Política

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O TUDO OU NADA

No Sexta, 24 Outubro 2014 10:53.

Dilma se desloca de Aécio na hora do vamos ver

A presidente Dilma Rousseff chega às vésperas da eleição do próximo domingo em situação muito confortável, com amparo nas pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas na quinta-feira (23), que apontam crescimento homogêneo do seu nome em todos os segmentos demográficos e por todo país. Traduzindo em miúdos: só fato novo elevado à categoria de desastre lhe tira o segundo mandato. Seu crescimento é consistente e veio no momento que não permite espaço para sobe e desce nas pesquisas.

Esta campanha, por sinal, foi marcada por interessante revezamento de três candidatos cotados para ganhar a eleição, pela ocupação, ainda que temporária, da primeira colocação no segundo turno. Marina tomou a dianteira de Dilma por alguns dias, na simulação de segundo turno, enquanto surfava na onda da mudança e antes de ser desfigurada pelas próprias contradições e pelo moinho petista de desconstrução dos adversários. Aécio abriu a atual temporada com ligeira vantagem, para se ultrapassado por Dilma no momento decisivo da disputa.

Tudo pesado e medido, Dilma vai para o temido debate desta noite na TV Globo com a vantagem de quem está com a mão na taça. Precisa apenas ter serenidade e não se deixar levar pelas eventuais provocações de Aécio. Enfim, a petista precisa administrar o tempo, passar confiança e não cometer nenhum erro grave ao longo do debate.

Para Aécio a missão é bem mais complicada, uma espécie de opção entre o tudo e o nada. O tucano sabe que o debate na TV Globo é a chance de virar o jogo, mas na prática a coisa não é tão simples, pois além de precisar demonstrar superioridade incontestável em relação à sua oponente, ele não voltar a cair em erros já recusados pelo o eleitor de cair no denuncismo acompanhado da agressividade pura e simples ou de certa arrogância e ironia de debates anteriores.

Bala de prata

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CAUTELA E CALDO DE GALINHA...

No Quinta, 23 Outubro 2014 12:43.

Lula repete a lei natural de que ninguém está imune aos efeitos do tempo

A três dias do retorno do eleitor à cabine de votação, a disputa presidencial chega ao seu momento de maior tensão. Tudo agora precisa ser milimetricamente calculado de lado a lado, porque qualquer erro pode tirar as chances dos dois contendores na disputa – até aqui empatados, muito embora no limite extremo da chamada margem de erro. 

A presidente Dilma Rousseff recebeu significativo alento, ao aparecer à frente do adversário Aécio Neves, mas, vale repetir, ainda que dentro dos limites do empate técnico. Ela tem 47% das intenções de votos, ante 43% do seu adversário. Apesar dessa ligeira vantagem, o clima é de muita cautela nas hostes petistas. Quando nada pelo histórico de erros nas pesquisas, mas também pelo receio de que eventual abstenção fora dos limites históricos possa vir exatamente do eleitorado de Dilma. 

O balanço prévio do que se viu até aqui mostra a campanha mais polarizada e nervosa dos últimos tempos. Há 12 anos no mando federal, o PT não se imagina fora da Esplanada dos Ministérios – o que explica boa parcela do mau-humor que tomou conta dos programas eleitorais, debates e do bate-boca virtual entre militantes de cada corrente na arena em que tem se transformado o fenômeno ainda recente das redes sociais. 

A hora é de decisão, portanto, e o que se vê é um país dividido ao meio. Lula, o velho, que não é bobo nem nada, parece pressentir o cheiro de queimado no seu entorno. Por isso assumiu para si a pouco edificante tarefa de atacar o neto de Tancredo abaixo da linha da cintura. E nisso ele é bom, porque foi moldado por anos de sindicalismo. Lula adotou estratégia de tentar colar em Aécio a pecha do sujeito que ataca com inclemente fúria uma senhora indefesa, na tentativa de apresentar sua pupila como uma simplória dona de casa, uma avó em sua tarefa de zelar pela prole. Coisa que Dilma evidentemente não é, dadas as escolhas que fez ao longo da vida e ao cargo que ocupa. Não bastasse isso, vide a imagem sempre belicosa e de poucos amigos que transparece em suas constantes aparições públicas – sobretudo nos debates. 

Lula chega ao limite de chamar Aécio de ‘moleque’ e outros excessos tantos [insinuar que o tucano bate em mulher e que se vir um pobre passa por cima]. Ontem, no comício em Belo Horizonte, o chefe da nação petista, deu clara demonstração de que se dá ao direito, ainda que no calor dos palanques, onde ninguém ousa contestá-lo, a passar de todos os limites.

