Nacionais

Imprimir

SALA DE SITUAÇÃO..

No 15 Março 2015.

Governo sente o 'calor' das ruas em domingo de protestos país afora

Manifestantes em frente ao Congresso Nacional: protesto reuniu 50 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios (Imagem: Agência Brasil)

Interessante cartaz em mãos de um manifestante em Aracaju, no Sergipe, dizia o seguinte ‘Direita ou esquerda? Eu quero é ir pra frente’. Talvez tenha sido a imagem que melhor resume e retrata a inutilidade do atual debate da política brasileira. Não é a orientação ideológica do governo que está em jogo: o que 'está pegando' é o fato do governo ter fracassado na condução da economia e nem de longe ter solucionado nossas carências de sempre.
Para quem não vive às custas da política e nem está preso a questões ideológicas, caso dos próprios agentes políticos, sindicalistas e que tais, pouco importa a orientação do governo do turno, o país precisa funcionar, oferecer serviços de qualidade em áreas essenciais, enfim, governar. Ora, o Brasil é um país disfuncional há um bom tempo, e agora fica claro que o partido da ordem talvez nunca soube quais as soluções prometidas para fazê-lo melhor. O que parece vir à tona no imaginário das pessoas é que rouba-se aos tubos por aqui, tudo em detrimento da saúde e educação de qualidade, de estradas transitáveis, da segurança e por aí vai.

Balanço parcial do movimento contra o governo federal e o partido da ordem, neste domingo, já é suficiente para indicar o agravamento da crise que toma conta do país desde as eleições. Não há fato concreto para se falar em impeachment, esse é um erro tolo a que se dedica os partidos de oposição, mas está cada vez mais claro que o governo perde ainda mais espaço de manobra para sair do atoleiro em que se meteu, especialmente em razão do descontrole das contas públicas. Sem falar no estouro da corrupção, que queiram ou não tem associação imediata com o partido que detém o mando.

"Até o momento as manifestações estão ocorrendo de forma pacífica. Os manifestantes vestem camisas nas cores da bandeira do Brasil ou com frases contra o governo e a corrupção. Há ainda muitas bandeiras nacionais, cartazes com pedido de impeachment e carros de som", regista, com surpreendente cautela, o site Brasil2+4+7=13, que se notabiliza pela defesa do governo e foi responsável por publicar carradas de artigos sobre o perigo do... 'golpe de direita'.

O gabinete de crise montado pelo Palácio do Planalto deve se deter especialmente nos protestos de Brasília, que reuniram cerca de 50 mil pessoas. Poucas vezes se viu tanta gente na Esplanada dos Ministérios. A manifestaçao pró-governo da última sexta-feira reuniu cerca de 800 pessoas. Por aqui há o fato extra da dolorida memória recente do fracasso do governo do petista Agnelo Queiroz. De resto, no cotejo entre as manifestações pró-governo da sexta-feira e avalanche deste domingo, fica mais uma vez evidente que o governo abusa na capacidade de errar na avaliação de conjuntura.

O que vem por aí? Possivelmente, aos próceres do petismo, não restará opção, caso a crise agrave, em dar carta branca para eventual radicalização da cena - jogada extrema, claro, porque nada está a indicar que consiga mobilizar as massas em defesa de um governo que prometeu leite e mel e entrega recessão. Por essa ótica, tanto melhor buscar a saída típica de que foi impedido de governar por forças reacionárias, aquelas que não aceitam a existência de um governo de viés mais progressivo e voltado para os menos favorecidos.

A análise é novamente falha, porque, fosse essa a motivação das manifestações, o PT não teria ganho quatro eleições consecutivas. O que há mesmo, talvez seja o fato inegável da fadiga acumulada após 12 anos de mando -  agravada com o fim do ciclo de benesses que o governo levou adiante durante o ciclo favorável das comoddities. Há de se ressaltar o clima pacífico das manifestações – no que reforça, até aqui, a estabilidade da nossa democracia, ainda verde.

O balanço deste domingo será melhor conhecido no day after da segunda-feira, após a abertura dos mercados. O governo perde a priori em qualquer cenário, porque se já tinha dificuldades no Congresso Nacional, doravante será bem pior. O que resta a dona presidente? De imediato, talvez propor uma reforma ministerial ou a sempre útil reforma política, que bem à baila toda vez que o governo se vê sem rumos. Nem de longe é solução, pois só resolve as insatisfações do jogo político. Reações como enviar projeto anti-corrupção para a análise de um Congresso altamente contaminado justamente pela corrupção é tentativa de chover no molhado da crise. A expectativa agora é para que o governo se manifeste até o final do dia.

Nova República e o atual turno democrático...

O mais interessante de tudo isso é que os protestos acontecem no mesmo dia em que, há exatos 30 anos, com a posse do então vice-presidente eleito José Sarney, que assumia interinamente o comando do país, teve início no Brasil o período que ficou conhecido como Nova República. Naquele dia 15 de março de 1985, com a doença do presidente eleito Tancredo Neves, que havia derrotado o candidato dos militares, Paulo Maluf, no Colégio Eleitoral, o ex-governador maranhense tornava-se o primeiro presidente civil do Brasil, após quase 21 anos do golpe militar de 31 de março de 1964.

A Nova República, ou sexta República, é marcada pela redemocratização política do Brasil, depois de mais de 20 anos de um governo caracterizado pela repressão política, que se iniciou com a deposição do presidente João Goulart em 1964. Em Janeiro de 1985, a chapa da Aliança Democrática, formada pelo ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves e pelo senador José Sarney, ambos do PMDB, vence, em eleição indireta no Colégio Eleitoral, o ex-governador paulista, a disputa pela Presidência da República.

[Com Agência Brasil]


Adicionar comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar