Política

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RAQUEL NAS NUVENS

No Quarta, 08 Outubro 2014 16:48.

Deputada eleita avalia comprar avião para futuros deslocamentos entre o Norte de Minas e Brasília


Plano de voo: Raquel Muniz quer ficar longe da ponte aérea (imagem: Facebook)

Primeira mulher a se eleger para o Congresso Nacional no Norte de Minas, a primeira-dama de Montes Claros, Raquel Muniz (PSC), não gosta de pensar pequeno. Agora mesmo ela tem a cabeça nas nuvens, em sentido literal. O marido e prefeito Ruy Muniz (PRB) avalia comprar mais um avião, para que a futura deputada faça, por via aérea, o trajeto entre o Norte de Minas e seu novo endereço aqui em Brasília, a partir de fevereiro. A informação foi repassada ao site por uma fonte muito próxima da deputada eleita.

Explica-se: Raquel pretende visitar a região semanalmente, para visitas às bases e contatos políticos, além do necessário convívio com o marido, que por motivos óbvios não pode acompanhá-la, mas não quer se submeter aos desconfortos da ponte aérea nem aos horários de voos regulares da aviação comercial. Enfrentar de carro os 690 quilômetros que separam Montes Claros do Distrito Federal, nem pensar. Madame não nasceu para essas provações.

Como todo bom emergente, o casal Muniz não vai deixar por menos no quesito exibicionismo. Se a compra vingar, nada que um leasing não possa resolver, será a terceira aeronave da frota do empresário Muniz, em cujo hangar já estaciona um avião bimotor e o helicóptero com o qual a candidata Raquel cruzou os céus de Minas durante a campanha recente.

Emergente

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É VOTO OU AMIZADE?

No Terça, 07 Outubro 2014 09:49.

A fórmula de Arlen para reeleições sucessivas dá sinais de esgotamento

Imagem: perfil no Facebook

O deputado estadual Arlen Santiago (PTB) publicou mensagem na internet em que agradece aos mais de 90 mil ‘votos de amizade’ que recebeu na eleição proporcional do último domingo. Como peça de retórica, o médico de profissão político, habituou-se a repetir o mantra de que não tem eleitores, ele tem amigos. A se levar em conta o histórico das últimas três eleições, alguns deles nem tão fiéis assim.

O deputado ainda contabiliza a derrama de mais de 13 mil desses amigos-eleitores após a Justiça Eleitoral divulgar os números do primeiro turno das eleições. Explico: o número é a diferença, para menor, entre os votos recebidos por Arlen em 2010 [105.859] e nesta eleição [92.508].

Arlen Santiago debutou na política em 1998, quando disputou sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa de Minas. E o fez de modo inusitado: contratou o palhaço e agora deputado Tiririca para realizar 20 showmícios em cidades do Norte de Minas.

A legislação eleitoral da época permitia essas gracinhas de claro abuso do poder econômico. Empurrado pelas sandices de Tiririca, Arlen tomou gosto pela coisa e acaba de se eleger para um quinto mandato consecutivo. Curiosamente, ele nunca alçou voos maiores, embora sua votação nas eleições de 2006, quando foi votado por 108,5 mil norte-mineiros, o credenciasse a tal. As eleições de 2006, por sinal, foi o melhor momento de Arlen - que saiu de 67,4 mil votos para sua votação recorde quatro anos depois.

Despachante de luxo

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NADA DE NOVO NO FRONT

No Segunda, 06 Outubro 2014 18:42.

Norte de Minas perde representatividade na Assembleia Legislativa e elege mais do mesmo

Fotomontagem: Michele Oda Portal/G1


Os 'novos' deputados estaduais do norte-mineiro: bancada fica menor sem Ana e Luiz Henrique

A cada eleição, um batalhão de candidatos se lança ao enorme desafio de tentar ser o novo e fazer a diferença na política. Missão difícil. Veja o caso do Norte de Minas. Nunca tanto candidatos foram à luta por uma vaga na Assembleia Legislativa, mas a sempre desejável renovação não aconteceu. Não é fácil quebrar o ciclo que favorece a quem já tem mandato. É mais fácil quem está dentro sair do que quem está fora entrar. Agora mesmo, a chamada bancada norte-mineira ficou menor.

