Política

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PELAS BARBAS DO PROFETA...

No 31 Janeiro 2015.

Será que Narciso acha feio o que não lhe é mesmo espelho?

O senador Aécio Neves (PSDB) aterrissou com algum barulho ontem (sexta-feira, 30) aqui em Brasília, após as férias, para participar da sessão de abertura dos trabalhos legislativos do Congresso Nacional. Políticos em Brasília em finais de semana já é algo novidadeiro, mas é que as duas casas congressuais elegem suas respectivas mesas diretoras na tarde deste domingo.

Mas não foi só: o neto de Tancredo apareceu com barba por fazer na sua rentrée aqui na Corte, em visual que lembra a marca identitária dos petistas. Não faltou quem o comparasse ao ex-presidente Lula, o barbudo-mor da República.

Em entrevista coletiva, o senador mineiro desancou o governo da presidente Dilma Rousseff, por quem foi derrotado em outubro passado, e a quem atribui agora a ‘falência do governo’. Nada de novo no front, pois Aécio segue com a estratégia de ser o referencial da oposição para quando 2018 chegar - no PSDB e fora dele.

O cálculo é mais ou menos o seguinte: a crise da água que promete paralisar o país e São Paulo vai deixar em maus lençóis seu principal adversário no intramuros do PSDB, a saber, o governador Geraldo Alkmin. A margem política para que Alkmin passe incólume novamente pela falta d’água no Estado vai ficando menor, e já se aposta que vai retirá-lo do jogo na próxima sucessão presidencial.

Na seara adversária, o potencial de desgaste é ainda maior, porque forma-se a tal tempestade social perfeita, capaz de abalar o receituário populista do petismo de que mudou o Brasil. Além do efeito devastador que as crises da água e energia reservam para o humor da população, há ainda o risco de agravamento da recessão que a cada dia se torna mais evidente. Sem contar com os riscos de relâmpagos e trovoadas na seara da política, na hipótese da Operação Lava Jato ser mesmo para valer.

Com Dilma fora do jogo, os olhares e esperanças companheiras se voltam para Lula, que de bobo não tem nada, e pode recolher os flats ante a possibilidade de manchar sua mitológica biografia (ou o que restar dela) em derrota constrangedora para seus principais desafetos na política nacional. A soma de eventual fracasso administrativo no quarto mandato petista pode turbinar a percepção da derrocada do partido em outros campos, para os quais o eleitorado dá pouca atenção em temporadas de vacas gordas. A tendência é que o eleitor resolva punir desvios ético e moral da política e dos políticos.

Tudo que o repaginado Aécio precisa fazer é seguir a máxima de Paulinho da Viola: “faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. Vai apostar no quanto pior (melhor para ele, bem entendido, não para o país e seu povo). Pode, inclusive, retomar terreno em Minas – onde foi sumariamente derrotado por Fernando Pimentel e Dilma.

Qual é o risco para os planos aecistas? As previsões catastrofistas podem não se materializar. Nunca é demais lembrar que o lulo-petismo foi às cordas em 2005, após o escândalo do mensalão e de lá saiu como fênix revivida. Bom, é bem verdade que o buraco agora é mais embaixo, para lá das placas do pré-sal, e o mensalão virou troco nas peripécias que a turma aprontou nos corredores da Petrobras. Pelas barbas do profeta!

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