Nada o impede, nem mesmo a memória do que passou em 1989, quando o agora aliado petista Fernando Collor desceu ao nível do esgoto, ao misturar família e política - naquele episódio infame em que trouxe à TV uma filha que Lula supostamente quisera abortar. Quem vê o Lula na TV, apoplético e aos gritos mesmo na condição de não candidato, pode não entender o motivo dessa ira santa. Aí é que se recomenda um pouco de cautela e doses extras de caldo de galinha. Se a fórmula lulista da briga retórica potencializada pela voz gutural e a teatral cara de indignado ainda serve de gasolina aos motores da militância petista, a imagem começa a simbolizar uma etapa da história pátria que ameaça estacionar no tempo.

Dono da bola

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O QUE FAZ UM CAMPEÃO DE VOTOS

No Segunda, 13 Outubro 2014 09:51.

A votação recorde de Paulo Guedes na disputa estadual vista por dentro

### Euforia da vitória cede lugar ao risco real de Aécio estragar a festa petista em Minas

Guedes entre Lula e Dilma e ao lado de eleitora que se emociona ao recebê-lo. Abaixo, fala a operário durante ato de campanha: presença federal  no semiárido mineiro

[ATUALIZADO] - Horas depois de ter o nome confirmado como o deputado estadual mais votado em Minas, no dia 05 de outubro, o petista Paulo Guedes recebeu uma chamada telefônica do governador eleito no estado e companheiro de partido, Fernando Pimentel. A conversa foi rápida, durou cerca de sete minutos, e teve o mote de servir como deferência especial do futuro governador ao campeão de votos na disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Minas.

Mas não foi só: Pimentel também agradeceu a vitória padrão arrasa quarteirão que o PT conseguiu no Norte de Minas. “Devo parte da minha vitória à significativa votação que recebemos no Norte de Minas e você será um parceiro importante do nosso governo”, teria dito Pimentel.

Vista sob perspectiva e fora do calor eleitoral, a votação recebida por Paulo Guedes foi mesmo um feito digno de nota. Além do fato raro – e talvez inédito – de ter sido o nome majoritário em 35 municípios, o petista conseguiu inequívoca demonstração de força com os 30 mil votos que recebeu em Montes Claros. Crescimento de quase 1.000 por cento em relação à disputa de 2010, quando recebeu pouco mais de três mil votos no município mais populoso da região.

Diferencial

Mas o que levou 164,8 mil eleitores a dar ao petista o melhor desempenho já conseguido nas urnas por um candidato no meio norte-mineiro? Seus desafetos são rápidos no diagnóstico: muito dinheiro e muitas promessas, não necessariamente nessa ordem. A explicação é simplista demais para ser verdadeira. Fosse apenas isso, a recém-eleita Raquel Muniz (PSC) e o reeleito Arlen Santiago (PTB), do seleto clube dos ‘com-avião’, não teriam saído das urnas com tamanhos bem parecidos na faixa dos noventa e poucos mil votos.

Ademais, a votação Guedes recebeu agora é quase quatro vezes superior a que ele recebeu há oito anos, quando decidiu expandir seus horizontes para além das divisas de Manga - onde começou sua carreira política como vereador. Na eleição de estreia, e após cumprir três mandatos como vereador por Manga, o petista recebeu 45,6 mil votos - embalado pela passagem no cargo de coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), a autarquia federal responsável por levar água aos sertanejos do semiárido. Quatro anos depois, em 2010, ele praticamente dobro sua votação, ao receber 92,7 mil sufrágios. Agora, esse novo salto que o inclui na galeria dos deputados estaduais mais votados em todos os tempos em Minas. Não é possível mentir para tantos, durante tanto tempo. 

“Dinheiro não foi mesmo. A campanha foi muito difícil neste aspecto”, diz a jornalista e assessora de imprensa Rita Mendes – que há um bom par de anos acompanha a trajetória política ascendente do petista. Rita vê em Guedes um diferencial em relação a outros políticos: ele não faz campanha apenas nos três meses que antecedem cada eleição. “Durante os quatro anos do mandato ele vai a todos os lugares, participa da vida das comunidades, cria uma identidade com as pessoas, é algo que não se vê na política”, diz a jornalista.

A opinião é dividida por um dos aliados do petista, que pede para não ser identificado. “Independente de campanha, ele viaja todos os finais de semana pelos municípios do Norte de Minas. Além disso, vai com muita frequência a Brasília, em busca de recursos para atender às demandas dessa população”, diz essa fonte.

