Política

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GUEDES ENFRENTA SEU CALCANHAR DE AQUILES

No Sábado, 21 Março 2015 11:38.

Deputado é condenado em primeira instância por suposta improbidade durante passagem pela Avams, há 12 anos

### Petista diz que é vítima de vingança de ex-funcionária da entidade e promete recorrer

O status de novo plenipotenciário da política norte-mineira começa a render dores de cabeça ao deputado estadual e secretário de Estado Paulo Guedes (PT), conforme, aliás, o signatário desta página já previra em texto que o leitor pode acessar aqui. Aos fatos: um processo antigo, com tramitação iniciada há 12 aos, do período em que Guedes presidiu a Avams (Associação dos Vereadores da Mineira da Sudene) e ainda figurava como ilustre desconhecido na cena política regional, pula das gavetas empoeiradas do Judiciário para render manchetes, no que semeia dúvidas sobre as razões da meteórica carreira do político, que hoje ocupa cargo no primeiro escalão de governo de Minas.

A juíza Rozana Silqueira da Paixão, da 1ª Vara da Fazenda Pública em Montes Claros, condenou, em sentença do último dia 16, mas publicada no sítio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais somente na sexta-feira (20), o agora titular da Secretaria de Estado e Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) e o assessor parlamentar Renato Lopes Santos de Carvalho pela prática de suposta improbidade administrativa, praticada quando Guedes ocupou a presidência da Avams, entre os anos de 2001 a 2004. Cabe recurso à decisão.

Episódio do passado, o assunto é uma pedra no sapato do deputado, eleito para três mandatos consecutivos em Minas. O Ministério Público acusa Paulo Guedes de ter utilizado a estrutura física (sala e telefones) da Avams, além dos serviços do ex-diagramador Renato Lopes Santos, então funcionário contratado pela entidade, para a confecção de algumas edições do extinto jornal ‘Vale do Sol’, publicação extemporânea e sem circulação definida, que dava apoio às atividades parlamentares do seu mandato de vereador por Manga. O MP também acusa Guedes de ter alienado um veículo da entidade para pagar dívida com o diagramador Renato Lopes.

A escola de samba Estação Primeira dos Desafetos de Paulo Guedes foi ao delírio na sexta-feira, logo após vir a público a decisão em que a magistrada Rozana Silqueira propõe sancionar o deputado com o pagamento de multa equivalente a três vezes o salário que recebia à época, além da suspensão dos seus direitos políticos pelo prazo de oito anos e a proibição de contratar com serviço público.

Já Renato Lopes, que é identificado como jornalista pela imprensa norte-mineira, coisa que ele nunca foi, é condenado ao pagamento de multa civil no valo de cinco vezes a remuneração recebida enquanto funcionário da Avams, além de também ficar impedido de contratar com o serviço público. Lopes se auto impôs o sacrifício de deletar seu perfil da rede social Facebook nas últimas horas, logo após a notícia vir a público. 

Cabe recurso às duas decisões e o deputado Paulo Guedes já anunciou que vai recorrer do que considera ser movimento de inspiração política. O julgamento do caso chegou a ser marcado para o dia 16 de abril de 2013 pela juíza Rosana Silqueira, mas foi adiado não se sabe exatamente porquê. O assunto volta à pauta no momento em que o petista vive, por assim dizer, o Nirvana da sua trajetória política – pouco tempo depois de obter a maior votação já destinada a um deputado estadual em Minas.

Outro lado: "Ação acata depoimentos frágeis de adversários"

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TEMPORADA DE OCUPAÇÃO XII

No Quinta, 19 Março 2015 14:45.

Paulo Guedes define cargos para regionais do Idene e Copanor

Imagem: Divulgação

Segue a rodada de nomeações comandada pelo novo plenipotenciário do Norte de Minas, o deputado estadual e titular da Sedinor (Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais), Paulo Guedes (PT). O ex-prefeito de Porteirinha Alonso Reis foi nomeado para presidir a Copanor (Companhia de Saneamento Integrado do Norte e Nordeste de Minas Gerais S/A), uma subsidiária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Segundo o site do jornalista Oliveira Júnior, Alonso, que administrou Porteirinha no mandato 2005/2008, teve seu nome confirmado pelo Conselho de Administração da Copanor na quarta-feira(18), mas a indicação já era dada como favas contadas, dada a proximidade do ex-bancário e jornalista dom o deputado Guedes.

O fato curioso na nomeação de Alonso Reis é o fato de que a Copanor está subordinada à Secretaria de Desenvolvimento Regional e Política Urbana do governo do Estado de Minas Gerais, que é ocupada atualmente pelo deputado estadual Luiz Tadeu Martins (PMDB).

