Política

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QUINQUINHA ATRASA SALÁRIO DE SERVIDOR

No 11 Janeiro 2018.

FPM do município foi bloqueado supostamente pelo não  pagamento de contribuição previdenciária 

>> Funcionários e comércio local estão assustados com realidade que imaginava ser coisa do passado

[ATUALIZADO] - A Prefeitura de Manga não conseguiu pagar os salários dos servidores do mês de dezembro. O calote pegou de surpresa os cerca de mil funcionários públicos e o comércio local, que praticamente tinham perdido a memória desse tipo de dificuldades na administração do município. A situação das finanças do município parecia em ordem, porque o prefeito Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS) havia pago o décimo terceiro e o salário de novembro normalmente. Só parecia. 

A última vez que houve atraso no pagamento da folha salarial em Manga foi em janeiro de 2103, no início da gestão do ex-prefeito Anastácio Guedes (PT), quando o pagamento demorou 10 dias para cair nas contas dos servidores. Ainda assim, o atraso se deveu à ‘herança maldita’ herdada do então prefeito Quinquinha, que deixou um saldo negativo de R$ 1,8 milhão para seu sucessor, sem que houvesse previsão de receitas.

Esse episódio foi motivo de grande bate boca à época entre Quinquinha, que deixava o cargo, e o PT de Anastácio, que assumiu o município com débitos do mês anterior, que era de responsabilidade do prefeito que terminava o mandato. Quatro anos depois, Quinquinha recebeu a Prefeitura com todas as folhas pagas e ainda o saldo positivo, repassado pelo governo federal no rateio da repatriação dos recursos trazidos por brasileiros com conta no exterior.   

Sentado novamente na cadeira de prefeito, Quinquinha atrasa o pagamento da folha salarial, mas desta vez não tem em quem botar a culpa diretamente – já que está no cargo há 13 meses.

A Prefeitura de Manga não emitiu nenhuma nota oficial para acalmar os servidores e empresariado local, mas nos intramuros Quinquinha tenta jogar a culpa no governador Fernando Pimentel, que tem atrasado repasses do imposto sobre o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS).

A verdade, entretanto, parece ser outra. A Receita Federal do Brasil debitou R$ 317 mil no repasse de R$ 568 mil do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) depositada na quarta-feira (10). O débito extemporâneo, segundo uma fonte, aconteceu porque Quinquinha teria deixado de recorrer a contribuição previdenciária dos servidores em novembro passado, na tentativa de fazer caixa para pagar a folha extra do décimo terceiro salário.

Como o pagamento não foi realizado no mês subsequente, em dezembro, a Receita Federal fez a cobrança automática agora em janeiro e pegou a administração de surpresa. Em nota no Facebook, o prefeito admite pendências com o INSS e diz que o bloqueio aconteceu porque a administração pagou com atraso de oito dias, em 28 de dezembro, a contribuição previdenciária do mês de novembro.

Em clima de choro, Quinquinha reclama pelo fato da administração anterior ter atrasado pagamentos com a Previdência e, mesmo assim, nunca ter passado pela situação vexaminosa de ter recursos bloqueados. O prefeito diz que paga em dia os débitos com o INSS. Pelo jeito não paga, já que a Receita não faz bloqueio de quem está em dia com as suas obrigações previdenciárias.     

Havia uma expectativa de que o município lançasse mão de recursos que o prefeito supostamente tenta economizar para bancar um pacote de obras agora em 2018, mas os servidores só vão receber na segunda-feira (22) ou mesmo no dia 30 de janeiro, quando as segunda e terceira parcelas do FPM forem repassadas à Prefeitura. O problema com essa estratégia é que o atraso deste mês de janeiro pode contaminar os próximos pagamentos, em efeito dominó que leve a mais atrasos e provoque a suspensão do pagamento de outros compromissos da administração, entre eles o pagamento a fornecedores.  

