Política

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O BRASIL E SUAS JABUTICABAS

No Domingo, 09 Novembro 2014 17:42.

Poder também pode ser substantivo comum de dois gêneros...

A política volta a acrescentar curiosa contribuição ao senso comum de que jabuticabas só existem no Brasil. A governante reeleita exige ser chamada de presidenta. Até aí tudo bem, cada qual escolhe a sonoridade que melhor lhe apeteça. O inaudito da cena política brasileira é que, ao menor sinal de encrenca, dona presidenta corre para se aconselhar com o seu mentor e antecessor, o ex-presidente Lula, cuja figura não foi ainda dissociada do cargo, apesar de ter descido a rampa do Palácio há quase quatro anos.

Impossível fugir à impressão de que a cadeira presencial aparenta ser ocupada por uma presidente de direito e outro de fato, em inédita composição daquilo que parecer ser curioso comum de dois gêneros no comando do país. É jabuticaba para ninguém botar defeito.

No terreno restrito das questões gramaticais, comuns de dois gêneros são aqueles substantivos diferenciados em suas formas masculina e feminina pela presença de um agente modificador, o artigo. É ele, o artigo, que é flexionado para indicar o gênero do substantivo a que se faz referência.

A primeira mulher a ocupar a Presidência da República faz questão de assinalar essa distinção: é uma presidenta. Presidente só se aplicaria ao gênero masculino, embora o substantivo admita dupla conotação. Governante, que usei lá no alto, também é comum de dois gêneros, mas a opção por governanta não parece adequada. De resto, nesta véspera de segundo mandato, o debate já perdeu sentido. Temos uma presidenta. Presidente é sujeito oculto. Mas vale perguntar se Cecília Meirelles era poeta ou poetisa? Por ela mesma: “Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”.

Mas não é de poesia que se trata aqui...

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AGORA VAI. VAI MESMO?

No Quarta, 29 Outubro 2014 12:43.

Configuração inédita que coloca PT nos três níveis de governo anima prefeitos de Manga e Januária

Os petistas Manoel Jorge e Anastácio apostam suas fichas no mando petista de ponta a ponta: União, estado e municípios

Embalados pela recente conquista do governo mineiro e reeleição da presidente Dilma Rousseff, os prefeitos petistas Manoel Jorge (Januária) e Anastácio Guedes (Manga) têm dito ao circulo de assessores mais próximos que agora vão conseguir deslanchar suas gestões. Não é nada, não é nada os dois se animam com a perspectiva de reeleição que até aqui não lhes era muito favorável. 

A inédita e rara conjuntura que colocou o PT nas três esferas de poder seria o o caminho mais rápido para imprimir ritmo às respectivas administrações, que já andam pela metade e ainda não conseguiram dizer a que veio. Em Manga, por exemplo, Anastácio tem mais festa do que obras no currículo, mas é todo otimismo com a possibilidade de virar o jogo após Fernando Pimentel assumir o governo de Minas, em janeiro próximo.

Mas não é só. O status de deputado estadual mais votado no estado que o petista Paulo Guedes acaba de conquistar é festejado como novo momento para a região - em especial para as administrações petistas. O otimisto é justificado também por que o PT voltou a fazer barba, cabelo e bigode no semiárido mineiro no segundo turno das eleições presidenciais. Municípios como Bonito de Minas (onde a presidente Dilma alcançou 88,37% dos votos válidos) e Miravânia (80,36% dos votos válidos) exacerbaram a chamada onda vermelha. Ainda que necessário relativizar esses feitos, dado o pequeno número de eleitores dessas localidades, a lavada petista se repetiu com intensidade parecida por cerca de noventa municípios da região. E o que dizer dos 62,05% que a presidente reeleita conquistou em Montes Claros, o maior colégio eleitoral da região?.

