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QUINQUINHA TEM AMIGO-SECRETO NA CÂMARA?

No 11 Novembro 2017.

Vereadores podem votar cassação até final do ano, mas prefeito teria presente de Natal antecipado para salvar mandato

O meu amigo oculto é... Boatos dando conta de que há uma trama em curso para enterrar a investigação na Câmara de Vereadores de Manga subiram a decibéis impossíveis de não serem ouvidos e considerados pelo analista da política ao longo desta última semana. Inconfessável por natureza, esse tipo de movimento não é passível de confirmação pela imprensa, e são negados com veemência pelos seus eventuais protagonistas. Mas vamos ao que foi possível apurar entre as várias fontes aqui da página.  

Cassado pela Justiça em três sentenças consecutivas por improbidades em atos administrativos, e atualmente sob investigação de comissão processante da Câmara de Vereadores de Manga, o prefeito Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS), o Joaquim de Oliveira Mota, teria recebido a boa fortuna naquela brincadeira mutual em que um participante tira o nome de outro participante sob a condição de não contar para ninguém quem é sua contraparte até o grande dia da revelação.

A fortuna, em sentido maquiavélico, deve ser conquistada para benefício do governante. Réu na Câmara de Manga, o prefeito já contaria com o amigo invisível dos sonhos neste final de ano, o vira-casaca que vai lhe presentear com o voto para por fim à comissão processante a que responde na Casa.   

Quinquinha é investigado pela Câmara de Manga em razão de contrato com dispensa de licitação no valor de R$ 65 mil com a empresa Menezes & Associados, de Montes Claros. A prática é considerada irregular e foi a motivação de duas das três condenações a perda do mandato que o prefeito acumula ao longo deste ano, em sentenças publicadas com a assinatura do juiz titular da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Manga, João Carneiro Duarte Neto, há quatro meses.

Consta, entretanto, que Quinquinha já não perde o seu sono, de ordinário instável, com a investigação da Câmara de Manga. O prefeito, segundo o que uma fonte muito próxima dele contou ao Em Tempo Real, cooptou um aliado sigiloso na Câmara e estaria pronto para melar a investigação.

Ele precisa apenas de um voto entre os seis que a bancada da oposição tem na Casa até aqui para virar o jogo a seu favor. Processos de investigação no Legislativo exigem maioria absoluta de dois terços dos votos e ao prefeito bastaria reverter apenas um vereador em seu favor para barrar a comissão processante. Quinquinha deverá enviar sua defesa prévia, além de indicar 10 testemunhas e as provas que pretende produzir até a próxima quinta-feira (16), logo após o feriado do Dia da República.

Após receber e avaliar a defesa de Quinquinha, a comissão especial da Câmara, presidida pelo vereador oposicionista Bento Ferreira Gonçalves (PR), deverá produzir relatório parcial opinando pelo arquivamento ou continuidade da denúncia. Esse relatório deve ser votado pelo plenário da Casa, por maioria absoluta de seis votos. Se a denúncia for aceita, a comissão processante entra na fase de de instrução - quando serão realizadas audiências para ouvir testemunhas, diligências e demais atos necessários à conclusão da investigação sobre a prática do crime de improbidade de Quinquinha de Quinca de Otílio na contratação do escritório do amigão Farley Menezes.

É nessa etapa da comissão que o prefeito espera contar com os valiosos préstimos do seu amigo oculto, quando espera receber o melhor presente da sua ainda curta carreira política: o voto que vai enterrar a investigação e permitir, pelo menos por enquanto, a continuidade do atual mandato como prefeito de Manga. Um mandato que, diga-se de passagem, e a bem da verdade, ainda precisa começar. Manga está sem governo desde o início da atual gestão, que em muito fica a dever em relação às promessas de leite e mel que o prefeito propagou durante a campanha eleitoral, há pouco mais de um ano.

"O meu amigo secreto é...

... vereador em primeiro mandato", poderá dizer Quinquinha quando (e se) a traição se consumar. Esse amigo invisível decerto não age por despreendimento ou por ter sido convencido pelo prefeito de que ele, o vereador secreto e cooptado, é apenas joguete nas mãos da atual oposição, comandada pelo deputado estadual Paulo Guedes (PT), inconsolada por ter perdido a eleição no estranhíssimo tapetão do Tribunal Superior Eleitoral.

Ou por outra, como reza a catequese de Quinquinha, os vereadores de oposição se prestam ao papel de meras marionetes, comandadas pelo ex-vereador Maurício Magalhães, um conhecido desafeto seu, que atualmente advoga para a Câmara de Manga, onde cuida da estratégia para leva a comissão processante incólume às chicanas e filigranas dos advogados do prefeito-réu.

Pelo que se diz nas esquinas da cidade - e como dizem -, a suposta negociação em curso nos bastidores das sujeira em que se transformou a política de Manga, garantiria ao traidor uma vaguinha de emprego para um apadrinhado e promessas de mais espaço na administração. No limite, esse novo Joaquim Silvério dos Reis pode levar como gorjeta um cargo no primeiro escalão, com salário-base de R$ 5 mil, embora a oferta até aqui supostamente seria para vaga bem menos valorizada e muito mais espinhosa que o secretário municipal.

A turma da oposição na Câmara nega qualquer tipo de racha e garante que ainda conta com os seis votos que dão a maioria absoluta para cassar o prefeito. Por essa versão, a boataria que toma conta da cidade seria propagada pelo próprio entorno do gabinete do atual mandatário no município, a quem interessaria espalhar a cizânia e a desconfiança mútua entre os vereadores de oposição como parte da estratégia para migrar o voto que Quinquinha precisa para não cair.     

O amigo ainda invisível do prefeito conta com a votação secreta nas próximas decisões que envolvam a investigação contra Quinquinha para esconder o gesto infame da população local. Seu projeto, contudo, pode dar errado, já que a bancada de oposição tem planos de combinar um sinal, previsto no regimento interno, para trazer a luz do sol eventual voto dissidente entre os seis vereadores de oposição.

Outro obstáculo no radar pode ser eventual reação, ainda que tardia, do atual vice-prefeito, Luiz Carlos Caíres, o Luiz Fogueteiro (PRB). O vice tem adotado até aqui postura de neutralidade a respeito da investigação na Câmara, na expectativa de que o cargo lhe caisse no colo por osmose, sem a necessidade de qualquer contato com os vereadores que tocam a cassação do prefeito. Fácil, extremamente fácil, mas pouco produtivo.

Luiz do Foguete, que atualmente está às voltas com um restaurante que uma de suas filhas acaba de comprar em Janaúba, tem se mantido afastado e ausente da rotina política de Manga. Parece assistir passivamente ao cavalo passar montado diante da sua porteira, no que dá adeus definitivo ao sonho de uma dia sentar-se na cadeira de prefeito do município, enquanto o amigo-oculto do prefeito ainda aguarda os sinais de fumaça que indiquem a possibilidade da expectativa futgura de poder mudar do titular para o vice.

Quem vende o seu voto, mesmo com a desculpa de que não houve transação monetária nas tratativas, não faz muito caso sobre quem entregar a mercadoria, desde que receba da forma combinada. Mas convém a esse candidato a Judas Iscariotes colocar bom preço na infâmia que pode tentar levar adiante. Sua curta carreira política acaba no dia da votação do relatório da comissão processante. No que uma pergunta que não consegue calar: terá valido a pena salvar uma administração que de resto já agoniza em curto horizonte?

 


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