Política

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TRIPULAÇÃO, PREPARAR PARA A DECOLAGEM...

No 30 Novembro 2014.

Se mais mundo houvera, lá estariam os ilustres representantes do povo


Vereadores de Manga pousam para 'foto oficial' do 7º Congresso da Abracam, em Brasília (Foto: Divulgação)

A semana que passou foi pródiga em viagens de políticos conhecidos do eleitor manguense. Sete dos nove vereadores da Câmara de Manga empreenderam nova marcha rumo ao Centro-Oeste para participar do 7º Congresso da Associação Brasileira de Câmaras Municipais (Abracam) que aconteceu aqui em Brasília, entre os dias 25 e 27 de novembro. Noutra frente, o deputado estadual Paulo Guedes (PT), manguense por adoção e nome mais votado na história do parlamento mineiro, passou a semana em viagem internacional a Madri, na Espanha, onde representou a Assembleia Legislativa em um congresso. Como diria o poeta português Luís de Camões: "... e se mais Mundo houvera,lá chegara".

Além do presidente da Câmara e também presidente da Associação dos Vereadores da Área Mineira da Sudene (Avams), Leonardo Pinheiro (PSB), vieram à capital de todos os brasileiros os parlamentares José de Sá Elvira (DEM), cotado para presidir a Casa a partir de janeiro; Gil Mendes, o Gil do Conselho Tutelar (PP); Luiz Carlos Santana Caíres, o Luiz do Foguete (PT), Eziquel Castilho (PR), João França Neto, o Dão Guedes (PT), e Evilásio Amaro (PPS). Consta que Hélio Soares de Assis, o Hélio Boquinha (sem partido), recebeu o adiantamento de cerca de R$ 2 mil reais, correspondentes a três diárias, mas faltou ao compromisso. Hélio Boquinha terá que devolver o valor ao erário. Apenas o vereança Raimundo Mendonça Sobrinho, o Raimundão (PTB), alegou indisponibilidade de agenda para vir a Brasília.  

Vereadores e deputado cumpriram a prerrogativa de representar seus eleitores em fóruns de discussão. Tudo legítimo, pois é como se o povo a quem eles representam fossem investidos da faculdade, por delegação, de também cruzar o Oceano Atlântico e as terras sertanejas para ocupar assentos.

No caso da vereança, a viagem foi festiva. O vereador Gil Mendes, sempre pândego, avisou aos colegas que não faria o percurso entre Manga e Brasília no lombo dos mui rodados ônibus da Empresa Santo Antônio (ESA). “Não quero tomar Dramin para dormir nem carregar saco de vômito por mais de 15 horas de estrada”, disse em tom de brincadeira. Gil veio de voo Azul, como convém a um ‘deputado municipal’ do melhor extrato – com decolagem a partir de Montes Claros. Foi o mesmo trajeto feito pelo presidente Pinheiro, só que nas asas da Gol. Os demais cruzaram os sertões de ônibus e ‘carro próprio’, como foi o caso de Evilásio Amaro – que teria aproveitado para fazer um esticão ao santuário católico de Trindade, a 215 quilômetros de Brasília. Pois o tempo também é de promessas.

Parte da vereança visitava Brasília pela primeira vez e aproveitaram o tour para conhecer o Congresso Nacional e bater pernas nos gabinetes de deputados aliados. Do Congresso da Abracam, os parlamentares saíram convictos de que são a fina flor do que há de mais importante nos fundamentos da nossa triste República. Sem vereador tambor não toca, repetiam à exaustão palestrantes escolhidos a dedos e lobistas de todas as denominações.

Questões muito caras aos ouvidos dos vereadores foram reafirmadas com status de cláusula pétrea: sim, eles podem receber décimo terceiro como qualquer mortal de carteira assinada e que não há nada de ilegal em se pagar salários dobrados para presidente de câmara municipal. Tudo recheado com temas como legislação para resíduos sólidos, orçamento impositivo nos municípios, políticas públicas, reforma política e técnicas parlamentares.

Estoque de Dramin

As despesas com passagens, hospedagem e inscrição para o evento [esta ultima ao custo de R$ 350] foram bancadas pela câmara municipal participante. No caso de Manga, o investimento ficou em torno de R$ 16 mil. E assim, os representantes do povo avançaram por mares nunca de antes navegados. Vale adaptar trecho dos "Lusíadas", de Camões,pois até que mandato se finde, haverão de arar campos novos e ‘se mais Mundo houvera, lá chegara" os intrépidos desbravadores que o povo de Manga mandou para o Legislativo local - a turma tem viajado em ritmo nunca dantes visto desde que a atual legislatura começou, há quase dois anos. Vão por ar e terra. E até por mar iriam, se em Minas mar houvera.

Por que compartilho essa breve história domingueira com os meus 17 leitores? Porque a vida de um homem dito público, publicizada deve ser. Além de que não há nada demais com os deslocamentos de suas excelências, que, aliás, é parte da delegação recebida nas urnas apara representar o povo em terras que seus pés não tenha a ventura de alcançar. Para finalizar, vale o registro que o magano Gil Mendes foi obrigado, por motivo de foro íntimo, a voltar de ônibus, via Montes Claros. Nem tudo é azul nos passos da comédia ediliana.

Não sem antes passar na farmácia para comprar um bom estoque de Dramin e se abastecer com resistentes sacos plásticos. Mendes possui a rara qualidade de saber rir de si mesmo, além de não requisitar da breve e ilusória passagem pela vereança o status de soberania. Na vinda a Brasília, Gil deu ainda um esticão no solo goiano da Cidade Ocidental, para além das franjas do Distrito Federal. Foi, por assim dizer, aonde o povo está. Nem tudo é azul na comédia ediliana.

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