A ascensão de Alonso ao comando da Copanor fecha mais uma etapa da série de mudanças em cargos confiança em órgãos do governo estadual na região. Na semana passada, foram definidos os novos nomes do diretor-geral e do diretor regional, em Montes Claros, do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), cargos ocupados, respectivamente pelo assessor parlamentar e administrador de empresas Ricardo Augusto da Costa Campos e pelo empresário Arnaldo Teixeira, o Arnaldo Via Única.

O ex-prefeito de Porteirinha será o responsável pela atuação estatal A nos municípios da região em políticas voltadas para os serviços de abastecimento de água tratada, coleta e tratamento de esgotos sanitários e a construção de módulos sanitários. Alonso avalia que sua experiência como funcionário licenciado do Banco do Nordeste, além da passagem por cargo executivo, vai contribuir para seu desempenho na função de tentar melhorar a qualidade de vida da população do semiárido do norte-mineiro.

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MOVIMENTOS PARA 2016

No Segunda, 16 Março 2015 22:05.

Maurício Magalhães avalia como ‘difícil’, mas não descarta aliança com o PT em Manga

Para quem avalia que outubro de 2016 é um incerto lugar no futuro, melhor prestar atenção às movimentações dos políticos com interesse na disputa municipal que começa daqui a pouco mais de um ano. Um dos nomes cotados para disputar a sucessão do prefeito de Manga, Anastácio Guedes (PT), o ex-vereador Maurício Magalhães, o Cabeção (PR), nega que tenha firmado acordo de boa convivência com o petismo com vistas a uma possível aliança na disputa municipal do ano que vem. “Essa informação é 100% mentirosa”, irrita-se Magalhães, que, entretanto, não descarta totalmente a possibilidade.

Ele avalia que um acordo nessa direção dependeria de duas situações: uma delas, o desempenho da atual administração. “O Anastácio até então não mostrou a que veio", ele diz. A outra, a concordância dos correligionários do seu grupo político. Maurício reafirma sua “firme intenção” em sair candidato a prefeito em 2016, mas ressalta que sempre estará aberto a possíveis alianças, desde que isso não comprometa o desempenho de um eventual governo. “Até agora só vi mudar os nomes dos prefeitos, mas a forma de administrar permanece sempre a mesma”, ele critica.

Sem unanimidade...

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TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DA AMAMS

No Sexta, 13 Março 2015 10:10.

Aliados reclamam da demora de César Emílio em mudar a estrutura da entidade

A imponente sede da Amams, em Montes Claros: a turma da boquinha está ansiosa por espaço

Há exatos dois meses depois da eleição do prefeito de Capitão Enéas, César Emílio Lopes Oliveira (PT), para presidir a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) começam a aparecer os primeiros sinais de insatisfação com o novo mandatário da entidade. Aliados de César Emílio reclamam da demora que estaria acontecendo na reformulação da estrutura da associação. A turma da boquinha pretende trocar os nomes dos principais cargos da Casa.

Um dos postos mais cobiçados é o de secretário-executivo, hoje ocupado por Luiz Lobo. A principal reclamação, vinda especialmente das trincheiras petistas, é contra a manutenção de pessoas ligadas ao deputado estadual Arlen Santiago (PTB) e ao ex-prefeito de Patis Valmir Morais, que deixou a presidência da Amams no final de 2010. A bronca é pelo fato de que Santiago e Valmir ainda controlariam desde postos administrativos até os de faxineiro dá luxuosa sede da entidade, em Montes Claros.

César Emílio não demonstrou ainda intenção de mexer nesse vespeiro. No caso do secretário executivo Luiz Lobo há ainda uma dificuldade extra: decano entre os funcionários da associação, ele retém praticamente toda a memória dos processos e projetos da entidade.

Luiz Lobo, que recebe oficialmente cerca de R$ 5,5, mil, coordenou, por exemplo, o processo de montagem do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene (Cimans), que reúne cerca de 70 municípios e já cuida dos serviços de iluminação pública nessas cidades. Atualmente, Lobo está envolvido com a tarefa de montar uma central de compras unificada para os municípios associados, de modo a ganhar escala na aquisição de medicamentos, material escolar, entre outros insumos que podem ser adquiridos pelo sistema de grupo.

Entre outros, os aliados do novo presidente da Amams também reivindicam os cargos do diretor de Defesa Civil e Relações Institucionais, Sérgio Oliveira Nassal, e o de assessor de imprensa, ocupado há um bom par de anos pelo jornalista Artur Amorim Júnior. O caso do assessor Artur Júnior é bem curioso: ele recebe R$ 3,5 mil da Amams - o que não chega a ser um bom salário, mas ainda assim elevado para a maré mansa que a vida no cargo oferece.