Estadual-federal

Outra vertente para explicar o sucesso eleitoral de Paulo Guedes estaria na ampliação do seu papel de deputado também para a esfera federal. Um indicativo disso foi o apoio recebido pelo petista do diretor do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Gustavo Xavier, e do superintendente estadual em Minas Gerais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, Dimas Rodrigues. A aliança com Dimas, por exemplo, fez a votação de Guedes disparar no município de Janaúba: 6.616 sufrágios neste ano ante os 2.223 em 2010. Um incremento de 300% no intervalo de quatro anos.

Essa proximidade com as autarquias federais com atuação na região, caso do Dnocs e Codevasf, mas também em alguns ministérios e até na Caixa Econômica Federal teria possibilitado a Paulo Guedes, na opinião de algumas fontes, aumentar a presença do governo federal no semiárido mineiro. São ações no combate aos efeitos da maior estiagem enfrenta pela região em 80 anos e até mesmo sua atuação na habilitação de pessoas da região para receber moradias do Programa Nacional de Habitação Rural.

Para sorte de Guedes – e sorte tem sido um elemento fundamental na sua carreira política –, seus adversários regionais por uma vaga no Legislativo mineiro perderam fôlego com a crise financeira que atravessa o Estado de Minas e fez minguar os investimentos na região.

“Temos uma parceria forte com o governo federal, que tem possibilitado investimentos importantes na região. Nos últimos anos, consegui trazer para o Norte de Minas ações e programas que realmente estão mudando a vida de milhares de famílias”, diz o deputado, em comunicado distribuído por sua assessoria de imprensa, quando citou o programa Água para Todos, que teria investimentos previstos da ordem de R$ 2 bilhões em abastecimento de águas nas comunidades rurais e na construção de barragens para amenizar o problema crônico da seca na região.

Presença no semiárido

A bem da verdade, a construção de barragens como Berizal e Congonhas ainda não saiu do papel, mas é verdade que tiveram alguns pouco avanços, em especial na seara burocrática, durante os governos dos petistas Lula e Dilma Rousseff. Guedes, no entanto, não se faz de rogado e contabiliza os feitos que ainda estão por acontecer.
Mas a lista de ações federais em que diz intermediação não para por aí: ele lembra que o Norte de Minas é região recebe o maior número de moradias rurais no Brasil.

“Isso foi possível porque, há cerca de cinco anos, montamos uma equipe técnica para ajudar as famílias no acesso ao programa e acompanhar todo o processo até a construção das casas”, garante. O deputado lembra que, das 13 escolas técnicas que o governo federal está construindo em todo o estado, oito são no Norte de Minas. “Todos os nossos municípios também estão sendo contemplados com creches do programa ProInfância, além da construção e expansão das universidades na região”, acrescenta.

Visibilidade

Outra fonte ouvida pelo site diz que ‘visibilidade’ é a palavra mais adequada para explicar a performance eleitoral do petista. Guedes conseguiu, até aqui, ser mais percebido que os seus pares na Assembleia Legislativa. Essa percepção seria resultado, entre outros feitos, da ousada decisão do deputado em disputar a sucessão do ex-prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) em Montes Claros.

Guedes saiu de irrisórios meio por cento nas intenções de voto e conseguiu chegar em primeiro lugar no segundo turno, quando perdeu para o atual prefeito, Ruy Muniz (PRB). O petista perdeu a disputa, mas ganhou ‘visibilidade’ no rádio e TV durante quase dois meses. Esse recall [lembrança espontânea na cabeça do eleitorado], é um dos motivos que o levaram ao posto de deputado estadual mais votado em Minas Gerais e, seguramente, o mais votado da história em todo o Norte de Minas.

Identidade

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BARRADOS NO BAILE

No Sexta, 10 Outubro 2014 12:34.

Para não ficar na chuva, deputados derrotados no Norte de Minas apostam fichas na vitória de Aécio

Fim de ciclo: Souto e o casal Jairo Ana Maria não conseguiram se eleger, a exemplo do que já  acontecera em 2010

O eleitor mandou um duro recado para o ex-prefeito de Montes Claros Jairo Ataíde (DEM): chegou a hora de buscar o caminho da aposentadoria. Pelo menos da vida pública. Sua tentativa de se reeleger para o Congresso Nacional foi um fiasco: conseguiu 19.273 votos, bem abaixo dos 73 mil de quatro anos atrás, quando ficou apenas na suplência. Com o ex-ministro do Tribunal de Contas da União Humberto Souto (PPS) aconteceu o oposto: ele até conseguiu aumentar sua votação de 65,4 mil para 70,9 mil votos, mas ainda assim volta a amargar nova temporada no banco da suplência.

