Política

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ATRITOS NA BASE ALIADA DE QUINQUINHA

No 30 Janeiro 2018.

Vereador provoca mal-estar no entorno do gabinete do prefeito ao chamar a secretária da Saúde de 'zero à esquerda'

Se dependesse do vereador Amaro (E), a secretária Lucilene e o ex-vereador Eziquel Batista já teriam descido o meio fio da gestão do aliado Quinquinha (D)

[ATUALIZADO - 31/01/2018 - 13:01.15] - Cada dia com sua agonia. Conforme registrei aqui há pouco mais de um ano, o mandato tão arduamente disputado, pela via da judicialização, não anda fácil para o prefeito de Manga, Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS). Além das dores de cabeça com a comissão processante que enfrenta na Câmara de Manga, onde é investigado por suposta improbidade administrativa e da crescente insatisfação dos servidores, inclusive dos comissionados, que se queixam de ganhar pouco e trabalhar muito, Quinquinha ainda precisa administrar as brigas de bastidores entre aliados da sua base política. 

Além disso, o prefeito ainda anda às voltas com advogados para lidar com duas condenações judiciais a perda do atual mandato e direitos políticos em razão de atos de improbidade praticados na passagem anterior pelo cargo (2007/2012). Esses processos dormem nos  escaninhos do Judiciário, mas podem saltar de suas gavetas no horizonte do atual mandato com a confirmação ou revisão em segunda instância.   

Mas não é só. A despeito de tudo isso, Quinquinha anda às voltas com desentendimentos entre seus aliados. Há cerca de duas semanas, o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Evilásio Amaro Alves (PPS), protagonizou um bate-boca com a secretária de Saúde, Luciene de Almeida Souza. Fontes próximas ao gabinete do prefeito contaram ao Blog, com pedido de embargo aos seus nomes, que a temperatura subiu no gabinete da secretária, que teria, praticamente, expulsado o parlamentar da sua sala, após ter sido chamada de 'zero à esquerda'. 

O Blog enviou questionamentos para vereador Evilásio via aplicativo de mensagens instantâneas para tentar entender o motivo da briga, mas não teve retorno. Tudo indica, segundo os relatos que ouvi, que a disputa por espaço político dentro da administração pode ter motivado o líder do governo a classificar como 'nulidade' a secretária de Saúde do Governo do seu partido, pessoa de confiança do prefeito, até porque já exercera a mesma função em mandato anterior.

Na condição de único parlamentar na Câmara Municipal do mesmo partido que o do atual mandatário do município, o PPS, de núemro 23 na urna eletrônica, Evilásio reivindica mais espaço na administração - o que não é incomum na política, porque quem ganha deve exercer o poder, no que vale a máxima do 'Mateus, primeiro os nossos'.  

A peleja de Evilásio com a secretária Luciene teria começado junto com o atual mandato. O vereador tenta convencer o prefeito Quinquinha a demiti-la para colocar no lugar uma indicada sua, a assistente social Jackeline Amaro Madureira. "Ele não quer a secretária aqui em Manga, quer que ela volte para Matias Cardoso", contou ao site uma fonte, em referência aos domicílios residencial e eleitoral da secretária. 

A xenofobia do vereador, diz essa mesma fonte, se explica em razão do seu interesse em ter o controle da pasta da Saúde de porteira fechada. O prefeito, contudo, tem mostrado resistência aos argumentos do aliado: ele segue a velha máxima de que não se deve nomear alguém que teria dificuldade em demitir mais adiante.

Como precisa do apoio do vereador para ser sua voz nos embates na Câmara Municipal, ele vai 'cozinhando' o aliado em banho-maria, mas já teria tomado a decisão de não atender ao pleito do correligionário - até porque isso significaria abalar o já precário equilíbrio da sua base política. Não há nada mais complicado de administrar que ciumeira de aliado político. 

Há ainda outras duas versões para o bate-boca entre Evilásio e a secretária Luciene, que também foi procurada pelo site para explicar o episódio, mas não deu retorno. Numa delas, o vereador também não teria gostado da secretária Luciene ter retirado funções de  Jackeline Amaro Madureira, sua subordinada na Secretaria de Saúde e responsável pela emissão das guias para tratamento fora de domicílio, as TFDs.

Noutra versão, o copo entre os dois teria entornado porque a secretária teria demonstrado restrições à indicação de uma prima e afilhada do vereador para o cargo de diretora do hospital da Fundação de Amparo ao Homem do Campo. A direção da Fundação Hospitalar, uma entidade sem fins lucrativos e de direito privado, mudou em outubro do ano passado, quando passou para o controle de pessoas indicadas pelo prefeito Quinquinha de Quinca de Otílio.  

