Política

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FUÁ FEDERAL

No 12 Novembro 2014.

Ministros petistas criticam gestão Dilma

Passada a ressaca com os festejos da difícil vitória para o quarto mandato petista, começam vir à tona os sinais de que nem tudo anda bem na seara federal. É a volta do clássico embate PT X PT a expor de modo visceral a, por assim dizer, heterogeneidade do partido. A polêmica de ocasião é a carta de demissão da agora ex-ministra da Cultura Marta Suplicy, que pegou o governo de surpresa por conta da contundência na crítica companheira sobre a condução da economia. Demissionária, Marta disse torcer para que Dilma saiba escolher uma equipe econômica que "resgate a confiança e credibilidade" da atual administração. Nada que todo mundo repete há um bom tempo.

Um dia antes da intempestiva saída de dona Márcia, o secretário-geral da Presidência, o também ministro Gilberto Carvalho, apontou para falhas naquilo que o petismo avalia ser a essência dos seus governos: em entrevista à BBC Brasil, Carvalho disse que o governo Dilma teve relacionamento pior com os movimentos sociais e no enfrentamento da questão indígena do que a gestão do presidente Lula. Para Carvalho, essa falta de diálogo foi ‘um tiro no pé’.

É de se perguntar quem precisa de adversários com uma turma desta no seu entorno. E o pior: Gilberto e Marta são muito próximos do ex-presidente Lula no intricado xadrez petista. Nessa toada, o agora neo-oposicionista Aécio Neves (PSDB) vai precisar calibrar o discurso para se fazer ouvir.

A imprensa registra hoje que a presidente Dilma minimizou o bate-cabeça governista. “Marta não fez nada de errado”, teria dito Dilma em tom contemporizador. Quem não gostou das críticas foi o ministro Guido Mantega (Fazenda). Segundo a coluna ‘Painel’, editada por Vera Magalhães, o ainda ministro teria dito a auxiliares: "Das duas, uma: ou ela se rendeu ao discurso do mercado financeiro ou quer desviar atenção de sua gestão na Cultura". Para Mantega não faltou dinheiro no Ministério da Cultura. “O que faltou? Talento?".

Em meio a todo esse bate-boca, teve ainda o disse que disse sobre a determinação para que todos os ministros entregassem seus cargos até a próxima terça-feira (18), um gesto de sintonia entre que deixaria a presidente inteiramente à vontade para compor a equipe com que pretende seguir adiante a partir de janeiro.

Alguns dos atuais ministros podem até ser mantidos em seus cargos, mas a prerrogativa para tanto é de Dilma. Com a opção de Marta em sair atirando, o governo volta atrás e diz que não há prazo nenhum. A temporada promete, mas boa parte dessa espuma deve baixar quando Henrique Meirelles for anunciado como novo ministro da Fazenda. Vale a pena seguir os desdobramentos desse embate interno, pois ele tem potencial para definir os passos do novo governo-velho.