Ao contrário do que muita gente pensa, Jairo e Humberto Souto não eram deputados, eles foram investidos nessa condição por obra e graça dos acordos de gabinetes arranjados pelo então governador Antonio Anastasia (PSDB) após a abertura das urnas em 2010. Desta vez, eles não têm sequer essa alternativa a que se agarrar. A janela da esperança que se abre para os suplentes de deputado federal norte-mineiros é a eleição de Aécio Neves para a Presidência da República, com a possibilidade de indicação para uma autarquia aqui ou arranjo qualquer acolá.

Com a saída de Souto e Jairo de cena, o Norte de Minas perde dois parlamentares experientes. Mal ou bem, eles eram, até então, e ainda que meros suplentes, o que a região tinha de representatividade aqui em Brasília. Os sinais do declínio eleitoral de Souto e Ataíde eram visíveis, vide o histórico ainda recente das duas derrotas consecutivas nas últimas disputas eleitorais: além de não conseguirem se eleger nas eleições proporcionais de 2010, eles também, por coincidência, não passaram do primeiro turno na corrida pela Prefeitura de Montes Claros, em 2012.

Desta vez, o eleitor norte-mineiro mandou para a Câmara dos Deputados a inexperiente Raquel Muniz (PSC), primeira-dama em Montes Claros – que ainda precisa mostrar serviço para ser reconhecida com representante de todos os norte-mineiros e não apenas um braço auxiliar para a gestão do marido e atual prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PRB).

Esperança, ainda que tardia

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AGORA É GUERRA

No Quinta, 09 Outubro 2014 09:40.

Sinalização de virada tucana sobre Dilma tem potencial para fazer do segundo turno uma ‘carnifica’

Dilma e Aécio: rumores, boatos e intrigas anunciam a hora do vale-tudo

Esta quinta-feira promete. São aguardadas para logo mais as primeiras pesquisas Datafolha e Ibope para o segundo turno das eleições presidenciais. Uma prévia do que pode vir por aí começou circular desde ontem com a publicação de resultados de institutos ‘nanicos’.

Um certo instituto Paraná Pesquisas, do qual a maior parte dos brasileiros jamais ouvira falar', aponta o candidato Aécio Neves (PSDB) com 54% das intenções de voto para a Presidência da República. A presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, tem 46%. O cenário considera apenas os votos válidos.

Na mesma linha, o Instituto Veritá, há 20 anos no mercado, apurou que o senador Aécio Neves estreia neste segundo turno com vantagem de quase dez pontos sobre a presidente Dilma Rousseff, do PT. Se as eleições fossem hoje, ele teria 54,2% dos votos válidos contra 45,2% de Dilma. Números bem parecidos, como se vê.

Se os levantamentos do Datafolha e Ibope indicarem a mesma tendência, é quase certo que o clima hostil entre petistas e tucanos vá ao paroxismo – com denúncias de lado a lado na tentativa de anular o adversário pelo golpe baixo. Será uma carnificina que tem tudo para ser fichinha em relação ao tiroteio que o petismo destinou a Marina Silva (PSB) no primeiro turno.

Ontem mesmo, a Bolsa de Valores entrou em compasso de gangorra com o boato de que uma revista semanal prepara reportagem que será a 'bala de prata' nas pretensões do neto de Tancredo. Era só boato ao que parece. De concreto, o escândalo rondou mesmo foi a seara petista, após ação da Polícia Federal que botou a mão em gente muito próxima ao governador eleito por Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).   

O PT ainda não digeriu a imensa lambada que tomou em São Paulo, que calou fundo na alma daquilo que se convencionou chamar de lulismo. Por outro lado, Aécio Neves é o principal responsável pela surra que o PT lhe deu em Minas, também dura de digerir. Foi ideia de Aécio a estratégia voluntariosa de ter impor o ex-ministro Pimenta da Veiga como seu ungido ,em prejuízo do deputado e ex-presidente da Assembleia, também tucano Dinis Pinheiro, e o agora governador Alberto Pinto Coelho – que se preparavam para a disputa e dispunham de melhor articulação com prefeitos e outras lideranças. Deu no que vimos. Se Aécio sonha mesmo em ser presidente, vai precisar recuperar o espaço perdido em Minas.

Mãe de todas as batalhas