Com esses números, o Norte de Minas por inteiro e não só municípios sob o mando do PT certamente mereceriam maior atenção do segundo governo Dilma e do estreante Pimentel. Mas é conveniente que Manoel Jorge e Anastácio moderem o entusiasmo. Tudo está a indicar que o cobertor será curto em 2015, especialmente em Minas, onde o futuro governo deve herdar situação fiscal das mais complicadas. Quanto ao governo federal, nada leva a crer que daqui pra frente tudo vai ser diferente. O próximo ano, por sinal, será exatamente o exíguo tempo que resta aos atuais prefeitos para mostrarem serviço.

Isonomia

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DILMA E O BRANCO DA PAZ

No Domingo, 26 Outubro 2014 23:09.

Reeleita para novo mandato, presidente faz apelo por diálogo e promete reformas

Banquete dos signos: Lula e Dilma simbolizam paz ao país divido após a mais difícil batalha eleitoral desde a redemocratização

Dilma Rousseff foi eleita neste domingo (26) para um novo mandato na mais apertada vitória desde a redemocratização do país (51,6% dos votos, contra 48,4% do rival Aécio Neves). “Ao vencido o ódio ou a compaixão. Ao vencedor as batatas”, já dizia Machado de Assis na célebre frase que colocou na boca de Quincas Borba. Dilma venceu e, portanto, leva as batatas. Ou o abacaxi, para que prefira, de governar um país dividido, com baixo ritmo na atividade econômica e muitas incertezas para o futuro.

Não por acaso, ela e o ex-presidente Lula apareceram vestidos de branco, na cerimônia de agradecimento de agora há pouco em um hotel aqui de Brasília. Tirante a militância, que por motivos óbvios precisa bater-bumbo, pelo menos por aqui, o clima é pouco festivo. Dilma, por sinal, estava mais leve e simpática ao retirar o ar carrancudo com que apareceu nos últimos debates eleitorais. 

Além do simbólico apelo à cor que representa a paz, a presidente eleita fez apelo ao diálogo e à união. Não poderia ser diferente, pois, superados os ataques de lado a lado, na mais virulenta campanha dos últimos tempos, Dilma precisa governar para todos. A ênfase nesse detalhe, portanto, não é gratuita, muito menos desnecessária.

Ali mesmo, a seus pés, militância sequiosa por mais embate gritava palavras de ordem contra a Rede Globo e, por adição, contra a revista Veja – representação do que o petismo apelidou de mídia golpista. Dilma terá que fazer ouvidos moucos aos apelos da turma ávida por repetir no Brasil os mimos que Cristina Kirchner e o chavismo reservaram aos seus desafetos nos respectivos países.

A simbologia da paz talvez soe mais didática até mesmo a Lula do que em Dilma. O ex-presidente personaliza melhor a divisão do país entre o ’nós’ e o ‘eles’, na linha da divisão de classe e acentuação das diferenças regionais que, ao fim e ao cabo, foi o combustível para garantir ao PT 16 anos no poder, o maior período de mando de uma corrente política na história de República - considerados as fases de normalidade democrática. Campanha é uma coisa e governo é bem outra, é essa a mensagem implícita no jogo de sinais. Ainda sob os efeitos inebriantes da vitória, Dilma foi nessa direção.

“Em lugar de ampliar divergências, creio que é hora de construção de pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil. Em alguns momentos da história, resultados apertados produziram mudanças mais rápidas e mais amplas. Essa é minha esperança. Aliás, é minha certeza. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo e este é meu primeiro compromisso neste segundo mandato. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós, que vivemos numa das maiores democracias do mundo”, discursou a presidente eleita.

Na sua fala, Dilma lembrou que mudança foi a palavra mais dita durante a campanha e que o tema mais amplamente invocado foi reforma. “Estou sendo reconduzida à presidência para realizar as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Estou pronta a responder a essa convocação. Sei do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares. E eu o farei”, disse a presidente. Mais fácil falar do que fazer, dado o previsível quadro de dificuldades que a petista vai encontrar ao longo do caminho desse segundo mandato, quando a expectativa de poder tem data de validade.

