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O SINCERICÍDIO DE CID

No 19 Março 2015.

Governo bem podia fazer do limão da saída de Cid a limonada em favor da pátria educadora

Os irmãos e ex-ministros Ciro Gomes e Cid Gomes são os novos heróis da militância petista nas redes sociais. Compreensível, depois que Cid fez o gesto camicase de enfrentar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), em seus domínios. São os sinais dos tempos a indicar a orfandade da companheirada nesse quesito, sem referências e sem líderes (por anda o Lula?) nesses tempos bicudos de ilusões perdidas. O problema é que a dupla cearense, conhecida pelo estopim curto, não serve lá de referência para muita coisa – a não ser na insuperável arte de despachar impropérios contra seus desafetos.

Cid Gomes, o breve, nem deveria ter sido ministro da Educação caso o Brasil fosse um país de elite política realmente comprometida com os destinos do seu povo. Não há nada em seu currículo que o habilite para fazer a revolução que o país precisa, timidamente anunciada sob o slogan ‘Pátria educadora’ que agora faz parte da assinatura das peças publicitárias do governo federal.

O ex-governador do Ceará caiu da sua breve estadia no cargo de ministro , como se sabe, após ter declarado que o Congresso Nacional é o habitat por excelência de "300 ou 400 achacadores" Convidado a comparecer à Câmara dos Deputados para se explicar, ele resolveu atear gasolina ao próprio corpo. Passo pelo imenso constrangimento de ter sua demissão anunciada pelo desafeto Eduardo Cunha, antes mesmo que o governo o fizesse. De resto, sua passagem pelo cargo foi mais temporada de crise do que qualquer outra coisa - vide o drama dos alunos que tentam se cadastrar no Fies.

Fragilidades

Mas há males que vêm como oportunidade de correção de rota: dona presidenta bem poderia nomear para a Educação alguém realmente preparado para o mister. Não deve ser tão difícil encontrar alguém com esse perfil longe das fileiras partidárias, contaminadas por todo tipo de vício que enoja e paralisa o país.

O episódio, que serviu para trazer desgaste e constrangimento extra ao Palácio do Planalto, expõe a fragilidade da presidente. E mais: é um desfecho da sua tentativa de reduzir o papel do PMDB velho de guerra na aliança que comanda o país há pouco mais de quatro anos. A presidente nomeou Cid Gomes (PROS) na Educação e Gilberto Kassab (PSD) no Ministério das Cidades como alternativa para formar base de apoio no Congresso em que viesse a depender menos do PMDB. O movimento não deu certo. Eduardo Cunha e seu partido estão com tudo e não estão prosa. Não demora e tomam gosto por fazer do governo um novo dominó.

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