A oposição em Manga, ô raça, já apelidou a entidade de Fundação de 'Amaro' ao Homem do Campo. O que é um exagero, já que nem todas as pessoas com o sobrenome da família têm atividade política ou cargo diretivo na Fundação. 

Evilásio também reivindica a exoneração do ex-vereador Eziquel Castilho de um cargo de quinto escalão na Secretária de Saúde. Alega que o ex-colega de Câmara Municipal usa o cargo comissionado como plataforma tentar viabilizar uma futura candidatura a vereador. Quinquinha resiste em atendê-lo, porque Eziquel seria apadrinhado vice-prefeito Luiz Carlos Santana Caíres, o Luiz do Foguete, ambos são filiados ao PRB, e sabe que não pode comprar mais essa encrenca.

Quinquinha estaria recebendo ainda da pressão para não trazer de volta para a administração o também ex-vereador Gil Mendes de Jesus (PP). Gil Mendes foi demitido no pacote de maldades que o prefeito anunciou em outubro do ano passado e deve ser novamente nomeado em cargo de comissão a partir do próximo mês de março. Se depender de Evilásio, contudo, Mendes permanece exilado na Sibéria junto com a multidão que engorda os índices de desemprego no país. 

Ao longo do último mês, o vereador Amaro ainda comprou duas outras brigas. Uma delas com a diretora da escola municipal Padre Ricardo Trischeller, Jácia Lopes, por posições divergentes em relação à transferência de um policial militar do Batalhão local para outra cidade, além de ter paralisado a partida final do campeonato amador, no final do ano passado, por cerca de 40 minutos. O vereador teve que deixar o estádio Mário Barbosa porque o árbitro juiz ameaçou encerrar a partida pelo meio. São assuntos que não cabem no espaço deste texto e sobre os quais o vereança também se recusou a comentar.     

Raimundão não gostou de veto às suas emendas

Outro aliado de Quinquinha que também anda zangado com a administração é o vereador Raimundo Mendonça Sobrinho, o Raimundão (PTB). O prefeito vetou a maior parte das 10 emendas que Raimundão tinha incluído no orçamento deste ano (ao lado o fac-símile de uma delas, no valor de R$ 197 mil). No geral, eram indicações de verbas para aplicação em recuperação de estradas, poços artesianos, distribuição de passagens e bolsas de estudo, e outras boas intenções para as quais os prefeitos nunca dão bola, mas que servem para o vereador fazer média com seus eleitores.

Raimundão havia destinado R$ 810 mil para essas pequenas bondades, mas o prefeito Quinquinha mandou ver a tesoura em todas. O vereador não gostou dos vetos e chegou a alegar que não passou por esse vexame nem mesmo durante os governos do petista Anastácio Guedes (2013/2016), quando era oposição. O vereador engoliu mais uma descortesia do prefeito que ajudou a eleger sem colocar a boca no trombone, mas consta que ficou bastante magoado com o 'chefe'.

É pouco provável que Evilásio e Raimundão adotem postura mais neutra em relação à administração ou mesmo que adotem a postura de não votar nos projetos de Quinquinha na Câmara, mas o clima entre prefeito e aliados anda meio azedo. Se depender do vereador e líder do governo na Câmara, a secretária Luciene e o ex-vereador Eziquel já podem considerar a possibilidade de mandar alguns currículos para prefeituras da região.

O clima no entorno do gabinete do prefeito anda tenso, com certa tendência para Casa da Mãe Joana. O que a fonte do site conta é que o próprio prefeito estimula a cizânia entre o seu grupo ao fazer criticas veladas de um assessor para o outro. Todo mundo fala de todo mundo nos corredores do poder em Manga. E todos, em conjunto, reclamam do secretário de Governo, Henrique Fraga, a quem cabe a missão de despejar sobre os aliados os 'nãos' em nome da administração.

Procurados, o vereador Evilásio Amaro, o prefeito Quinquinha e os secretários Henrique Fraga (Governo) e Luciene Almeida (Saúde) não se manifestaram (veja imagens de dois desses contatos). 


Leia também: 

AO VENCEDOR, A ASPEREZA DOS ABACAXIS

 

 

 

Comentários  

0 #1 Pe dy Cabria 01-02-2018 21:38
Cruel para o Raymundão se as emendas for promessas de campanha acertadas com o entao candidato.
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