Minas e Aécio

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UMA PONTA DE ESPERANÇA PARA AÉCIO

No Sábado, 25 Outubro 2014 18:57.

Após se deslocar do tucano, Dilma volta ao empate técnico - segundo Datafolha de véspera

A crer no que diz o levantamento que o Datafolha acaba de divulgar, o eleitor vai para as urnas neste domingo com o jogo ainda embaralhado e com a sucessão em aberto. Segundo o instituto, considerado apenas os votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Dilma chega no dia que antecede à votação com 52%, ante os 48% de Aécio. Os números indicam empate técnico, mas no limite da margem de erro.

Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada nos dias 22 e 23, Dilma tinha 53%, contra 47% de Aécio, em diferença fora da margem de erro – o que mostrava o deslocamento da petista e forte tendência para que conquistasse o segundo mandato. Não se sabe se por efeito do debate de ontem na TV Globo, mas o Datafolha mostra que a petista mostra parou de abrir vantagem sobre o rival. O levantamento foi feito entre a sexta e este sábado.

Dilma ainda é favorita a ganhar a eleição, porque seu desempenho negativo [um ponto percentual a menos em relação à pesquisa anterior] não veio acompanhada por uma subida do tucano que possa garantir o empate técnico.

Outra pesquisa, a do Ibope, a ser divulgada daqui a pouco mostra Dilma com 53% e Aécio com 47%. Os institutos alertam que os números não podem ser confundidos com “tentativa de previsão dos resultados da eleição deste domingo”. Segundo o Datafolha, o levantamento é um retrato da corrida eleitoral no período em que as entrevistas foram feitas. Seja como for, os números trazem breve alento para o candidato Aécio Neves, que mantém a esperança de virar o jogo. Na ponta contrária, crava a estaca da dúvida no entusiasmo do petismo, que passaram a semana se segurando para não cantar vitória antes das urnas.

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JORDÃO NÃO PASSA NO TESTE DAS URNAS

No Sábado, 25 Outubro 2014 18:34.

Votação dos candidatos apoiados pelo prefeito de Montalvânia mostra falta de rumo da administração

Um magote de prefeitos do Norte de Minas não conseguiu entregar os votos prometidos aos seus candidatos nas eleições de 5 de outubro. Um dos casos mais emblemáticos é o de Montalvânia, onde os candidatos apoiados pelo prefeito Jordão Medrado (PR) amargaram os terceiros lugares após a contagem dos votos.  

Os modestos desempenhos de Ana Maria Resende (PSDB), que fracassou na tentativa de se eleger para uma vaga de estadual, e do deputado federal Bilac Pinto (PR) podem comprometer o futuro político do prefeito Medrado. No mínimo, mostra que a atual administração de Montalvânia ainda não achou seu rumo.

Jordão provavelmente vai enfrentar o médico e ex-prefeito José Florisvaldo Ornelas (PTB) na tentativa de reeleição em 2016. Ornelas mostrou prestígio, a despeito de estar há seis fora do cargo, ao conseguir a maior votação no município para o deputado estadual Arlen Santiago (PTB), apoiado por 2.944 cochaninos. Aliados de Medrado, Ana Maria (961 votos) e Bilac Pinto (937 votos), receberam votação, somadas, até mesmo abaixo da performance do também deputado estadual Paulo Guedes (PT), sufragado por 2.470 eleitores no município.

Guedes foi apoiado pelo vice de Jordão, Orlando Mota (PR), que pode se transformar em nova força política no município caso resolva alçar novos voos e sonhar com a cadeira do atual companheiro de chapa. Para se ter uma ideia de quanto o desempenho de Jordão foi acachapante, sua aliada Ana Maria recebeu 1.125 votos na vizinha Manga, onde foi apoiada pelo assessor parlamentar Hugo Mota. Se o teste das urnas dos aliados de Jordão serviu como uma avaliação da sua gestão, e tudo indica que sim, o prefeito precisa agora correr atrás do prejuízo.