Ave César...

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SAPO NÃO PULA POR BONITEZA, PULA POR PRECISÃO

No Sábado, 28 Fevereiro 2015 14:34.

Neo-oposicionistas da remanescente bancada do Norte se ajustam aos novos tempos e sonham retomar espaço perdido


Os corredores do Centro Administrativo Tancredo Neves, aquele monumento ao desperdício que Aécio Neves legou à paisagem de Belo Horizonte durante sua passagem pelo governo de Minas, virou um lugar inóspito para o que sobrou da chamada bancada do Norte de Minas na Assembleia Legislativa. Falo, obviamente, dos deputados Gil Pereira (PP), Arlen Santiago (PT) e Carlos Pimenta (PDT), a trupe de leais servidores do regime anterior, que agora acha estranho os usos e hábitos do governo de tendência mais popular que o petista Fernando Pimentel pretende implantar entre os desvãos das Alterosas e os Gerais.

O trio parada dura formado pelos deputados norte-mineiros demonstra, certamente, alguma dificuldade para entender a novilingua de corolário esquerdista que toma conta dos meandros da administração estadual. Ouvidos acostumados a temas como ‘choque de gestão’, ‘sinergias entre o Estado enxuto e eficiente’ e ‘modernização do estado’ têm agora dificuldade para entender o palavreado dominante nos corredores do poder em Minas.

Frases em que se emprega pérolas como ‘empoderamento da cidadania’, ‘governo inclusivo e para todos’, ‘Minas não tem imperador’, ‘as ruas sabem mais que os gabinetes’, ‘vamos fazer um debate qualificado’, ‘avanços e conquistas com justiça social...’, ‘aumento do poder aquisitivo e da renda do trabalhador’, parecem ser ditas por alienígenas para quem até outro dia convivia com o padrão asséptico do demagogês e burocrático ao extremo encenado por Antonio Anastasia.

É nessa atmosfera de alheamento que os neo-oposicionistas Arlen, Gil e Carlos Pimenta tentam marcar terreno nesses primeiros meses do mandato. O trio anda meio calado por enquanto. Natural, porque Gil, Carlos e Arlen perderam completamente os macetes e cacoetes oposicionistas, após décadas na condição de aliados dos governos de plantão. O silêncio, contudo, não deve demorar muito, porque o sapo não pula por boniteza e sim por precisão, como já ensinava o maioral da mineiridade, nosso João Guimarães Rosa. A bancada do Norte vai reaprender a ser do contra, ainda que aos trancos e barrancos. Pura precisão!

Reduzida a três nomes, ante os sete representantes que a região teve na legislatura anterior, a remanescente bancada do Norte sabe que não pode sucumbir ao ostracismo ante a seca de cargos e verbas desses novos tempos. Cargos e verbas que, outrora, lhes foram tão acessíveis e fáceis. Gil Pereira e Carlos Pimenta foram secretários do tucanato em Minas e enfrentam a dificuldade adicional de voltar às lides do parlamento. Na Assembleia, eles são apenas mais uns na pequena multidão dos 77 pares.

Já Arlen Santiago, que se notabilizou até então por atuar como uma espécie de despachante de luxo para prefeitos e vereadores do norte-mineiro, o cara sempre atento às bulas e letrinhas do Diário Oficial, se ressente, neste primeiro momento, com as mudanças nas senhas que davam acesso à cozinha palaciana. O tempora! O mores!, há de se resignar nosso Cícero sertanejo ante aos novos costumes e dizeres nos salões do poder, ainda ontem tão familiares às suas idas e vindas.

Não será tarefa fácil, sobretudo pelas agruras a que está relegada toda minoria. Perder eleição dá nisso, é do jogo. Mas a turma dá seus pulos. Os médicos Arlen Santiago e Carlos Pimenta se aboletaram em cargos de presidência e vice na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. Gil Pereira, por sua vez, foi eleito para presidir a Comissão de Minas e Energia da Casa.

A trupe anti-PT come pelas beiradas e dão o mote de como pretendem sobreviver na política ao longo dos próximos quatro anos em que passam ao largo das benesses do poder. Vão tocar a vida no sobe e desce das audiências públicas, na tentativa de manter o protagonismo ameaçado com a mudança de mãos da caneta que decide para onde vão as verbas do Estado.     

Se o mar não está para peixe para os eleitos, imagine o que não se dá com Ana Maria Resende, de Montes Claros, e Luiz Henrique Santiago, a dupla de tucanos que perdeu a garupa do poder e acabaram na planície dos sem-mandatos?

Todos contra o novo plenipotenciário...