Política

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DIA DA MENTIRA

No 26 Fevereiro 2015.

Eduardo Cunha é rápido no cumprimento das promessas de campanha. Acunha Eduardo, pois quem paga é o povo

Imagem: Gustavo Lima - Agência Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), é considerado um homem de palavra pelos seus pares. Foi graças a essa fama que impôs dura derrota ao governo Dilma Rousseff na recente disputa pelo mando na Casa. Mal assumiu a cadeira de presidente, ele já cumpriu suas promessas de campanha, aquelas mesmas que fizeram a turma do baixo clero dar uma banana para a tentativa do governo em eleger o petista Arlindo Chinaglia para o cargo.

Para Cunha, promessa é dívida, ainda que cumpri-las signifique total falta de sintonia com o péssimo momento que o país atravessa. O peemedebista foi ágil ao conceder novas benesses para os muito beneficiados deputados federais brasileiros: aumentou as verbas de gabinete, a remuneração de assessores e o auxílio-moradia dos colegas que não ocupam apartamentos funcionais. Os deputados ganham R$ 33,7 mil, mas, ainda assim, passam a contar com mais R$ 4,2 mil para alugar imóveis aqui em Brasília, onde passam pouco tempo.

A farra não acabou por aí. O peemedebista cumpriu outra promessa de campanha ao autorizar que seus colegas emitam, com o dinheiro de impostos, passagens aéreas em nome de maridos e mulheres dos deputados. Prática extinta há alguns anos, justamente por dar margem à velha malandragem da farra das passagens.

Eduardo Cunha visitou os 27 estados da federação na sua recente campanha para presidir a Câmara. Esse fato, por si só, já é bastante revelador do que está em jogo no Congresso Nacional. Os jatinhos que ficaram à disposição de Cunha dão a medida do seu poder no cargo. Que o diga, aliás, o governo, obrigado a fazer rapapés para um desafeto declarado.

O mais sintomático de tudo é que Eduardo Cunha marcou a validade do seu pacote de bondades para 1º de abril, data consagrada como o Dia da Mentira. Nada mais adequado, porque evidencia a falência daquele discurso de que os deputados laboram dia e noite pelo bem do país. As matérias que realmente importam ao povo ficam engavetadas anos a fio e os deputados, respeitadas as exceções de praxe, só votam as pautas de interesse do Executivo na base do toma lá da cá escandaloso em torno das emendas parlamentares.

O presidente da Câmara sabe honrar seus compromissos, mas é muito fácil agir assim quando manda a conta para o bolso do contribuinte. A quadra atual não é muito propícia aos políticos, porque, ainda que lentamente, o eleitor começa a perceber que é chamado, a cada dois ou quatro anos, a fazer parte de um circo, uma democracia de fachada. Faltou sensibilidade, mas quem se preocupa com que o eleitor vai pensar. Acunha Eduardo.

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