Sintomaticamente, o PSDB perdeu espaço com a derrota de Luiz Henrique Santiago e o novo fiasco de Ana Maria Resende. Na legislatura passada, com o seu partido no poder, não foi difícil para Ana Maria e o seu marido, o ex-prefeito de Montes Claros Jairo Ataíde (DEM) entrarem pelas portas dos fundos dos parlamentos. Agora nem isso. A representação norte-mineira na Alemg encolheu.

A concentração de votos em Paulo Guedes (PT), reeleito para seu terceiro mandato como o mais votado da história da região, com 164,8 mil votos, pode ter contribuído para isso. Mas o fato é que, além de ficar menor, a bancada do norte-mineiro será, na próxima legislatura, mais do mesmo. Pela ordem de votação, Gil Pereira (PP), Arlen Santiago (PTB), Carlos Pimenta (PDT) e Tadeu Martins Leite (PMDB) ganharam mais quatro anos para representar a região. Gil e Carlos Pimenta iniciam, a partir de janeiro, o sexto mandato consecutivo na Assembleia mineira. Arlen entra no quinto e Tadeu Martins cumpre o segundo.

Tadeu Martins, por sinal, é o típico exemplo de outra característica da política brasileira: apesar de jovem, ele faz parte de uma espécie de dinastia política dos ‘representantes do povo’ que entram para a política, invariavelmente, após o declínio do parente que o antecedeu durante décadas em mandatos eletivos. Quase sempre chegam lá com um empurrão de máquinas públicas controladas por seus familiares.

O agora campeão de votos Paulo Guedes foi exceção a essa regra há oito anos, quando conquistou seu primeiro mandato. Mesmo assim, chegou lá após comandar uma autarquia pública, o Dnocs. Desde então, o petista, que consolida sua carreira a cada eleição, serviu de referência para muita gente que sonhava chegar lá, mas que acabam apenas validando a institucionalidade democrática dos que já têm mandato. Parodiando o evangelista Mateus, muitos se lançam a campo, mas poucos serão escolhidos. Ainda assim, não falta quem se considere habilitado a quebrar a escrita.

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TOSTÃO CONTRA AVIÃO II

No Segunda, 06 Outubro 2014 12:02.

Mais votado no estado, Guedes leva a melhor no embate com Arlen pelo voto dos norte-mineiros

Onda vermelha em Minas levou o petista Guedes a conseguir feito inédito para um norte-mineiro: ser o mais o deputado mais votado no estado. De quebra, deixou Santiago na poeira e fora do exclusivo 'clube dos 100 mil votos'

O deputado estadual Paulo Guedes (PT) foi eleito para um terceiro mandato com 164.831 votos. Com esse resultado, o petista venceu com folga o duelo não declarado que travou com o colega Arlen Santiago (PTB) para saber quem seria o mais votado no Norte de Minas. Guedes foi mais longe ao receber a maior votação para estadual em Minas Gerais, fato ainda inédito para candidaturas originadas na porção norte do estado. Parlamentar mais votado nas eleições de 2010, quando obteve 105,8 mil votos, Arlen Santiago viu sua votação despencar para 92,5 mil votos – resultado que deixou o petebista fora do chamado clube dos 100 mil votos. Além de Paulo Guedes, apenas Gil Pereira (PP) conseguiu ultrapassar a barreira dos 100 mil sufrágios na região. Gil foi reeleito com 105,7 mil votos.