Há um ano, previ no texto “Ao vencedor a aspereza dos abacaxis" as dificuldades de ordem política e financeira que Quinquinha enfrentaria ao longo desta sua terceira passagem pela cadeira de prefeito de Manga, especialmente nos dois primeiros anos do atual mandato. Vale uma leitura do texto completo. Abaixo, uma palhinha do registrei na ocasião:

Voltou para ser pior

“De volta ao tema central deste artigo, vale a lembrança de que, mais preocupante do que as brigas do prefeito nas salas de audiências dos tribunais, é a situação da economia brasileira para o horizonte do seu mandato. Elas não são boas. O país deve parar de piorar entre este ano e o próximo, mas é pouco provável que volte, antes de 2020, às condições de vento a favor que marcaram os mandatos anteriores do novo prefeito de Manga -- entre 2007/2012. Para ficar em um só exemplo, o PIB chegou a crescer 7,5% em 2010, no auge do governo Lula, quando Quinquinha estava prefeito e surfou no boom das commodities. Emprego estava em alta, crédito fácil e dinheiro farto nos cofres do município. Tudo isso é passado.

Emprego, por sinal, será uma das grandes dores de cabeça do novo mandatário em Manga. Há pelo menos cinco candidatos para cada uma das poucas mais de 100 vagas de livre nomeação com as quais ele deve contar para acomodar seus correligionários. Governar, por vezes, é frustrar as expectativas. O que fazer com as pessoas que colocaram a camiseta amarela e foram às ruas, aquela militância antes de tudo fiel a si mesma, que se moveu pela esperança de que o candidato sorridente e sempre acessível seria incapaz de se transmudar no executivo frio, que apela ao legalismo incompreensível para justificar a negativa aos pedidos por uma oportunidade tão necessária e tão longamente esperada?”

Quinquinha comprou uma grande briga judicial para voltar a ser prefeito de Manga. Conseguiu se eleger graças ao empurrão do Judiciário, que fez vistas grossas à letra da lei. Desde que entrou para a política, há 10 anos, seu mote tem sido o de pode contribuir com sua experiência de gestão para melhorar o setor público em razão da experiência como empresário. Mas a coisa parece ter desandado no atual mandato.

Após 13 meses no cargo, Quinquinha já demitiu 140 servidores municipais e cortou as comissões pagas a outros tantos que preservaram seus empregos, além de enfrentar uma comissão processante na Câmara Municipal que investiga suposta improbidade administrativa na contratação de um escritório de advocacia. De lambuja, acumula três condenações a perda do atual mandato e 14 anos acumulados de suspensão dos direitos políticos, em processos que ainda não transitaram em julgado.

Ele conseguiu uma proeza que parecia impossivel há um ano: fez a população sentir saudades do antecessor, Anastácio Guedes. Se chegar ao final do mandato, o atual prefeito pode enfrentar dificuldades para se reeleger dada a frustração que provoca no eleitorado.

O capital político que conseguiu acumular nos dos primeiros mandatos se derrete a cada semana e dificilmente ele terá condições de contornar os ventos contrários que sopram na sua direção do seu mandato.

Em entrevista que me concedeu há seis anos, o atual prefeito disse que deixaria a vida pública porque suas empresas ficaram abandonadas durante seus mandatos de prefeito. Não era verdade, como se viu. Quinquinha voltou para ser pior, como seu eleitorado só agora começa a se dar conta.

Procurados via e-mail, na imagem ao lado, Quinquinha e o secretário de Governo, Henrique Fraga, não responderam até o fechamento deste post - a versão oficial, contudo, foi incluída no texto com base em mensagem nas redes sociais. 


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AO VENCEDOR, A ASPEREZA DOS ABACAXIS

Comentários  

0 #3 rodrigo santos 12-01-2018 11:03
É isso aí Toninho, "só serve pra gerir quando tem dinheiro mesmo!" Falou tudo... ótimo elogio.
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-1 #2 Osvaldo Moura 12-01-2018 01:10
Interessante né? A gestão anterior deixou de repassar para a Receita Federal durante 4 anos e nenhum bloqueio foi feito, será prq? É, quem tem um deputado e governo do lado pode tudo...Brasil!!! Pais dos corruptos, de pessoas que não sabem escolher os seus representantes....até para escolher a.melhor musica do ano o brasileiro não sabe escolher. Brasil! Puxa saco da mísera....bando de f...d...p....
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0 #1 Toninho Silva 11-01-2018 14:51
Não era o grande gestor.... Já vi que só serve para gerir quando tem dinheiro..
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