Política

Imprimir

FOI, VIU E VENCEU... E AGORA?

No 01 Fevereiro 2015.

Guedes toma posse para terceiro mandato na Assembleia, mas deixa cargo para assumir Sedinor


Os 77 deputados eleitos para a 18ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) acabam de tomar posse em cerimônia que começou no início da tarde no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. Será um momento de breve triunfo para o norte-mineiro Paulo Guedes (PT), reconduzido para seu terceiro mandato com a maior votação (164,8 mil sufrágios) da história do parlamento mineiro. Guedes deixa a Assembleia para assumir a Secretaria de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedinor) ainda esta semana.

A cerimônia foi presidida pelo deputado Hely Tarquínio (PV), o mais idoso dos eleitos, e conta com as presenças do governador Fernando Pimentel, em evento quede reunir cerca de 1,1 mil pessoas, entre prefeitos, presidentes de câmaras municipais, deputados federais, autoridades do Estado, reitores de universidades e familiares dos deputados.

O petista Paulo Guedes sonhava com a presidência da ALMG, mas desistiu do projeto para facilitar a composição de forças entre o governo Pimentel e aliado PMDB. Como compensação, vai levar a Sedinor e promessas de autonomia nos assuntos que interessam ao Norte de Minas.

Guedes mal esquenta a cadeira na Assembleia. Na próxima quarta-feira (4), recebe deferência especial do governador Fernando Pimentel, que vai a Montes Claros assinar o termo de sua posse e do também deputado Luiz Tadeu Martins (PMDB), como titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Política Urbana e Gestão Metropolitana (Sedru). Pimentel também prestigia a posse do correligionário César Emílio, que será empossado novo presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams).

Registro da chegada dos deputados no prédio da Assembleia Legislativa agora há pouco (Foto: Willian Dias\Alemg)

O rito de passagem na cerimônia na Assembleia Legislativa deste domingo representa o coroamento de uma das mais meteóricas carreiras de políticos do Norte de Minas. Ao final deste mandato, em 2018, Paulo José Carlos Guedes terá acumulado 24 anos de vida pública, em seis mandatos legislativos, o que inclui sua passagem como vereador por Manga (1993/2004), onde iniciou sua vida pública após atravessar o Rubicão, no caso o pequeno Rio Itacarambi, afluente do São Francisco, que divide os municípios de Manga e o atual município de São João das Missões (naquela época ainda um distrito de Itacarambi), onde o agora secretário de Estado nasceu em outubro de 1970 - numa família de 11 irmãos.

O menino alfabetizado aos 16 anos, que conviveu com o com o estigma de não poder sorrir por conta de dentes prematuramente estragados, segundo seu próprio relato em vídeo para campanha eleitoral, alçou voo longo na política regional. Além da carreira legislativa consolidada, ele conseguiu alçar o irmão Anastácio Guedes, contra todos os prognósticos, para a cadeira de prefeito de Manga - e simultaneamente chegar ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Montes Claros em 2012. A diferença nesta nova fase é que o petista deixa de ser o estilingue calibrado em 20 anos de prática oposicionista para ser a vidraça no teto da Sedinor - em momento especialmente complicado para a pasta que tenta reduzir os efeitos da estiagem e desníveis socioeconômicos da região.

E agora, Paulo José?

Foi em Manga que tomou seu primeiro contato com estrela símbolo do Partido dos Trabalhadores, aquele original, protagonistas das primeiras greves do ABC Paulista e do combate à ditadura militar, sigla que, àquela época, causava mais temor do que simpatia aos mineiros do semiárido, em razão do seu total deslocamento com do extremo Norte de Minas. A estrela vermelha que simboliza seu partido o acompanha desde o início da jornada, como militante estudantil em Manga, como recompensa pela fidelidade passional que ele lhe dedica.

Guedes incluiu Manga e a pequena São João das Missões no mapa político de Minas, em demonstração inegável de como se inverteu a lógica madrasta que impedia a ascensão de representantes dos rincões de Minas em cargos do primeiro escalão na hierarquia política de Estado. Não sabendo que era impossível, o petista ele foi lá e fez.

O futuro a Deus pertence. Paulo Guedes assume a Sedinor, a secretaria voltada para o desenvolvimento regional do meio-norte do mapa estadual, em momento de gravidade inédita na história do país, que convive com a iminência de grave crise sócio econômica ante a possibilidade [cada vez mais real, diga-se de passagem.] do racionamento de água e luz em boa parte do país, com todo potencial para agravar o quadro de recessão que o Brasil já enfrenta.

O PT, que agora comanda Minas e o País, há 12 anos, enfrenta momento conturbado em sua trajetória de 35 anos. Não bastasse a crise ética para a qual foi tragado após os escândalos do Mensalão e agora na Petrobras, o partido ainda convive com o novo dilema de ser ou não ser governo, depois que a presidente Dilma Rousseff, eleita para seu segundo mandato. Dona presidenta deu guinada brusca pró-mercado, com a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, que resultou na sucessão interminável de más notícias para os brasileiros, entre elas o aumento nos combustíveis neste domingo. A briga de bastidores entre os PTs de Dilma e o de Lula começam a vazar para páginas impressas e virtuais.

É nessa ambiência que Paulo Guedes chega ao primeiro escalão do governo de Minas, com a espinhosa missão de garantir dias melhores para seus conterrâneos de seca e miséria. Guedes, que ganhou dos seus muitos áulicos o apelido de ‘leão do Norte’, levou sua trajetória de dificuldades e agruras para o horário gratuito na TV, vai precisar agora mostrar a que vem. Talvez o semiárido mineiro nunca tenha sido tão bem representado no governo estadual. Ironicamente, talvez nunca esteve tão necessitado dessa representação. Em resumo, é este o desafio que Guedes vai enfrentar: precisa corresponder à imensa expectativa que espalhou pelas estradas poeirentas do sertão de Minas.

Adicionar comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Entre os termos de uso do espaço para comentários estão a restrição a comentários racistas, misóginos e homofóbicos, além de xingamentos e apologias ao uso de drogas ilícitas, crimes inafiançáveis ou proselitismo partidário. Os comentários serão moderados ou recusados para evitar excessos.


Código de segurança
Atualizar