Nos últimos oito anos, o deputado Paulo Guedes tem surpreendido o mundo da política no norte-mineiro a cada temporada de caça ao voto. No texto ‘Tostão contra avião’, postado aqui em 18 de agosto, eu dizia que quem almejasse subir ao topo da votação na região precisaria sair das urnas sufragado com algo dentro do intervalo de 120 mil a 150 votos. O petista rompeu o teto daquela previsão, com votação que pode ser considerada consagradora.

Vista em retrospectiva, a decisão de Guedes em disputar a Prefeitura de Montes Claros há dois anos foi essencial para alcançar essa enxurrada de votos no pleito do último domingo. Ele ganhou visibilidade extra ao disputar e ir para o segundo turno em Montes Claros, quando teve seu nome e imagem propagados na TV e no rádio em todo o Norte de Minas, durante o horário eleitoral gratuito, por cerca de dois meses. O recall [a lembrança] daquela disputa ainda está fresca na cabeça do eleitor – o que contribuiu para o desempenho desta última votação.

Embora não tenha sido só isso, pois é preciso considerar a ‘onda vermelha’ que tomou conta de Minas e levou o PT a comandar um estado da região Sudeste pela primeira vez, a votação de Guedes em Montes Claros demonstra o acerto de entrar em uma disputa eleitoral a cada dois anos: ele sagrou-se majoritário no maior município do Norte de Minas, com quase 30 mil votos [29.998, para ser mais exato]. O candidato local que chegou perto dessa marca foi Gil Pereira, votado por 27.301 conterrâneos.

O embate com Arlen Santiago, entretanto, não era tão fácil. Médico e empresário bem-sucedido, ele cruzou os céus da região a bordo do helicóptero Águia Prateada, vantagem comparativa que lhe permitiu visitar até 10 cidades em um único final de semana. Eleita para a Câmara Federal com 96 mil votos, a primeira-dama de Montes Claros (PSC) também fez uso de avião para tocar sua campanha. Enquanto isso, o petista Guedes cruzava o sertão de carro. O que não quer dizer, obviamente, que o petista tenha feito campanha franciscana, dada a quantidade de municípios em que recebeu votação. A diferença é que o petista, assim como a imensa maioria dos candidatos da região, ainda não chegaram ao seleto grupo dos com-helicóptero.   

Guerrilha

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AÉCIO VIROU

No Domingo, 05 Outubro 2014 20:16.

Mineiro chegou a ser cotado para sair da disputa, mas consegue ultrapassar Marina e voltar ao jogo

Emoção na reta final e alguma dose de surpresa na disputa presidencial. Com quase 100% dos votos apurados, a candidata do PT, Dilma Rousseff confirmou a liderança apontada pelas pesquisas, com 41,9% dos votos válidos. O senador Aécio Neves (PSDB), no entanto, surpreende ao confirmar a virada: saiu das urnas com 34 % dos votos. Marina Silva alcança até aqui 21 % dos votos válidos, após liderar as intenções de voto no segundo turno por quase um mês. 

Numa campanha marcada pelo inusitado, o neto de Tancredo chegou a enfrentar a possibilidade de ficar fora da disputa após a fatalidade que tirou a vida do então candidato Eduardo Campos (PSDB). A vice de Campos, Marina Silva assumiu a cabeça de chapa e disparou nas campanhas, em desempenho que até mesmo a ameaçar a liderança da presidente Dilma Rousseff. Aécio tentou manter a serenidade, com o argumento de que a explosão de Marina seria apenas uma onda. Deu certo.    

O PT tem sinalizado que Aécio será um adversário mais fácil no segundo turno, porque possibilita ao partido repetir a fórmula vitoriosa de ir para o embate direto com o argumento da comparação dos governos petistas e os do PSDB. O que os números revelam é a possibilidade de um país divido entre a renovação e o desejo de manter as conquistas sociais que o PT reclama como de sua autoria. Será a eleição mais difícil para o partido nos últimos anos.