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UMA MÁ NOTÍCIA PUXA OUTRAS...

No 18 Março 2015.

Datafolha mostra tamanho da encrenca para o governo, que tem a pior avaliação desde Collor

Saiu a pesquisa Datafolha sobre a aprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff. O levantamento foi realizado entre segunda e terça-feira, 16 e 17, após as manifestações do dia 15 de março, e mostra que nada menos que 62% dos brasileiros classificam sua gestão como ruim ou péssima.

A reprovação de Dilma subiu 18 pontos desde fevereiro e a taxa de aprovação chegou ao ponto mais baixo desde o início de seu primeiro mandato: 13%. É aquela história, uma má notícia puxa outras e o governo cada vez mais demonstra ter se especializado em ser uma usina delas desde a eleição, em outubro do ano passado. 

Feita a ressalva de que o resultado certamente foi contaminado pelas manifestações do último domingo, quando milhões de pessoas foram às ruas protestar contra a mandatária e o seu partido, não há como negar: os números mostram um governo que derrete a olhos vistos.

Dona presidenta logrou conquistar a maior taxa de reprovação desde setembro de 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Mello era a Geni da vez no imaginário popular, posto que estava envolvido até a medula com o escândalo de corrupção que terminou por levá-lo ao impeachment.

A insatisfação cresceu em todos os segmentos sociais analisados pelo Instituto Datafolha e chega também às regiões Norte e Nordeste, tradicionais redutos do lulo-petismo – para total desespero do governo e dos próceres do partido, que assistem ao desmonte da tática adotada até aqui: de apelar ao surrado argumento do arpatheid social para justificar o mau-humor contra o governo.

O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, observa que, pela primeira vez, a maioria dos que têm menor renda e menor escolaridade classifica a gestão de dona presidente, há menos de 90 dias no cargo para um segundo mandato, como ruim ou péssima. O mesmo ocorre no Norte e no Nordeste. O desconforto com o governo está presente nos chamados movimentos sociais, como demonstram a rotina de manifestações a que o país assiste diariamente. Movimentos sociais que seriam a bala de prata com a qual Lula sonhava em fazer recuar a pressão de setores oposicionistas.


O mal-estar geral contra o governo federal decorre, em boa medida, pelos erros na condução da economia ao longo do primeiro mandato, como a presidente começa a reconhecer após ser forçada pelas circunstâncias e necessidade de sobrevivência política. Nessa seara, as notícias não são mais animadoras: para 60% da população, a situação vai piorar. Tal índice de pessimismo é o maior registrado desde dezembro de 1997. “Cada vez mais inseguros sobre o emprego, muitos brasileiros já não enxergam no governo o continuísmo pelo qual optaram na última eleição, mas também não se identificam com a maioria dos manifestantes”, afirma Paulino.

O Datafolha deve levar a nova rodada de bate-cabeça nas fileiras do governo e no PT. É que, pela primeira vez desde a normalização democrática, há 30 anos, as chamadas esquerdas não estão na linha de frente das manifestações de ruas. E o pior: há uma tendência para que cresça as movimentações de massa como a do último domingo, com a defesa aberta de pautas conservadoras.

Mal-estar ronda o Congresso..

A linha de argumentação ensaiada pelo secretário-geral da Presidência, ministro Miguel Rossetto, logo após as manifestações, quando atribuiu a eleitores da, mostra toda sua fragilidade após as pesquisas apontarem que a insatisfação com o governo começa a atingir o status de ampla, geral e de difícil reversão na atual ambiência política.

Ademais, se a bronca com o governo fosse mesmo de uma elite branca preocupada só com a manutenção dos seus privilégios, o governo poderia colocar em campo os seus exércitos para a defesa das suas bandeiras - de resto impopulares e que afetam a todos. Não há, ao que tudo indica, e o Datafolha expressa isso em números, ninguém disposto a bater panelas em favor de um governo impopular.

O momento é grave, como admite o próprio governo em documento interno que vazou ontem para a imprensa, mas nada que o impeça de superá-lo, desde que haja com honestidade e passe ao largo das avaliações erráticas que faz até aqui do tamanho da crise. Investir dinheiro em blogueiros e site camaradas certamente não é a melhor opção. A crise exige mais ação e menos pirotecnia. Na crise, o povo fica menos susceptível a enganações e marketagens.

O mar não está para peixe, embora o PT e o governo tenha mais exposição e por ser o responsável direto pela gestão de dos problemas que afetam o dia a dia das pessoas (a gasolina e os imposto mais altos, por exemplo) ou o baque da crise na Petrobras. A pesquisa Datafolha, no entanto, revela que a situação do Congresso Nacional também é difícil. Com 9% de aprovação, o Congresso, apesar de não ter sido alvo direto das manifestações de domingo, terá de dar respostas à população. 


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