoral do deputado estadual Arlen Santiago, que é aliado ideológico de certa direita em que se alinham os deputados federais Toninho Pinheiro e Zé Silva, que formam fila para o beija-mãos ao senador Aécio Neves, aquele, pego em conversa pra lá de comprometedora com Josley Batista, o da JBS, que foi para a cadeia, mas Aécio não, ficou na rua e botou parte do PSDB sob sua influência para livrar o presidente Michel Temer de duas denúncias, o que na Presidência acabou com direitos trabalhistas, elevou os combustíveis a preços nunca vistos e atua para inviabilizar a aposentadoria dos brasileiros, que não tinham entrado na história, mas que paga o pato dos pecados que não são seus.

Quinquinha semana sim e semana não passeia por Brasília, na esperança de que Temer libere alguns caraminguás para tirar sua fraca administração do atoleiro em que está encalhada desde a posse. Até agora não recebeu um centavo. Mas persiste, porque o presidente mais impopular da história é sua tábua de salvação. Enquanto isso, o povo, que só entra na história para pagar o pato, não vai para os Estados Unidos nem para o convento. Bom, o povo dança na roda viva e imprestável de alto abaixo da política brasileira. 

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